sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Santíssimo Sacramento da Eucaristia e o Sacramento da Confissão

"O amor à Eucaristia leva a apreciar cada vez mais também o sacramento da Reconciliação. Por causa da ligação entre ambos os sacramentos, uma catequese autêntica acerca do sentido da Eucaristia não pode ser separada da proposta dum caminho penitencial."
(Papa Bento XVI).
"Constatamos — é certo — que, no nosso tempo, os fiéis se encontram imersos numa cultura que tende a cancelar o sentido do pecado, favorecendo um estado de espírito superficial que leva a esquecer a necessidade de estar na graça de Deus para se aproximar dignamente da comunhão sacramental. Na realidade, a perda da consciência do pecado engloba sempre também uma certa superficialidade na compreensão do próprio amor de Deus. É muito útil para os fiéis recordar-lhes os elementos que, no rito da Santa Missa, explicitam a consciência do próprio pecado e, simultaneamente, da misericórdia de Deus.

Além disso, a relação entre a Eucaristia e a Reconciliação recorda-nos que o pecado nunca é uma realidade exclusivamente individual, mas inclui sempre também uma ferida no seio da comunhão eclesial, na qual nos encontramos inseridos pelo Baptismo. Por isso, como diziam os Padres da Igreja, a Reconciliação é um baptismo laborioso (laboriosus quidam baptismus), sublinhando assim que o resultado do caminho de conversão é também o restabelecimento da plena comunhão eclesial, que se exprime no abeirar-se novamente da Eucaristia.

ALGUNS CUIDADOS PASTORAIS

(...) É dever pastoral do bispo promover na sua diocese uma decisiva recuperação da pedagogia da conversão que nasce da Eucaristia e favorecer entre os fiéis a confissão frequente. Todos os sacerdotes se dediquem com generosidade, empenho e competência à administração do sacramento da Reconciliação. A propósito, procure-se que, nas nossas igrejas, os confessionários sejam bem visíveis e expressivos do significado deste sacramento. Peço aos pastores que vigiem atentamente sobre a celebração do sacramento da Reconciliação, limitando a prática da absolvição geral exclusivamente aos casos previstos, permanecendo como forma ordinária de absolvição apenas a pessoal.

Vista a necessidade de descobrir novamente o perdão sacramental, haja em todas as dioceses o Penitenciário. Por último, pode servir de válida ajuda para a nova tomada de consciência desta relação entre a Eucaristia e a Reconciliação uma prática equilibrada e conscienciosa da indulgência, lucrada a favor de si mesmo ou dos defuntos. Com ela, obtém-se "a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados, cuja culpa já foi apagada".

(Bento XVI, na Exortação Apostólica pós-sinodal "SACRAMENTUM CARITATIS", 2007)

Ensina-nos a Santa Igreja que, para sermos dignos de bem comungar o Santíssimo e Verdadeiro Corpo e Sangue de Nosso Senhor, o Deus Altíssimo, Soberano do Céu e da Terra, presente na Hóstia Consagrada, são exigidas três disposições:

1. Estar na graça de Deus.

Quer dizer, limpos do pecado mortal.Sem esta disposição, não podemos nunca abeirar-nos da mesa da comunhão! Ninguém pode aproximar-se para comungar, por muito arrependido que pareça estar, se antes não tiver confessado os pecados mortais. O pecado venial não impede a comunhão, mas é lógico que tenhamos desejos de receber a Jesus com a alma muito limpa; por isso a Igreja aconselha a que se confesse com frequência, ainda que não tenhamos pecados mortais. Se alguém se aproximasse para comungar em pecado mortal, cometeria um sacrilégio. Comungar em pecado mortal é um pecado gravíssimo!

2. Guardar o jejum eucarístico.

Ou seja, não ter comido nem bebido desde uma hora antes de comungar; a água e os medicamentos não quebram o jejum. Os idosos e doentes - e aqueles que cuidam deles - podem comungar ainda que não tenha passado uma hora depois de ter tomado algo.

3. Saber a Quem se recebe.

Posto que se recebe o próprio Deus neste sacramento, não podemos aproximar-nos para comungar sem noção do que vamos fazer, porque os outros fazem,ou para que nos vejam, porque fica bem, ou por mera rotina. Temos de fazê-lo para corresponder ao desejo de Jesus de encontrarmos na Sagrada Comunhão um remédio para a nossa fraqueza. Devemos receber Nosso Senhor, humildemente escondido nas aparências do pão, com a consciência de que O vamos receber realmente em Corpo, Alma e Divindade, tão real e perfeito como está no Céu.

℣. Bendito e louvado seja o Santíssimo Sacramento da Eucaristia.
℟. Fruto do ventre Sagrado da Virgem Puríssima, Santa Maria.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Reconhecido cientista assegura: "Papa tinha razão ao pronunciar-se sobre a SIDA"

"Afirmo que não se pode superar este problema da Sida apenas com frases publicitárias. Se não há ânimo, se os africanos não se entreajudam, não se pode resolver o flagelo com a distribuição de preservativos: pelo contrário, o risco é de aumentar o problema."

"A solução só se pode encontrar num duplo empenho: primeiro, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que inclua um novo modo de comportamento das pessoas umas em relação às outras; segundo, uma verdadeira amizade também e sobretudo para com as pessoas que sofrem, a disponibilidade, mesmo com sacrifício, com renúncias pessoais, a estar com os que sofrem."
(Sua Santidade, o Papa Bento XVI)

O director do Aids Prevention Research Project da Harvard School of Public Health, Edward Green, assegurou que na polémica sobre a SIDA e o preservativo, o Papa Bento XVI tinha razão.

Ao intervir no “Meeting pela amizade entre os povos” de Rímini, o cientista, considerado como um dos máximos especialistas na matéria, confessou que “lhe chamou a atenção como cientista a proximidade entre o que o Papa disse no mês de Março passado no Camarões e os resultados das descobertas científicas mais recentes”.

“O preservativo não detém a SIDA Só um comportamento sexual responsável pode fazer frente à pandemia. Quando Bento XVI afirmou que na África se deviam adoptar comportamentos sexuais diferentes porque confiar só nos preservativos não serve para lutar contra a SIDA, a imprensa internacional se escandalizou”, continuou.

Na realidade o Papa disse a verdade, insistiu Green: “o preservativo pode funcionar para indivíduos particulares, mas não servirá para fazer frente à situação de um continente”. Propor como prevenção o uso regular do preservativo na África pode ter o efeito contrário . Chama-se ‘risco de compensação’, sente-se protegido e se expõe mais”.

“Por que não se tentou mudar os costumes das pessoas?"– perguntou o cientista norte-americano. A indústria mundial tardou muitos anos em compreender que as medidas de carácter técnico e médico não servem para resolver o problema”.

Green destacou o êxito que tiveram as políticas de luta contra a SIDA que se aplicaram em Uganda, baseadas na estratégia sintetizada nas iniciais “ABC” por seu significado em inglês: “abstinência”, “fidelidade”, e como último recurso, o “preservativo”.

“No caso da Uganda – informou – obteve-se um resultado impressionante na luta contra a SIDA. O presidente soube dizer a verdade a seu povo, aos jovens que em certas ocasiões é necessário um pouco de sacrifício, abstinência e fidelidade. O resultado foi formidável”.
Fonte:http://www.zenit.org/article-22480?l=portuguese
*
Santa Maria, Mãe Castíssima, rogai por nós!

domingo, 23 de agosto de 2009

Contra o gayzismo

"Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição da Igreja sempre declarou que "os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários a Lei Natural. Fecham o acto sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afectiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados."

[No entanto,] "Evitar-se-á para com eles [homossexuais] todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus na sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da Cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade."
(Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana, 2357 a 2359).
"Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm." (Rm 1: 27-28).
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A psicóloga Rozângela Alves Justino, formada em 1981 pelo Centro Universitário Celso Lisboa, do Rio de Janeiro, com especialização em Psicologia Clínica e Escolar, considera a homossexualidade um transtorno para o qual oferece terapia de cura. Recentemente, foi censurada publicamente pelo Conselho Federal de Psicologia (formado, segundo ela, por muitos homossexuais "deliberando em causa própria") e impedida de aceitar pacientes em busca do tratamento. Rozângela compara a militância homossexual ao nazismo e faz uma defesa veemente de suas opiniões.
A senhora acha que os homossexuais sofrem de algum distúrbio psicológico?

O Conselho Federal de Psicologia não quer que eu fale sobre isso. Estou amordaçada, não posso me pronunciar. O que posso dizer é que eu acho o mesmo que a Organização Mundial de Saúde. Ela fala que existe a orientação sexual egodistónica, que é aquela em que a preferência sexual da pessoa não está em sintonia com o eu dela. Essa pessoa queria que fosse diferente, e a OMS diz que ela pode procurar tratamento para alterar sua preferência. A OMS diz que a homossexualidade pode ser um transtorno, e eu acredito nisso.

O que é não estar em sintonia com o seu eu, no caso dos homossexuais?

É não estar satisfeito, sentir-se sofrido com o estado homossexual. Normalmente, as pessoas que me procuram para alterar a orientação sexual homossexual são aquelas que estão insatisfeitas. Muitas, depois de uma relação homossexual, sentem-se mal consigo mesmas. Elas podem até sentir alguma forma de prazer no acto sexual, mas depois ficam incomodadas. Aí vão procurar tratamento. Além disso, transtornos sexuais nunca vêm de forma isolada. Muitas pessoas que têm sofrimento sexual também têm um transtorno obsessivo-compulsivo ou um transtorno de preferência sexual, como o sadomasoquismo, em que sentem prazer com uma dor que o outro provoca nelas e que elas provocam no outro. A própria pedofilia, o exibicionismo, o voyeurismo podem vir atrelados ao homossexualismo. E têm tratamento. Quando utilizamos as técnicas para minimizar esses problemas, a questão homossexual fica mínima, acaba regredindo.

Cada um faz a mudança que deseja na sua vida. Não sou eu a responsável pela mudança. Conheço pessoas que deixaram as práticas homossexuais. E isso lhes trouxe conforto. Conheço gente que também perdeu a atracção homossexual. Essa atracão foi se minimizando ao longo dos anos. Essas pessoas deixaram de sentir o desejo por intermédio da psicoterapia e por outros meios também. A motivação é o principal factor para mudar o que quiser na vida.

Pela sua lógica, seria razoável dizer que, se a senhora quisesse virar homossexual, poderia fazê-lo?

Eu não tenho essa vivência. O que eu observei ao longo destes vinte anos de trabalho foram pessoas que estavam motivadas a deixar a homossexualidade e deixaram. Eu conheço gente que mudou a orientação sem nem precisar de psicólogo. Elas procuraram grupos de ajuda e amigos e conseguiram deixar o comportamento indesejado. Mas, sem dúvida, quem conta com um profissional da área de psicologia tem um conforto maior. Eu sempre digo que é um mimo você ter um psicólogo para ajudá-lo a fazer essa revisão de vida. As pessoas se sentem muito aliviadas.

Esse alívio não seria maior se a senhora as ajudasse a aceitar sua condição sexual?

Esse discurso está por aí, mas não faz parte do grupo de pessoas que eu atendo. Normalmente, elas vêm com um pedido de mudança de vida.

(...)

Por que a senhora acha que o Conselho Federal de Psicologia está errado e a senhora está certa?

Há no conselho muitos homossexuais, e eles estão deliberando em causa própria. O conselho não é do agrado de todos os profissionais. Amanhã ele muda. Eu mesma posso me candidatar e ser presidente do Conselho de Psicologia. Além disso, esse conselho fez aliança com um movimento politicamente organizado que busca a heterodestruição e a desconstrução social através do movimento feminista e do movimento pró-homossexualista, formados por pessoas que trabalham contra as normas e os valores sociais.

Gays existem desde que o mundo é mundo. Aparecem em todas as civilizações. Isso não indica que é um comportamento inerente a uma parcela da humanidade e não deve ser objeto de preconceito?

Olha, eu também estou sendo discriminada. Estou sofrendo preconceito. Será que não precisaria haver mais aceitação da minha pessoa? Há discriminação contra todos. Em 2002, fiz uma pesquisa para verificar as violências que as pessoas costumam sofrer, e o segundo maior número de respostas foi para discriminação e preconceito. As pessoas são discriminadas porque são negras, porque são gordas.Você nunca foi discriminada?

Não como os gays são.

Não? Nunca ninguém a chamou de nariguda? De dentuça? De magrela? O que quero dizer é que as pessoas que estão homossexuais sofrem discriminação como todas as outras. Eu tenho trabalhado pelos que estão homossexuais. Estar homossexual é um estado. As pessoas são mulheres, são homens, e algumas estão homossexuais.

Isso não é discriminação contra os que são homossexuais e gostam de ser assim?
Isso é o que você está dizendo, não é o que a ciência diz. Não há tratados científicos que digam que eles existem. Eu não rotulo as pessoas, não chamo ninguém de neurótico, de esquizofrénico. Digo que estão esquizofrénicos, que estão depressivos. A homossexualidade é algo que pode passar. Há um livro do autor Claudemiro Soares que mostra que muitas pessoas famosas acreditam que é possível mudar a sexualidade. Entre eles Marta Suplicy, Luiz Mott e até Michel Foucault, todos historicamente ligados à militância gay.

Quantas pessoas a senhora já ajudou a mudar de orientação sexual?

Nunca me preocupei com isso. Um psicólogo não está preocupado com números. Eu vou fazer isso a partir de agora. Vou procurar a academia novamente. Vou fazer mestrado e doutorado. Até hoje, eu só me preocupei em acolher pessoas.

O que a senhora faria se tivesse um filho gay?

Eu não teria um filho homossexual. Eu teria um filho. Eu iria escutá-lo e tentaria entender o que aconteceu com ele. Os pais devem orientar os filhos segundo seus conceitos. É um direito dos pais. Olha, eu quero dizer que geralmente as pessoas que vivenciam a homossexualidade gostam muito de mim. E também quero dizer que não sou só eu que defendo essa tese. Apenas estou a ser a protagonista, neste momento, da história.

Por que a senhora se disfarça para ser fotografada?

Um dos motivos é que eu não quero entrar no meu prédio e ter o porteiro e os vizinhos achando que eu tenho algum problema ligado à sexualidade. Além disso, quero ser discreta para proteger a privacidade dos meus pacientes. Por fim, há activistas que têm muita raiva de mim. Eu recebo vários xingamentos; eles me chamam de velha, feia, demente, idiota. Trabalho num clima de medo, clandestinamente, porque sou muito ameaçada. Aliás, estou fazendo esta entrevista e nem sei se você não está a serviço dos activistas pró-homossexualimo. Eu estou correndo risco.

Que poder exactamente a senhora atribui a esses activistas pró-homossexualismo?

O activismo pró-homossexualismo está diretamente ligado ao nazismo. Escrevi um artigo em que mostro que os dois movimentos têm coisas em comum. Todos os movimentos de desconstrução social estudaram o nazismo profundamente, porque compartilham um ideal de domínio político e económico mundial. As políticas públicas pró-homossexualismo querem, por exemplo, criar uma nova raça e eliminar pessoas. Por que hoje um ovo de tartaruga vale mais do que um embrião humano? Por que se fala tanto em leis para assassinar crianças dentro do ventre da mãe? Porque existe uma política de controle de população que tem por objectivo eliminar uma parte significativa da nação brasileira. Quanto mais práticas de "liberdade"sexual, mais doenças sexualmente transmissíveis e mais gente morrendo. Essas políticas públicas todas acabam contribuindo para o extermínio da população. Essas pessoas que estão homossexuais estão ligadas a todo um poder nazista de controle mundial.

Não há certo exagero em comparar a militância homossexual ao nazismo?

Bom, se você acha que isso pode me prejudicar, então tire da entrevista. Mas é a realidade.
Fonte: Veja.com

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, salvai-nos e salvai Portugal!

domingo, 16 de agosto de 2009

"Matar por compaixão" ou "matar a compaixão"?

Omnia tempus habent, et suis spatiis transeunt universa sub caelo;
tempus nascendi et tempus moriendi. (Ecclesiastes, 3: 1-2)


"Tudo tem o seu tempo determinado,
e há tempo para todo o propósito debaixo do céu:
há tempo de nascer e tempo de morrer."
(Livro Eclesiastes, 3:1-2)

A DOUTRINA DA IGREJA SOBRE A EUTANÁSIA

Os ensinamentos da Igreja sobre a eutanásia são relativamente recentes. Durante muitos séculos o problema não se punha, dado que, por um lado, o principio da inviolabilidade da vida humana tornava evidente para todos a ilicitude moral de qualquer forma de eutanásia e, por outro lado, o ensinamento cristão sobre o sentido e o valor do sofrimento era percebido e aceite por todos.

A doutrina cristã afirma que todo o esforço para aliviar a dor é apreciado como uma obra de misericórdia, e ao mesmo tempo permite que seja dada à dor um sentido redentor e de purificação, que leva a que alguém o possa aceitar como expiação das culpas, sem que por isto deva deixar de usar os meios que a possam evitar.

A primeira intervenção importante do Magistério da Igreja em relação directa com a eutanásia é de Sua Santidade, o Papa Pio XII, em resposta às perguntas que lhe foram apresentadas sobre problemas morais que comporta o uso de calmantes e/ou analgésicos que, como efeito secundário, poderiam abreviar a vida. O Santo Padre Pio XII refere-se ao princípio moral positivo da caridade, indicando a licitude do uso de meios que aliviam a dor, ainda que se possa produzir o efeito secundário não desejado de encurtar a vida do paciente. Aqui também recordou a importância de fazer de tal modo que o doente não venha a ficar num estado de inconsciência - a não ser por motivo grave, como dor descontrolada e/ou ansiedade extrema - que o impeça de deveres de tipo religioso, moral, familiar e social, económicos...

Nos últimos trinta anos, o Magistério sobre temas relacionados com a eutanásia foi abundante. Não se limitou a fornecer uma valorização moral, mas expôs também a motivação e considerou os novos problemas que surgiram com o progresso da medicina e a evolução da cultura no mundo ocidental.

Ao tratar deste problema, a Declaração “Jura et Bona” sobre eutanásia, elaborado pela Congregação para a Doutrina da Fé e aprovada pelo Papa João Paulo II em 1980, responde também aos requisitos que se põem frequentemente sobre o uso ou o abandono dos novos tratamentos médicos, no campo da reanimação e dos cuidados intensivos. A segunda parte da declaração centra-se na eutanásia, confirmando a sua maldade intrínseca. Os motivos deste juízo fundam-se no mandamento da inviolabilidade da vida humana e sobre a dignidade da pessoa.

De grande importância é a Encíclica Evangelium Vitae, do Papa João Paulo II. Contém um importante pronunciamento moral sobre a eutanásia: "Em conformidade com o magistério dos meus predecessores e em comunhão com os Bispos da Igreja Católica, confirmo que a eutanásia é uma violação grave da Lei de Deus, enquanto morte deliberada moralmente inaceitável de uma pessoa humana. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal".

A avaliação moral negativa da eutanásia é proposta como verdade definitiva e irreformável, garantida pela infalibilidade exercida pelo Magistério ordinário universal da Igreja Católica Apostólica Romana.

Fonte: http://www.scribd.com/doc/9674141/Eutanasia


Diz-nos o Professor Doutor Daniel Serrão, membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida:

"A Eutanásia é a morte deliberada e intencional de uma pessoa, a seu pedido, pela outra pessoa que recebe e acolhe o pedido. Se não há pedido não há eutanásia, há um homicídio comum. Se há pedido há também um homicídio, mas em resposta a uma vontade expressa pela pessoa que é assassinada.

Quando a pessoa está doente e solicita ao seu médico que a mate, este não pode acolher este pedido, porque não é sua função matar o seu doente. Mas deve imediatamente acolher com respeito este pedido e dar a maior atenção aos motivos que levam aquele doente a desejar ser morto em vez de desejar viver. Podem ser dores, e então a obrigação do médico é tratar as dores e hoje não há dores intratáveis. O doente sem dores não solicita a eutanásia.

Pode ser um sofrimento difícil de suportar. Então o médico com a ajuda dos enfermeiros e de outros profissionais, designadamente psicólogos clínicos, porá à disposição do seu doente em desespero, todos os meios que permitem tornar suportável o sofrimento. Pode ser um sentimento de esgotamento de qualquer projecto de vida que faz com que a pessoa, em dificuldades, prefira morrer a viver. Também este estado psicológico é susceptível de tratamento que consegue reconstruir a vontade de viver. Por vezes o doente chega a estes estados por cuidados médicos a mais ou por cuidados médicos a menos.

Por obstinação terapêutica, em situações que já atingiram a fase da incurabilidade e estes cuidados a mais, desproporcionados, geram um grande sofrimento. A pessoa tem o direito de os recusar e de viver o seu período terminal em paz. Pode não estar bem tratada, em especial das dores e do sofrimento e estes cuidados a menos criam estados de desespero e motivam pedidos de eutanásia. A pessoa tem direito a exigir que lhe seja prestado o tratamento próprio da fase terminal, que é o cuidado paliativo.

O cuidado paliativo é um cuidado especializado prestado por uma equipe de profissionais competentes nas várias disciplinas que o compõem. Pode ocorrer em unidades próprias, em áreas de hospitais de cuidados gerais ou no domicílio. A evidência, onde existe o cuidado paliativo, é que o doente que está acolhido e tratado de todas as perturbações, físicas, psicológicas e espirituais que ocorrem na fase terminal da vida, não pensa em eutanásia, nem a pede nunca, porque compreendeu que a eutanásia não é a solução.

Para a Igreja Católica é esta a solução e já vão aparecendo unidades inspiradas por instituições com ligação à Igreja Católica. É preciso que se criem muitas mais e que a Igreja contribua para a formação do pessoal especializado necessário. No cuidado paliativo não há lugar para a recusa de cuidados extraordinários ou desproporcionados, que a doutrina católica, desde Pio XII, sempre reprovou, porque o cuidado paliativo não acelera nem atrasa o processo de morrer. O doente é acompanhado constantemente e todas as intercorrências são tratadas, sempre, com competência técnica e em tempo útil.

Mas sem nenhuma orientação intensivista e de suporte artificial de funções vitais quando já só produz sofrimento e em nada beneficia o doente. Só é feito o que contribui para manter o bem-estar da pessoa até ao momento final. No cuidado paliativo o processo de morrer é re-socializado, com um lugar importante à família e aos amigos que também são objecto do cuidado paliativo e são por isso participantes na criação de um estado de permanente bem-estar para a pessoa.

Uma pessoa que é “depositada” numa cama de hospital para morrer no maior abandono e esquecida dos cuidadores ou submetida a intervenções intensivas e inúteis, essa é candidata a pedir a eutanásia. Mas a eutanásia não é, nunca, a solução. Em vez de proclamar que a eutanásia deve ser proibida ou permitida, a posição da Igreja é a de que ninguém esteja nunca em situação de pensar que a eutanásia é a solução para o seu desespero. Dizer que se mata por compaixão é, de facto, matar a compaixão."
Fonte: Ecclesia, 30/10/2007

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Assunção de Maria Santíssima ao Céu

Assumpta est Maria, in coelum, gaudent angeli.


“Levantai-Vos, Senhor, e entrai no Vosso repouso, Vós e a arca da Vossa majestade.” (Sl 130, 8)

"Ao Vosso encontro vêm filhas de reis, à Vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir." (Sl 44,10)

Sobre esta verdade de Fé, que Nossa Senhora foi elevada ao Céu em corpo e alma, fala-nos São Josemaria Escrivá, na Homilia pronunciada no dia 15 de Agosto de 1961:

"Maria foi levada por Deus, em corpo e alma, para os Céus. Há alegria entre os anjos e os homens. Qual a razão desta satisfação íntima que descobrimos hoje, com o coração que parece querer saltar dentro do peito e a alma cheia de paz? Celebramos a glorificação da nossa Mãe e é natural que nós, seus filhos, sintamos um júbilo especial ao ver como é honrada pela Trindade Beatíssima.

Cristo, Seu Filho Santíssimo, nosso irmão, deu-no-la por Mãe no Calvário, quando disse a S. João: eis aqui a tua Mãe. E nós recebêmo-la, com o discípulo amado, naquele momento de imenso desconsolo. Santa Maria acolheu-nos na dor, quando se cumpriu a antiga profecia: e uma espada trespassará a tua alma. Todos somos Seus filhos; ela é Mãe de toda a Humanidade. E agora, a Humanidade comemora a sua inefável Assunção: Maria sobe aos Céus, Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo. Mais do que Ela, só Deus.

Mistério de amor é este. A razão humana não consegue compreendê-lo. Só a fé pode explicar como é que uma criatura foi elevada a tão grande dignidade, até se tornar o centro amoroso em que convergem as complacências da Trindade. Sabemos que é um segredo divino. Mas, por se tratar da nossa Mãe, sentimo-nos capazes de o compreender melhor - se é possível falar assim - do que outras verdades da fé. Como nos teríamos comportado se tivéssemos podido escolher a nossa mãe? Julgo que teríamos escolhido a que temos, enchendo-a de todas as graças. Foi o que Cristo fez, pois sendo Omnipotente, Sapientíssimo e o próprio Amor, seu poder realizou todo o seu querer.

Vede como os cristãos descobriram, há já bastante tempo, este raciocínio: convinha - escreve S. João Damasceno - que Aquela que no parto tinha conservado íntegra a Sua virgindade, conservasse depois da morte o Seu corpo sem corrupção alguma.

Convinha que Aquela que tinha trazido no Seu seio o Criador feito menino, habitasse na morada divina. Convinha que a Esposa de Deus entrasse na casa celestial. Convinha que Aquela que tinha visto o Seu Filho na Cruz, recebendo assim no Seu coração a dor de que tinha sido isenta no parto, O contemplasse sentado à direita do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que corresponde a Seu Filho, e que fosse honrada como Mãe e Escrava de Deus por todas as criaturas.

Os teólogos formularam com frequência um argumento semelhante, tentando compreender de algum modo o significado desse cúmulo de graças de que Maria se encontra revestida, e que culmina com a Assunção aos Céus. Dizem: convinha; Deus podia fazê-lo; e por isso o fez.

É a explicação mais clara das razões que levaram Cristo a conceder a sua Mãe todos os privilégios, desde o primeiro instante da sua Imaculada Conceição. Ficou livre do poder de Satanás; é formosa - tota pulchra! - limpa, pura na alma e no corpo."
(Livro: "Cristo que Passa" - A Virgem Santa, Causa da Nossa Alegria, ponto 171)

Regína in cælum assúmpta, ora pro nobis!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A beleza da Criação de Deus

“No princípio, Deus criou os céus e a terra“. (Génesis 1:1)


Nesta noite, de 5 para 6 de Agosto, poderá assistir-se a um eclipse lunar penumbral.

Não é segredo para ninguém que tudo o que envolve a Astronomiasempre me fascinou, ao ponto de perder noites, principalmente no Verão, com o meu modesto telescópio e binóculos a escrutinar o céu. Eclipses, movimentos das estrelas, meteoros ('chuva de estrelas'), entre outras tantas coisas que se podem observar no céu numa só noite (não, não falo de OVNI's...lol...), são motivos mais que válidos, para mim, para perder umas tantas horinhas de sono!

O fenómeno mais fascinante, para mim, depois de uma Aurora Boreal, é um eclipse solar. Já os eclipses lunares, além de não terem propriamente nada de espectacular, talvez por ocorrerem durante a noite (sempre gostei da noite, do crepúsculo, mais que o amanhecer ou o dia), são mais discretos, mas tremendamente belos.

A beleza de ver a Lua a entrar na sombra projectada pela Terra, escurecendo, ficando azulada e, no máximo do eclipse, com uma cor avermelhada é indescritível!

Esta noite, porém, o eclipse que ocorre é do tipo penumbral, ou seja, apenas uma pequena parte da Lua Cheia fica escurecida com a sombra da Terra. Nada de espectacular, portanto, mas um evento igualmente digno de se ver, para os amantes destas coisas celestes, como eu...

Um eclipse lunar é um fenómeno celeste que ocorre quando a Lua penetra totalmente ou parcialmente o cone de sombra projectado pela Terra, em geral sendo visível a olho nu. Isto ocorre sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, estando a Terra no meio destes outros dois corpos.
Por isso o eclipse lunar só pode ocorrer quando coincidem a fase de Lua cheia e a passagem dela pelo seu nodo orbital. Este último evento também é responsável pelo tipo e duração do eclipse.

Os eclipses lunares podem ser classificados de acordo com a parte da Lua que é obscurecida pela sombra da Terra, e por qual parte da sombra da Terra ela é obscurecida.

A sombra projectada pela Terra possui duas partes denominadas umbra e penumbra. A umbra é uma região em que não há iluminação directa do Sol e a penumbra é uma região em que apenas parte da iluminação é bloqueada.

Os eclipses penumbrais ocorrem quando a Lua entra na região de penumbra, o que na prática resulta numa variação do brilho da Lua que dificilmente é notada. Se a Lua entra inteiramente na região de penumbra ocorre o raro eclipse penumbral total que pode gerar um gradiente de luminosidade visível, estando a Lua mais escura na região que se aproxima mais da umbra.

Quando a Lua entra na região da umbra podem ocorrer os eclipses lunares parcial e total. O eclipse parcial ocorre quando apenas parte da Lua é obscurecida pela sombra da Terra e o total quando toda a face visível da Lua é obscurecida pela umbra. Este obscurecimento total pode durar até 107 minutos e é mais longo quando a Lua está próxima de seu apogeu, ou seja, quando sua distância da Terra é o maior possível.

E pronto, dou por mim a olhar para o céu, a admirar a grandiosidade do Universo, os milhares de milhões de galáxias, cada uma com biliões de estrelas. Numa destas galáxias, chamada de Via Láctea, numa extremidade quase esquecida, existe uma estrela a que chamamos de Sol, com um conjunto de planetas a orbitar em seu redor. E num desses planetas, um grão de poeira no meio deste Universo imenso, habitamos nós, que dificilmente nos apercebemos do quão pequeninos somos no meio desta imensidão...

E enfim, por muito que se saiba, que se perceba de como estes fenómenos ocorrem, por muito que compreendamos as leis pelas quais o Universo se rege, mais certo que um relógio, essa ciência nunca é suficiente para explicar e compreender o fascínio que nos suscita (a mim e outros como eu) a observação do céu.

Mas uma coisa é certa. Quanto mais se sabe acerca de como isto tudo "está feito", de como isto tudo ocorre, mais certezas se tem que tal beleza não pode existir simplesmente por acaso.

O que me leva a admirar o céu ainda mais, pois reflectindo nisto tudo, olha-se para esta imensidão como uma magnífica obra que saiu das 'mãos' de um Autor Magnífico.

É inconcebível e incompreensível, para mim, neste momento, admirar a beleza que tenho à frente dos meus olhos e pensar que foi 'por acaso' que todo este Universo, que me inclui, surgiu.

Sem querer entrar em discussões sobre teorias criacionistas/evolucionistas, resta-me dizer que olho para o céu, neste momento, e admiro-o simplesmente como uma magnífica obra de Deus.

Salmo 65 (66)

Aclamai a Deus, terra inteira,
Cantai a glória do seu nome,
Celebrai os seus louvores,
Dizei a Deus: «Maravilhosas são as vossas obras.

Ante a grandeza do vosso poder,
Curvam-se os vossos inimigos.
A terra inteira Vos adore e celebre,
Entoe hinos ao vosso Nome».

Vinde contemplar as obras de Deus,
Admirável na sua acção pelos homens:
Mudou o mar em terra firme,
Atravessaram o rio ao pé enxuto.

terça-feira, 28 de julho de 2009

A necessidade que temos da intercessão de Nossa Senhora para nos salvarmos

“Gens et regnum, quod non servierit tibi, peribit” - “A gente e o reino que te não servir, perecerá” (Is. LX, 12).

I. Que a prática de invocar aos Santos, afim de nos alcançarem a divina graça, seja não somente lícita, mas também útil, é um ponto da fé. Entre os Santos, porém, que são amigos de Deus, e a Santíssima Virgem, que é Sua verdadeira Mãe, há esta diferença, que a intercessão de Maria não é só utilíssima, mas também moralmente necessária, de modo que o Bem-Aventurado Alberto Magno e São Boaventura chegam a afirmar que todos os que se descuidam da devoção a Nossa Senhora, não A servem, e consequentemente não são por ela protegidos, morrerão todos em pecado mortal e se condenarão: “A gente que te não servir, perecerá”. É esta, diz Soares, a opinião universal da Igreja. E com razão; porquanto, não sendo nós capazes de conceber um só bom pensamento em ordem à Vida Eterna, a graça divina nos é indispensável para a salvação.

Verdade é que só Jesus Cristo nos mereceu esta graça, por ser Medianeiro de justiça. Mas, para nos inspirar mais confiança de obtermos a graça, e ao mesmo tempo para exaltar Sua Mãe Santíssima, Jesus a depositou nas mãos de Maria, e, constituindo-a Medianeira de Graça, decretou que nenhuma graça fosse dispensada aos homens sem que passasse pelas mãos de Maria. Numa palavra, diz São Bernardo, Deus constituiu Nossa Senhora como que um “aqueduto” dos bens celestes que descem à terra, e determinou que por meio de Maria recebamos o Salvador que por Seu intermédio nos foi dado na Encarnação. Vede, pois, conclui o Santo, vede, ó homens, com que afecto de devoção quer o Senhor que honremos a nossa Rainha, refugiando-nos sempre a Ela e confiando em seu patrocínio!

II. Assim como Holofernes, para conquistar a cidade de Bethulia, ordenou que se cortassem os aquedutos, também o demónio faz quanto pode, afim de que as almas percam a devoção à Mãe de Deus. Pela experiência o espírito maligno sabe que, tapado este canal das graças, depois fácil ou, antes, certamente consegue conquista-las. Quantos cristãos estão agora no Inferno por se terem deixado iludir assim. Nós, portanto, demos graças à divina Mãe, por nos ter tomado debaixo de Seu santíssimo manto, como no-lo garantem as graças recebidas pela sua intercessão. Ao mesmo tempo, porém, examinemos se por ventura estamos resfriados na sua devoção, e renovemos nosso propósito de sermos para o futuro mais constantes.

Sim, eu Vos dou graças, ó minha Mãe amorosíssima, por todos os bens que tendes feito a este desgraçado réu do Inferno. Ó minha Rainha, de quantos perigos me tendes livrado! Quantas luzes e quantas misericórdias me tendes alcançado de Deus! Que grande bem, ou que grande honra recebestes de mim para Vos empenhardes tanto a meu favor? Foi só a Vossa bondade que a isso Vos moveu. Ah! Se eu pudesse dar por Vosso amor o sangue e a vida, ainda seria pouco, à vista da obrigação que Vos devo, pois que me livrastes da morte eterna e me fizestes recuperar, como espero, a graça divina; a Vós sou devedor de toda a minha felicidade.

Senhora minha amabilíssima, eu, miserável, não tenho que Vos dar senão os meus louvores e o meu amor. Ah, não desprezeis o afecto de um pobre pecador, abrasado em amor pela Vossa bondade. Se o meu coração é indigno de Vos amar, por estar imundo e cheio de afectos terrestres, Vós o podeis mudar: mudai-o, pois. Ah, minha Senhora prendei-me a meu Deus, e prendei-me de tal modo que nunca mais possa separar-me de Seu amor. Vós quereis que eu ame o Vosso Deus; e eu quero que me alcanceis este amor; fazei que o ame sempre e nada mais deseje.

Ó MARIA, CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

Santo Afonso (“Meditações para todos os dias do ano”, Tomo III)

Fonte: http://www.saopiov.org/

Os falsos devotos e as falsas devoções à Santíssima Virgem

De Maria nunquam satis
"Sobre Maria jamais se dirá o bastante"

Segundo São Luís Maria Grignion de Monfort, são sete os falsos devotos de Maria Santíssima:

os devotos críticos;
os devotos escrupulosos;
os devotos exteriores;
os devotos presunçosos;
os devotos inconstantes;
os devotos hipócritas;
os devotos interesseiros.

1. OS DEVOTOS CRÍTICOS

Os devotos críticos são, em geral, sábios orgulhosos, espíritos fortes e presumidos, que têm no fundo uma certa devoção à Santíssima Virgem, mas que vivem criticando as práticas de devoção que a gente simples de boa – fé e santamente a esta boa Mãe, pelo facto de estas devoções não agradarem à sua culta fantasia. Põem em dúvida todos milagres e histórias narrados por autores dignos de fé, ou inseridos em crónicas de ordem religiosas, atestando as misericórdias e o poder da Santíssima Virgem. Repugna-lhes ver pessoas simples e humildes ajoelhadas diante de um altar ou de uma imagem da Virgem, às vezes no recanto de uma rua, rezando a Deus; chegam a acusá-las de idolatria, como se estivessem a adorar a pedra ou a madeira.


Dizem que, da sua parte, não apreciam essas devoções exteriores e que seu espírito não é tão fraco que vá dar fé a tantos contos e historietas que se atribuem à Santíssima Virgem. Quando alguém lhes repete os louvores admiráveis que os Santos Padres dão à Santíssima Virgem, respondem que são flores de retórica, ou exagero, que aqueles escritores eram oradores; ou dão, então, uma explicação má daquelas palavras.

Esta espécie de falsos devotos e orgulhosos e mundanos é muito para temer, e eles causam um mal infinito à devoção à Santíssima Virgem, dela afastando eficazmente o povo, sob pretexto de destruir-lhe os abusos.

2. OS DEVOTOS ESCRUPULOSOS

Os Devotos escrupulosos são aqueles que receiam desonrar o Filho, honrando a Mãe, e rebaixá-lo se a exaltarem demais. Não podem suportar que se repitam à Santíssima Virgem aqueles louvores justíssimos que lhe teceram os Santos Padres; não suportam sem desgosto que a multidão ajoelhada aos pés de Maria seja maior que ante o altar do Santíssimo Sacramento, como se fossem antagónicos, e como se os que rezam à Santíssima Virgem não rezassem a Jesus por meio dela. Não querem que se fale tão frequentemente da Santíssima Virgem, nem que se recorra tantas vezes a ela.

Algumas frases eles as repetem a cada momento: "Para que tantos terços, tantas confrarias e devoções exteriores à Santíssima Virgem? Vai nisso muito de ignorância! É fazer da religião uma palhaçada. Falai-me, sim, dos que são devotos de Jesus Cristo (e eles o nomeiam, muitas vezes sem se descobrir, digo-o entre parêntesis): cumpre recorrer a Jesus Cristo, pois é ele o nosso único medianeiro; é preciso pregar Jesus Cristo, isto sim que é sólido!"

Em certo sentido é verdade o que eles dizem. Mas, pela aplicação que lhe dão, é bem perigoso e constitui uma cilada subtil do maligno, sob o pretexto de um bem muito maior, pois nunca se há de honrar mais a Jesus Cristo, do que honrando a Santíssima Virgem, desde que a honra que se presta a Maria não tem outro fim que honrar mais perfeitamente a Jesus Cristo, e que só se vai a ela como ao caminho para atingir o termo que Jesus Cristo.

A Santa Igreja, como o Espírito Santo, bendiz primeiro a Santíssima Virgem e depois Jesus Cristo: “benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui Iesus”. Não porque a Santíssima Virgem seja mais ou igual a Jesus Cristo: seria uma heresia intolerável, mas porque, para mais perfeitamente bendizer Jesus Cristo, cumpre bendizer antes a Maria. Digamos, portanto, com todos os verdadeiros devotos de Maria, contra os seus falsos e escrupulosos devotos: Ó Maria, bendita sois vós entre todas as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus!

3. OS DEVOTOS EXTERIORES

Devotos exteriores são as pessoas que fazem consistir toda a devoção à Santíssima Virgem em práticas exteriores; que só tomam interesse pela exterioridade da devoção à Santíssima Virgem, por não terem espírito interior; recitarão às pressas uma enfiada de terços, ouvirão, sem atenção, uma infinidade de missas, acompanharão as procissões sem devoção, farão parte de todas as confrarias sem emendar de vida, sem violentar as suas paixões, sem imitar as virtudes desta Virgem Santíssima. Amam apenas o que há de sensível na devoção, sem interesse pela parte sólida.


Se as suas práticas não lhes afectam a sensibilidade, acham que não há nada mais a fazer, ficam desorientados, ou fazem tudo desordenadamente. O mundo está cheio dessa espécie de devotos exteriores e não há gente que mais critique as pessoas de oração que se dedicam à devoção interior sem desprezar o exterior de modéstia, que acompanha sempre a verdadeira devoção.

4. OS DEVOTOS PRESUNÇOSOS

Os devotos presunçosos são pecadores abandonados às suas paixões, ou amantes do mundo, que debaixo do belo nome de cristãos e devotos da Santíssima Virgem, escondem ou o orgulho, ou a avareza, ou a impureza, ou a blasfémia, ou a maledicência, ou a injustiça, etc.; que dormem placidamente em seus maus hábitos, sem se esforçarem muito para se corrigir, alegando que são devotos da Virgem; que prometem a si mesmos que Deus lhes perdoará, que não serão condenados porque recitam o terço, jejuam aos sábados, pertencem à confraria do santo Rosário ou do Escapulário, ou a alguma congregação; porque trazem consigo o pequeno hábito ou a cadeiazinha da Santíssima Virgem, etc.

Quando alguém lhes diz que sua devoção não é mais que ilusão e uma presunção perniciosa capaz de perdê-los, recusam-se a crer; dizem que Deus é bom e misericordioso e que não nos criou para nos condenar; que não há homem que não peque; que eles não hão de morrer sem confissão; que um bom peccavi à hora da morte basta; de mais a mais que eles são devotos da santíssima Virgem, cujo escapulário usam; e em cuja honra dizem, todos os dias, irrepreensivelmente e sem vaidade (isto é, com fidelidade e humildade) sete Pai-Nosso e sete Ave-Maria; que recitam mesmo, uma vez ou outra, o terço e o ofício da santíssima Virgem; que jejuam, etc.


Para confirmar o que dizem e mais aumentar a própria cegueira, relembram umas histórias que leram ou ouviram, verdadeiras ou falsas não importa, em que se afirma que pessoas mortas em pecado mortal, sem confissão, só pelo fato de que em vida tinham feito algumas orações ou práticas de devoção à Santíssima Virgem, ressuscitaram para se confessar, ou que a sua alma permaneceu milagrosamente no corpo até se confessarem, ou ainda, que pela misericórdia da Santíssima Virgem, obtiveram de Deus, na hora da morte, a contrição e perdão de seus pecados, e se salvaram. Eles esperam, portanto, a mesma coisa.

Não há, no Cristianismo, coisa tão condenável como essa presunção diabólica; pois será possível dizer verdadeiramente que se ama e honra a Santíssima Virgem, quando, pelos pecados, se fere, se trespassa, se crucifica e ultraja impiedosamente a Jesus Cristo, seu Filho? Se Maria considerasse uma lei salvar essa espécie de gente, ela autorizaria um crime, ajudaria a crucificar e injuriar seu próprio Filho. Quem o ousaria pensar?

Digo que abusar assim da devoção a Santíssima Virgem, a mais santa e a mais sólida depois da devoção a Nosso Senhor e ao Santíssimo Sacramento, é cometer um horrível sacrilégio, o maior e o menos perdoável, depois do sacrilégio duma comunhão indigna.

Confesso que, para ser alguém verdadeiramente devoto da Santíssima Virgem, não é absolutamente necessário ser santo ao ponto de evitar todo pecado, conquanto seja este o ideal; mas é preciso ao menos ( note-se bem o que vou dizer):

- Em primeiro lugar, estar com a resolução sincera de evitar ao menos todo pecado mortal, que ofende tanto a Mãe como o Filho.
- Segundo, fazer violência a si mesmo para evitar o pecado.
- Terceiro, filiar-se a confrarias, rezar o terço, o santo rosário ou outras orações, jejuar, etc.

Isto é maravilhosamente útil à conversão de um pecador, mesmo empedernido; e se o meu leitor estiver nestas condições, como que tenha já um pé no abismo, eu lho aconselho, contanto, porém, que só pratique estas boas obras na intenção de, pela intercessão da Santíssima Virgem, obter de Deus a graça da contrição e do perdão dos pecados, e de vencer os seus maus hábitos, e não para continuar calmamente no estado de pecado, a despeito dos remorsos de consciência, do exemplo de Jesus Cristo e dos santos, e das máximas do Santo Evangelho.

5. OS DEVOTOS INCONSTANTES

Devotos inconstantes são aqueles que são devotos da Santíssima Virgem periodicamente, por intervalos e por capricho: hoje são fervorosos, amanhã, tíbios; agora mostram-se prontos a tudo empreender em serviço de Maria e logo após já não parecem os mesmos. Abraçam logo todas as devoções à Santíssima Virgem, ingressam em todas as suas confrarias, e em pouco tempo já nem observam as regras com fidelidade; mudam como a lua, e Maria os esmaga sob seus pés como faz ao crescente, pois eles são volúveis e indignos de ser contados entre os servidores desta Virgem fiel, que têm a fidelidade e a constância por herança. Vale mais não sobrecarregar de tantas orações e práticas de devoção, e fazer poucas com amor e fidelidade, a despeito do mundo, do demónio e da carne.

6. OS DEVOTOS HIPÓCRITAS

Há também falsos devotos da Santíssima Virgem, os devotos hipócritas, que cobrem seus pecados e maus hábitos com o manto desta Virgem fiel, a fim de passarem aos olhos do mundo por aquilo que não são.

7. OS DEVOTOS INTERESSEIROS

Há ainda os devotos interesseiros, que só recorrem à Santíssima Virgem para ganhar algu processo, para evitar algum perigo, para se curar de alguma doença, ou em qualquer necessidade desse género, sem o que a esqueceriam; uns e outros são falsos devotos que não têm aceitação diante de Deus e de sua Mãe Santíssima.

Cuidemos, portanto, de não pertencer ao número dos devotos críticos que em coisa alguma crêem e de tudo criticam; dos devotos escrupulosos que receiam ser demasiadamente devotos a Jesus Cristo; dos devotos exteriores que fazem consistir toda a sua devoção em práticas exteriores; dos devotos presunçosos, que, sob o pretexto de sua falsa devoção continuam marasmados em seus pecados; dos devotos inconstantes que, por leviandade, variam suas práticas de devoção, ou as abandonam completamente à menor tentação; dos devotos hipócritas que se metem em confrarias e ostentam as insígnias da Santíssima Virgem a fim de passar por bons; e enfim, dos devotos interesseiros, que só recorrem à Santíssima Virgem para se livrarem dos males do corpo ou obter bens temporais.

(São Luís Maria Grignion de Monfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem)
Fonte: http://portalcot.com/reporter/os-falsos-devotos-e-as-falsas-devocoes-a-santissima-virgem/

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Contra a Gripe A...

... Comunhão na mão?


AS ORIENTAÇÕES DA PASTORAL DA SAÚDE SOBRE A GRIPE A

Estamos perante a ameaça de uma "pandemia" através de uma doença que se transmite com muita facilidade e já é de todos nós conhecida. É a GRIPE A ou GRIPE H1N1.

A missão da Igreja, através da Pastoral da Saúde, está em assistir os doentes, mas também em prevenir as doenças, através da educação para a saúde.

O papel do sacerdote e de todos os outros agentes pastorais consiste também em colaborar com a sociedade na prevenção das doenças. O sacerdote, sobretudo se presidir a uma comunidade cristã, é um agente social da maior importância (...)

Perante a ameaça da GRIPE A, o que fazer?

1. Aconselhar todos os cristãos da sua comunidade a seguirem as orientações dadas pelo Ministério da Saúde na prevenção desta doença, tais como:

- Lavar as mãos com água e sabão com muita frequência.

- Se tossir ou espirrar, cobrir a boca e o nariz com um lenço de papel e jogá-lo fora de imediato.

- Se ficar doente, permanecer em casa.

- Evitar o contacto com pessoas com gripe.

2. Nas celebrações litúrgicas, recomenda-se:

- Aos Ministros da Comunhão, Sacerdotes e Ministros Extraordinários, que purifiquem as mãos com solução anti-séptica, antes da distribuição da comunhão.

- Aos fiéis, sempre que possível, recebam a Comunhão na mão e não na boca, aliás segundo prática secular na Igreja.

- A todos, que reduzam o abraço da paz a um pequeno sinal ou inclinação da cabeça sem o contacto físico.

3. Nos templos pede-se também para:

- Manter vazias as "pias de água benta" às portas da igreja, para não as tornar um foco de transmissão do vírus.

- Ter a Igreja suficientemente arejada, sobretudo em atenção ao número de fiéis nas celebrações dominicais.

Deve evitar-se todo o alarmismo, mas é da maior necessidade que a Igreja colabore nos programas de prevenção da Gripe A.

NOTA: Estas orientações não são normas litúrgicas, são sugestões suficientemente claras para prevenir desde já a expansão da pandemia. É um conselho útil e provisório para o tempo de difusão da Gripe A.

*

Em comunicado, o Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo refere que compreende que "a Comissão Nacional da Pastoral da Saúde queira colaborar, dando conselhos e orientações úteis para a colaboração dos cristãos no esforço nacional de prevenção. Mas não lhe compete alterar ritos nem dar normas de alterações das regras da Liturgia. (...) [3] No momento actual do processo, considero não haver ainda necessidade de alterar regras litúrgicas e modos de celebrar. A Liturgia se for celebrada com qualidade e rigor, garante, ela própria, os cuidados necessários. É o caso, por exemplo, da saudação da paz que se for feita com a qualidade litúrgica, não constitui, normalmente, um risco acrescido.

[4] Na actual disciplina litúrgica, os fiéis podem optar por receber a sagrada comunhão na mão. Mas não podem ser forçados a fazê-lo. Se houver cuidado do ministro que distribui a comunhão e de quem a recebe, mais uma vez fazendo as coisas com dignidade, a comunhão pode ser distribuída na boca sem haver contacto físico."

Muito bem falou, a meu ver, o Cardeal Dom José. Primeiro porque, na verdade, não compete nem à Comissão para a Pastoral da Saúde, nem a nenhum sacerdote, nem ao próprio Cardeal alterar os ritos nem as regras de Liturgia. Quando alguém se lembra de tal proeza, podemos assistir (infelizmente com demasiada frequência) aos tremendos e medonhos abusos litúrgicos.

Muita razão tem o mesmo Cardeal quando diz que a Liturgia, se celebrada com qualidade e rigor, garante ela própria segurança neste aspecto.

(Estas são as minhas opiniões, obviamente...)

Em relação às orientações da Pastoral para a Saúde, o primeiro ponto são medidas universais que devem ser tomadas por todos. Sem discussão, como é óbvio.

Quanto ao ponto dois, directamente relacionado com as celebrações litúrgicas, são, a meu ver, sugeridas medidas que, como diz o Sr. Cardeal, seriam desnecessárias, se a Liturgia for celebrada com o rigor que deveria.

- A lavagem das mãos com solução anti-séptica antes da Comunhão é uma boa medida;

- Quanto à sugestão estapafúrdia de distribuir a Sagrada Comunhão na mão... Não percebo!!

Primeiro, por questões óbvias, esta prática é sacrílega, já que nada de impuro e sujo (como são as nossas mãos) devia tocar no Corpo Santíssimo do próprio Deus - excepto as do sacerdote, que age na pessoa de Cristo.

Em relação à transmissão do vírus...

... o sacerdote, ao dar a comunhão na boca, vai depositar a Sagrada Hóstia na língua e não tem de tocar nos lábios nem na língua de quem vai receber a Comunhão. Já ao distribuir a Comunhão na mão, o Sacerdote quase que necessariamente toca na mão de quem comunga, a não ser que "atire pelo ar" ou deixe cair o Corpo Sagrado de Cristo na mão. Sabemos que as mãos são um dos principais veículos de transmissão de vírus. Daí se pedir às pessoas com gripe para limparem as maçanetas das portas, não se cumprimentarem apertando a mão, nem se recomenda o beijo (mais por causa da transmissão pela via aérea do que propriamente com o contacto físico directo). O vírus é mais facilmente propagado pela tosse e/ou espirro, mas previne-se em grande parte o contágio com a lavagem correcta das mãos.

Agora vejamos o que, normalmente, se faz com as mãos, só desde que chegamos à Igreja:

- Eventual abrir de porta;
- Ajoelhar e muitas vezes apoiar as mãos no banco para ajudar a erguer;
-Utilizar panfletos, livros de cãnticos, etc, já utilizados por outras tantas mãos;
- Mexer em dinheiro para o momento do Ofertório;
- Saudar as pessoas ao lado com apertos de mãos;
-...

E depois de tudo isto, vamos tocar n'Aquilo que de mais Sagrado existe na Terra? No Corpo do próprio Deus? Já para não falar na quantidade de microorganismos que ficaram nas nossas mãos durante estes gestos e que podem passar facilmente das mãos do comungante para as mãos do sacerdote... E o sacerdote tem muito mais probabilidades de tocar com a mão dele na mão de quem comunga do que nos lábios ou língua dessa pessoa...

Estou em alerta para a Gripe A. Mas não vai ser por causa disso que vou cometer o nauseante e sacrílego acto de receber Nosso Senhor nas minhas mãos imundas. Nunca o fiz, nunca o farei. As minhas mãos podem estar desinfectadas, esterilizadas, etc...mas não são consagradas, como as do sacerdote, logo não poderão nunca tocar no Corpo Santíssimo do Senhor. E se for obrigatória, um dia, a comunhão na mão, eu recuso-me a comungar. Faço uma Comunhão espiritual. Em consciência, prefiro não receber Jesus Sacramentado a tocar com as minhas mãos no Santíssimo Corpo de Deus.

Muito maltratado já é o Corpo Santíssimo de Jesus, que é distribuído em muitas Missas como se de pão se tratasse. E eu, seja pela gripe, seja pelo que for, não vou contribuir para o aumento desse sacrilégio.

domingo, 26 de julho de 2009

O Santo Rosário de Nossa Senhora

Regina Sacratissimi Rosarii, ora pro nobis!


O Rosário é uma oração cuja origem se perde nos tempos. A tradição diz que foi revelado a S. Domingos de Gusmão (1170-1221), numa aparição de Nossa Senhora, quando ele se preparava para enfrentar a heresia albigense.

Os franciscanos e dominicanos estavam a introduzir um novo tipo de ordem religiosa no século XII, em alternativa aos antigos monges, sobretudo Beneditinos e Agostinhos. Estes, nos seus mosteiros, rezavam todos os dias os 150 salmos do Saltério. Mas os mendicantes não o podiam fazer, não só por causa da sua pobreza e estilo de vida, mas também porque em grande parte eram analfabetos. Assim nasceu, nos dominicanos, o Rosário, o “saltério de Nossa Senhora”, o “Breviário dos simples", a "Bíblia dos pobres”, com 150 Ave-Marias.

Já desde o século IV se usava a saudação do arcanjo S. Gabriel (Lc 1, 28) como forma de oração, mas só no século VII ela aparece na liturgia da festa da Anunciação como antífona do Ofertório.

"Ave Maria, Cheia de graça. O Senhor é conVosco! Bendita sois Vós entre as mulheres"

No século XII, precisamente com o Rosário, juntam-se as duas saudações a Maria, a de S. Gabriel e a de S. Isabel (Lc 1, 42), tornando-se uma forma habitual de rezar.

"Bendito é o fruto do Vosso ventre!"

Em 1262 o Papa Urbano IV (papa de 1261-1264) acrescenta-lhes a palavra “Jesus” no fim, criando assim a primeira parte da nossa Ave Maria. Só no século XV se acrescenta a segunda parte de súplica, tirada de uma antífona medieval. Esta fórmula, que é a actual, torna-se oficial com o Papa Pio V (1566-1572).

"Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Ámen."

Grande reformador no espírito do Concílio de Trento (1545-1563), S. Pio V é o responsável pela publicação do Catecismo, Missal e Breviário Romanos surgidos do Concílio, que renovam toda a vida a Igreja. Foi precisamente no Breviário Romano, em 1568, que a oração "Ave-Maria" aparece pela primeira vez na oração oficial da Igreja.

O contributo de S. Pio V, um antigo dominicano, para a história do Rosário não se fica por aqui. O grande reformador criou também o último grande momento da antiga Cristandade, a unidade dos reinos cristãos à volta do Papa. Os turcos otomanos, depois do cerco e queda de Constantinopla em 1453, o fim oficial da Idade Média, e das conquistas de Suleiman, o Magnífico (1494-1566, sultão desde 1520), estavam às portas da Europa. Dividida nas terríveis guerras entre católicos e protestantes, a velha Europa não estava em condições de resistir. O perigo era enorme. Além de apelar às nações católicas para defender a Cristandade, o Papa estabeleceu que o Santo Rosário fosse rezado por todos os cristãos, pedindo a ajuda da Mãe de Deus, nessa hora decisiva. Em resposta, houve um intenso movimento de oração por toda a Europa.

Finalmente, a 7 de Outubro de 1571 a frota ocidental, comandada por D. João de Áustria (1545-1578), teve uma retumbante vitória na batalha naval de Lepanto, ao largo da Grécia. Conta-se que nesse mesmo dia, a meio de uma reunião com os cardeais, o Papa levantou-se, abriu a janela e disse “Interrompamos o nosso trabalho; a nossa grande tarefa neste momento é a de agradecer a Deus pela vitória que ele acabou de dar ao exército cristão”. A ameaça fora vencida. Este foi o último grande feito da Cristandade. Mas o Papa sabia bem quem tinha ganho a batalha. Para louvar a Virgem Vitoriosa, ele instituiu a festa litúrgica de acção de graças a Nossa Senhora das Vitórias no primeiro domingo de Outubro.

Hoje ainda se celebra essa festa, com o nome de Nossa Senhora do Rosário, no memorável dia de 7 de Outubro.

A partir de então, o Rosário aparece em múltiplos momentos da vida da Igreja:

- No fresco do Juízo Final, pintado por Miguel Ângelo (1475-1564) na Capela Sistina do Vaticano de 1536 a 1541, estão representadas duas almas a serem puxada para o céu por um Terço. São as almas de um africano e de um asiático, mostrando a universalidade missionária da oração.

- A 12 de Outubro de 1717, foi retirada do rio Paraíba uma imagem de Nossa Senhora com um Terço ao pescoço por três humildes pescadores, Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, em Guaratinguetá, São Paulo. Essa estátua, de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, foi declarada em 1929 Rainha e Padroeira do Brasil.

- A Imaculada Conceição rezou partes do Terço com Santa Bernadete Soubirous (1844-1879) nas aparições de Lourdes em 1858.

- O Papa Leão XIII “Papa do Rosário”, como lhe chama a recente Carta Apostólica do Papa (n.º 8) dedicou mais de 20 documentos só ao estudo desta oração, incluindo 11 encíclicas.

Também o Beato Bártolo Longo (1841-1926) é um os grandes divulgadores do Rosário, como o refere a recente Carta Apostólica (n.º 8, 15, 16, 36, 43). Antigo ateu, espírita e sacerdote satânico, depois da sua conversão viu na intercessão de Nossa Senhora a sua única hipótese de salvação. Sendo advogado, em 1872 deslocou-se à região de Pompéia por motivos profissionais e ficou chocado com a pobreza, ignorância, superstição e imoralidade dos habitantes dos pântanos. Entregou-se a eles para o resto da vida. Arranjou um quadro da Senhora do Rosário, que fez vários milagres e criou em 1873 a festa anual do Rosário, com música, corridas, fogo de artifício. Construiu uma igreja para essa imagem, que se veio a tornar no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. Fundou uma congregação de freiras dominicanas para educar os órfãos da cidade, escreveu livros sobre o Rosário e divulgou a devoção dos «Quinze Sábados» de meditação dos mistérios.

- Outro grande momento da divulgação do Terço é, sem dúvida, Fátima.

“Rezem o Terço todos os dias”, foi a única coisa que a Senhora referiu em todas as suas seis aparições. A frase repete-se sucessivamente, quase como uma ladainha, manifestando bem a sua urgência e importância. Na carta do Dr. Carlos de Azevedo Mendes, num dos primeiros documentos escritos sobre Fátima, afirma-se “Como te disse examinei, ou antes, interroguei os três em separado. Todos dizem o mesmo sem a mais pequena alteração. A base principal que de tudo, o que me dizem, deduzi é «que a aparição quer que se espalhe a devoção do Terço»” .

Fonte: : http://www.catequisar.com.br/texto/materia/especial/rosario/08.htm

O Terço possui três Mistérios (Gozosos, Dolorosos e Gloriosos)

MISTÉRIOS GOZOSOS (Segundas, Quintas-feiras e Sábados)

1. A Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e a Encarnação do Filho de Deus.

2. A Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel.

3. O nascimento de Jesus em Belém.

4. A Apresentação do Senhor Jesus no templo e a purificação de Nossa Senhora.

5. A Perda do Menino Jesus e o encontro no templo.


MISTÉRIOS DOLOROSOS (Terças e sextas-feiras)

1. A agonia de Jesus nos Jardim das Oliveiras.

2. A Flagelação do Senhor preso à coluna.

3. A Coroação de espinhos de Jesus.

4. O Caminho do Calvário carregando a Cruz.

5. A Crucificação e Morte de Nosso Senhor.


MISTÉRIOS GLORIOSOS (Quartas-feiras e Domingos)

1. A Ressurreição do Senhor.

2. A Ascensão de Jesus ao Céu.

3. A descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos reunidos no Cenáculo.

4. A Assunção de Nossa Senhora aos Céus.

5. A Coroação da Santíssima Virgem como Rainha dos homens e dos Anjos.


Recentemente, o Papa João Paulo II introduziu os Mistérios Luminosos do Rosário (que, pessoalmente, não costumo rezar). Assim, às Quintas-feiras, meditam-se nestes mistérios:

1. O Baptismo de Jesus no Rio Jordão.

2. A auto-revelação nas bodas de Caná.

3. O anúncio do Reino de Deus e o convite à conversão.

4. A Transfiguração de Nosso Senhor.

5. A Instituição da Eucaristia.


Enfim, como não recorrermos a um tão poderoso meio de salvação eterna e vencedor de batalhas contra os inimigos físicos e espirituais...?

Como diz alguém.... "Eucaristia e Rosário, sempre!" (Ana Maria Nunes, do blog "Sucessão A Apostólica")

Afinal, e segundo Dom Bosco, é a estas colunas que a Igreja tem de estar acorrentada: à devoção a Maria Santíssima e ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento da Eucaristia.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Imaculado Coração de Maria Santíssima

“O Meu coração exulta no Senhor, meu Salvador”.



No próximo Sábado, dia 20 de Junho, a Igreja celebra a Festa do Coração Imaculado da Virgem Santa Maria.

Quantas vezes Jesus, recostado no colo de Sua mãe, adormeceu com pulsar do Coração Imaculado e amoroso de Maria Santíssima! São Lucas lembra-nos que era no Seu Coração que Maria que todas as coisas estavam guardadas. As lembranças do "Sim, faça-se!", do nascimento, da infância, da juventude e da missão do Filho de Deus.

A partir das aparições de Nossa Senhora em Fátima, a devoção tomou grande impulso. No dia 13 de Junho de 1917, na Cova da Iria, Maria apresenta o Coração cercado de espinhos pedindo reparação.

Diz-nos a nossa Mãe do Céu:

“Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração".

E em 13 de Julho:

"Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração."

A pequena Pastorinha de Fátima, a Beata Jacinta, viveu apaixonada pelo ideal de converter os pecadores, a fim de os livrar do fogo do Inferno. Pensativa, começava a dizer frequentemente:

"O inferno! O inferno! Que pena tenho das almas que vão para o inferno! E as pessoas lá, vivas, como lenha no fogo!"

Ao despedir-se de Lúcia, antes de ir para o hospital, faz-lhe estas recomendações:

"Falta pouco para eu ir para o Céu. Tu ficas cá para dizeres que Deus quer estabelecer no mundo a devoção do Imaculado Coração de Maria. Quando fores dizer isso, não te escondas. Diz a toda gente, que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria. Que as peçam a Ela, que o Coração de Jesus quer que a seu lado se venere o Coração Imaculado de Maria. Que peçam a Paz ao Imaculado Coração de Maria, que Deus a entregou a Ela!"



Doce Coração de Maria, sede a nossa salvação!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Palavras (por vezes) difíceis de dizer...

Uma pessoa é como é... Cada um é único no mundo...

Pessoalmente, considero-me uma pessoa extrovertida, sociável, que se adapta bem e "agarra-se" aos sítios e pessoas que conhece. Isto pode ser muito bom e muito mau ao mesmo tempo...

Quando saí do norte para ir estudar para Coimbra, custou-me um pouco ver-me naquele ambiente estranho, com pessoas estranhas, com as Praxes e os "Doutores" a lixarem-me a cabeça. Umas semanas depois, já conhecia inúmeras pessoas naquela linda Cidade. Ia a casa de fim-de-semana cada vez menos frequentemente. Até que no 3º ano, era eu membro da Comissão de Praxe. Grandiosos momentos passados na Cidade dos Amores... Para nunca mais esquecer na vida! Com o final do Curso, ainda em Maio, já nos sentíamos nostálgicos por deixar Coimbra.

Com o fim do Curso, felizmente, tive a oportunidade de vir trabalhar para esta região do litoral Centro-Sul do nosso país. Foram duas semanas de tormentos, em que me sentia completamente deslocado aqui, mesmo com pessoas conhecidas que vieram ao mesmo tempo que eu. Não adiantava ir à praia (e tenho tantas aqui à volta!...), sair à noite, etc... Queria Coimbra! Queria tudo o que deixei de ter: as pessoas, os antigos colegas, queria até voltar para casa dos pais... Tudo menos estar aqui...

Nunca gostei muito de mudanças, confesso... Se as coisas estão bem, para quê mudar?

Com o tempo, fui conhecendo pessoas por cá, colegas que se tornaram amigos... Até que um grupo de amigos, com pessoas muito especiais, se formou...

A saber:

O Miguel,
A Diana
A Ana,
A Sónia,
...

Porque, lá por eu não gostar, as mudanças fazem parte da vida... E sei que um dia, iremos mudar... Pelo menos de sítio de trabalho... De nós todos, apenas o Miguel é daqui... Nós estamos cá "emprestados"... No entanto, alguns de nós já sentimo-nos cm se fôssemos de cá... No meu caso, é quase um ano a viver nesta terrinha, entre Torres Vedras e Mafra, à beira-mar construída, onde nada se passa, onde nada está à mão, perdida no meio das colinas que vão esbarrar no mar... Mas onde estão eles... Só isso dá uma beleza encantadora a esta terra!

No entanto, antes de pensar no futuro, quero concentrar-me no presente. Porque, hoje, é o presente que me importa. O passado já foi; o futuro, sabemos nós se virá...!

O presente é aqui e é agora. É a esse que me quero agarrar...

Com feitios completamente diferentes, cada um com pior feitio que outro, lá nos temos aturado e conseguido fazer desta terra um sítio agradável para morarmos, que chega a deixar saudades quando nos afastamos...

Tantos momentos excelentes...

...de diversão...

Desde as idas à praia, após os dias (e as noites!) de trabalho;
A escalada nas rochas na praia e a apanha ao polvo e aos peixinhos;
As noites passadas a beira-mar com umas garrafinhas de Licor Beirão e umas minis;
Os jantares improvisados à última da hora;
Os torneios de Sueca, ao serão;
As noitadas que acabam de manhã a dormir numa praia perto de nós...

...de partilha de problemas...

Desde os "stresses" com a família de alguém:
O cansaço e os problemas do trabalho;
A confusão que vai na cabeça de um amigo, de uma amiga ou na minha;
Os desabafos sobre o que nos preocupa, no presente e no futuro...

...de companheirismo...

O ir ajudar alguém à Unidade, quando a coisa se complica, numa folga, apenas por solidariedade;
As viagens até Lisboa, para fazer companhia a quem não quer fazer a viagem sozinho;
O estar morto de cansaço e ir beber um copo, porque se sabe que há esse alguém que precise, mesmo quando ele não dá a perceber;
O ir a Mac Donald's à 1h da manhã porque há um amigo que anda a suspirar por um Big Mac há 2 meses;

...das chatices...

Porque há os (as) se "cortam" e nos deixam pendurados quando é para sair;
O silêncio quando é para combinar algo e afinal, nada se combina;
Os amuos e os "descarregamentos" (quase sempre sem razão) por causa de mal-entendidos que acabam por ser resolvidos;

Enfim, um sem número de coisas...que fazem parte e que acabam por serem saudáveis para o crescimento do espírito de grupo :)

Talvez por não ter irmãos, por ter de aprender desde muito cedo a brincar, a passar tempo ou a desenrascar-me sozinho, nunca fui muito de dizer certas coisas que sinto aos outros... Quando o disse, ainda em Coimbra, foi a desilusão... Talvez porque as pessoas que escolhi para desabafar foram, na verdade, companheiros de copos e de divertimento... Nunca o resto...

Sempre, e depois ainda mais, me foi difícil dizer:

"Adoro-te, amigo!"

"Gosto muito de ti!"

"Fazes-me bem!"

"Gosto de estar contigo!"

"Não me deixes, não me quero separar de ti"

"É por pessoas como tu que dá gosto continuar aqui..."

etc...

São frases que sempre me foram difíceis de dizer. Talvez por medo da reacção dos outros... Talvez com um pé atrás para não passar por "lamechas"... Talvez porque não quero mesmo demonstrar na verdade o que sinto, por mecanismo de defesa...

Não sei...

Só sei que, a estes, não me importo de ser chato e de o repetir muitas vezes, tantas quantas eu quiser...

Simplesmente porque merecem, por serem quem são e como são...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, salvai-nos e salvai Portugal!


A treze de Maio
Na Cova da Iria,
Apareceu brilhando
A Virgem Maria.


Avé, Avé, Avé Maria!
Avé, Avé, Avé Maria!

A Virgem Maria
Cercada de luz,
Nossa Mãe bendita
E Mãe de Jesus.

Foi aos pastorinhos,
Que a Virgem falou,
Desde então nas almas,
Nova luz brilhou.

Com doces palavras,
Mandou-nos rezar,
A Virgem Maria,
Para nos salvar.

Mas jamais esqueçam,
Nossos corações,
Que nos fez a Virgem,
Determinações.

Falou contra o luxo,
Contra o impudor,
De modestas modas,
De uso pecador.

Disse que a pureza,
Agrada a Jesus,
Disse que a luxúria,
Ao fogo conduz.

A treze de Outubro,
Foi o seu adeus,
E a Virgem Maria,
Voltou para os céus.

À Pátria que é vossa,
Senhora dos Céus,
Dai honra, alegria
E a graça de Deus.

À Virgem bendita,
Cante seu louvor,
Toda a nossa terra,
Um hino de amor.

Todo o mundo A louve,
Para se salvar,
Desde o vale ao monte,
Desde o monte ao mar.

Ah! Demos-Lhe graças,
Por nos dar seu bem,
À Virgem Maria,
Nossa querida Mãe!

E para pagarmos,
Tal graça e favor,
Tenham nossas almas,
Só bondade e amor.

Avé, Virgem Santa,
Estrela que nos guia,
Avé, Mãe da Pátria.
Oh! Virgem Maria!

Oração:
Nossa Senhora de Fátima, que viestes chamar-nos a todos à conversão, à oração e à penitência, ajudai-nos a fazer de Cristo, vosso adorável filho, o centro da nossa vida e a medida de todas as coisas. Rainha santa do Universo, intercedei por todos os vossos filhos que peregrinam sobre a Terra.

Oração retirada do blog TRADIÇÃO CATÓLICA (www.emdefesadelefebvre.blogspot.com)

Francisco e Jacinta, rogai por nós!

Nossa Senhora de Fátima, salvai o mundo que em Vós confia!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Salve, Rainha!

Senhora, um dia descestes,
À terra que em Vós confia,
Descestes à Serra d'Aire,
Em plena Cova da Iria.

Salve Regina!
Salve Regina!
Ora pro nobis, Maria!

Nas mãos trazíeis o Terço,
Que pende da Vossa Imagem!
Na fronte uma estrela de ouro,
Nos lábios doce mensagem!

Falando a três Pastorinhos
De cima de uma azinheira,
Pregastes a penitência
Aos povos da terra inteira.

Pedistes que nos uníssemos
Em oração e concórdia
Com pena dos pecadores,
Ó Mãe de misericórdia!

Olhai, ó Virgem do Céu,
O mundo que pede luz.
Bendita sejais, Senhora!
Bendito seja Jesus!

Bendizemos o Teu nome, Maria Santíssima!

Bendizemos o Teu nome,
Mãe do Céu, Virgem Maria!
Bendizemos à porfia
Do Teu Filho salvador.

Aqui vimos, Mãe querida,
Consagrar-te o nosso amor!

Esmagaste, ó Virgem Santa,
Toda bela, Imaculada,
A cabeça envenenada
Do dragão enganador.

Todo o mundo, ó Mãe bendita,
Cheio está de Tuas glórias!
De perpétuas memórias
De Teu nome e Teu louvor.

Advogada poderosa,
O universo em Ti confia!
Porque és Tu refúgio e guia,
Para o justo e o pecador.

És conforto dos aflitos,
És das graças dispenseira.
És da paz a mensageira,
Nossa esperança e nosso amor!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Com os peregrinos de Fátima, cantemos à Virgem Santíssima!

Caminhos de bênção,
Andados por bem,
Exortam as almas
a ir mais além.



Cantemos à Virgem,
Que os passos nos guia:
Salve, Rainha!
Salve, Rainha!
Avé Maria!

Os sinos da torre,
Dão horas de luz.
Do Alto nos fala
A Mãe de Jesus.

Peregrinos se juntam
Aos pés da azinheira
Se Fátima é fogo
Jesus é a fogueira.

*

Por Cristo, em Cristo,
Que o mundo abraça,
Salvai o mundo,
Que em Vós confia!

Avé Maria, cheia de Graça!
Avé Maria! Avé Maria!

Senhora, nós Vos louvamos!


Senhora, nós Vos louvamos,
Em dor e amor, noite e dia.
Senhora, nós Vos louvamos!

Hossana, Hossana, Rainha de Portugal!
Hossana, Hossana, Virgem Maria.

Senhora, nós Vos rezamos,
Quem Vos reza em Vós confia.
Senhora, nós Vos rezamos!

Senhora, nós Vos cantamos,
Causa da nossa alegria.
Senhora, nós Vos cantamos!

Senhora, nós Vos aclamamos,
No Altar da Cova da Iria.
Senhora, nós Vos aclamamos!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Maio, mês de Maria

Sancta Maria, ora pro nobis!



Salve, ó Senhora Santa, Rainha Santíssima,Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja, eleita pelo Santíssimo Pai celestial, que vós consagrou por seu Santíssimo e dilecto Filho e o Espírito Santo Paráclito.
Em vós residiu e reside toda plenitude da graça e todo o bem.
Salve, ó palácio do Senhor!
Salve, ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó mãe do Senhor!
E salve vós todas, ó santas virtudes derramadas, pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis em fiéis servos de Deus!
Amen.


"O mês de Maio anima-nos a pensar e falar de modo especial sobre Ela. Com efeito, este é o Seu mês. Assim, portanto, o período do ano litúrgico e ao mesmo tempo o mês corrente chamam e convidam os nossos corações a abrirem-se de maneira singular para Maria.
(João Paulo II, Audiência geral, 2 de Maio de 1979).

Fala-nos São Josemaria:

Canta diante da Virgem Imaculada, recordando-Lhe: Ave, Maria, Filha de Deus Pai; Ave, Maria, Mãe de Deus Filho; Ave, Maria, Esposa de Deus Espírito Santo... Mais do que tu, só Deus!(Caminho, 496)
De uma maneira espontânea, natural, surge em nós o desejo de conviver com a Mãe de Deus, que é também nossa mãe; de conviver com Ela como se convive com uma pessoa viva, porque sobre Ela não triunfou a morte; está em corpo e alma junto a Deus Pai, junto a seu Filho, junto ao Espírito Santo. Para compreendermos o papel que Maria desempenha na vida cristã, para nos sentirmos atraídos por Ela, para desejar a sua amável companhia com filial afecto, não são precisas grandes especulações, embora o mistério da Maternidade divina tenha uma riqueza de conteúdo sobre a qual nunca reflectiremos bastante.

A fé católica soube reconhecer em Maria um sinal privilegiado do amor de Deus. Deus chama-nos, já agora, seus amigos; a sua graça actua em nós, regenera-nos do pecado, dá-nos forças para que, entre as fraquezas próprias de quem é pó e miséria, possamos reflectir de algum modo o rosto de Cristo. Não somos apenas náufragos que Deus prometeu salvar; essa salvação já actua em nós. A nossa relação com Deus não é a de um cego que anseia pela luz mas que geme entre as angústias da obscuridade; é a de um filho que se sabe amado por seu Pai. Dessa cordialidade, dessa confiança, dessa segurança, nos fala Maria. Por isso o seu nome vai tão direito aos nossos corações. A relação de cada um de nós com a nossa própria mãe pode servir-nos de modelo e de pauta para a nossa intimidade com a Senhora do Doce Nome, Maria.

Temos de amar a Deus com o mesmo coração com que amamos os nossos pais, os nossos irmãos, os outros membros da nossa família, os nossos amigos ou amigas. Não temos outro coração. E com esse mesmo coração havemos de querer a Maria. Como se comporta um filho ou uma filha normal com a sua Mãe? De mil maneiras, mas sempre com carinho e confiança. Com um carinho que se manifestará em cada caso de determinadas formas, nascidas da própria vida, e que nunca são algo de frio, mas costumes muito íntimos de família, pequenos pormenores diários que o filho precisa de ter com a sua mãe e de que a mãe sente falta, se o filho alguma vez os esquece: um beijo ou uma carícia ao sair ou ao voltar a casa, uma pequena delicadeza, umas palavras expressivas...

Nas nossas relações com a nossa Mãe do Céu, existem também essas normas de piedade filial, que são modelo do nosso comportamento habitual com Ela. Muitos cristãos tornam seu o antigo costume do escapulário; ou adquirem o hábito de saudar (não são precisas palavras; o pensamento basta) as imagens de Maria que há em qualquer lar cristão ou que adornam as ruas de tantas cidades; ou dão vida a essa oração maravilhosa que é o Terço, em que a alma não se cansa de dizer sempre as mesmas coisas, como não se cansam os enamorados, e em que se aprende a reviver os momentos centrais da vida do Senhor; ou então habituam-se a dedicar à Senhora um dia da semana – precisamente este em que estamos reunidos: o sábado – oferecendo-lhe alguma pequena delicadeza e meditando mais especialmente na sua maternidade.
(Cristo que passa, 142)

Maria Santíssima, Mãe de Deus, passa despercebida, como uma qualquer, entre as mulheres do seu povo. Aprende d’Ela a viver com «naturalidade».
(Caminho, 499)

São José Operário

São José, rogai por nós.

"O primeiro de Maio, considerado hoje na Europa o dia da «Festa do trabalho», foi, durante muitos anos, nos fins do século XIX e princípios do século XX, um dia de reivindicações e mesmo de lutas violentas pela promoção da classe operária.

A Igreja que se mostrou sempre sensível aos problemas do mundo do trabalho, quis dar uma dimensão cristã a este dia. Nesse sentido, Pio XII, em 1955, colocava a «Festa do trabalho» sob a protecção de S. José, na certeza de que ninguém melhor do que este trabalhador poderia ensinar aos outros trabalhadores a dignidade sublime do trabalho.

Operário durante toda a sua vida, S. José teve como companheiro de trabalho, na oficina de Nazaré, o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo.E foi, na verdade, Jesus que lhe ensinou que o trabalho nos associa ao Criador, dando-nos a possibilidade de aperfeiçoar a natureza, de acabar a criação divina. O trabalho é um serviço prestado aos irmãos. O trabalho é um meio de nos associarmos à obra redentora de Cristo."

(Gaudium et Spes, 67).

Fala-nos São Josemaria Escrivá:

"Às vezes, quando se tratava de pessoas mais pobres do que ele, José trabalharia aceitando alguma coisa de pouco valor, que deixava a outra pessoa com a satisfação de pensar que tinha pago. Normalmente José cobraria o que fosse razoável; nem mais nem menos. Saberia exigir o que em justiça lhe era devido, já que a fidelidade a Deus não significa renúncia a direitos que na realidade são deveres; S. José tinha de exigir o que era justo, porque tinha de sustentar a família que Deus lhe tinha confiado, com a recompensa desse trabalho.

A exigência dos nossos direitos não deve ser fruto de um egoísmo individualista. Não se ama a justiça se não se deseja vê-la também cumprida para com os outros. Como também não é lícito encerrar-se numa religiosidade cómoda, esquecendo as necessidades dos outros. Quem deseja ser justo aos olhos de Deus também se esforça para que a justiça se realize de facto entre os homens. E não apenas. pelo bom motivo de que o nome de Deus não seja injuriado, mas porque ser cristão significa captar e corresponder a todos os anseios nobres do homem. Parafraseando um texto conhecido, do Apóstolo S. João, pode-se dizer que mente quem afirma que é justo com Deus mas não é justo com os outros homens; e a verdade não habita nele.

Como todos os cristãos que viveram aquele momento, recebi com emoção e alegria a decisão de festejar a festa litúrgica de S. José Operário. Esta festa, que é uma canonização do valor divino do trabalho, mostra como a Igreja, na sua vida colectiva e pública, se fez eco das verdades centrais do Evangelho, que Deus quer que sejam especialmente meditadas nesta nossa época."

Livro Cristo que Passa - Na Oficina de José, ponto 52