sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Carnaval - Uma grave ofensa a Nosso Senhor

"Nestes dias, Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes".
(Santo Afonso Maria de Ligório)


Ó desgraçados mundanos, amadores do tempo!

"Naquele dia, tirará o Senhor o enfeite dos anéis dos tornozelos,
e as toucas, e os ornamentos em forma de meia-lua;
os pendentes, e os braceletes, e os véus esvoaçantes;
os turbantes, as cadeiazinhas para os passos,
as cintas, as caixinhas de perfumes e os amuletos;
os sinetes e as jóias pendentes do nariz;
os vestidos de festa, os mantos, os xales e as bolsas;
os espelhos, as camisas finíssimas, os atavios de cabeça e os véus grandes.
Será que em lugar de perfume haverá podridão,
e por cinta, corda; em lugar de encrespadura de cabelos, calvície;
e em lugar de veste sumptuosa, cilício;
e marca de fogo, em lugar de formosura.
Os teus homens cairão à espada, e os teus valentes, na guerra.
As suas portas chorarão e estarão de luto;
Sião, desolada, se assentará em terra."
(Isaías 3:18-26).


"Ó mundanos, amadores do tempo e das coisas que com ele passam e totalmente esquecidos do eterno, lembrai-vos que há de vir um dia, cláusula de todos os dias e princípio de duas eternidades, uma de suma felicidade outra de miséria suma, uma nas alturas louvando a Deus, outra blasfemando de Deus nas profundezas.
Vós outros que consumis os dias e os anos em vosso deleite e adiais a penitência de hoje para amanhã, de amanhã para outro dia e outro ano e muitos anos! Oh que mau é o vosso engano agora e que pior será então o vosso desengano?
Há de chegar (é certo) aquele estado, onde não há amanhã, nem tarde, hoje, nem ontem, nem séculos, nem anos, nem dias, nem horas, nem diferença alguma de tempo, senão uma duração fixa e interminável, ou sempre gozando de Deus ou sempre ardendo em fogo. Temamos estes sinais à vista de tão horrendo significado, e empreguemos os breves espaços da vida temporal como quem há de vir a parar nos da eterna."

(Exercícios espirituais - II - 113 - Pe. Manuel Bernardes)


Ó insensatos e duros de coração,
tão profundamente apegados à terra,
que de nada gostam senão das coisas carnais.
Mas, infelizes deles,
virá tempo em que verão como era vil
e sem valor tudo o que amavam!



"Nosso Senhor deseja que em Portugal sejam abolidas as festas profanas nos dias de Carnaval e substituídas por orações e sacrifícios com preces públicas pelas ruas."
(Irmã Lúcia, vidente de Fátima, numa carta ao Cardeal Patriarca, em 1940).


Já está próximo o tempo da Festa das Carnes – o Carnaval. Não me é possível omitir uma palavra sobre esse tempo que é, para muitos como eu, motivo de irritação e para outros tantos, motivo de condenação. Parece-me bem justo que comecemos a falar com o exemplo dos Santos:

- São Francisco de Sales dizia ser o Carnaval o tempo de suas dores e aflições, e naqueles dias fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos.
- São Vicente Ferrer dizia que o Carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição.
- O Servo de Deus, João de Foligno, dava ao Carnaval o nome de vindima do diabo.

- Santa Catarina de Sena, referindo-se ao Carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! que tempo diabólico!”.

- São Carlos Borromeu jamais podia compreender como cristãos tenham podido conservar este perniciosíssimo costume do paganismo.

- Escreve Santa Faustina Kowalska: “Nestes dois últimos dias de Carnaval conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos neste dia. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da Misericórdia Divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista” (Diário, 926).

- Santa Margarida Maria de Alacoque escreve: “Numa outra vez, no tempo de Carnaval, apresentou-se-me, após a Santa Comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo nesses dias?”

Portanto, meus amigos, parece-me bem claro que este tempo de imoralidades e desavergonhamentos é de todo reprovável para o bom Católico.Talvez pudesse alguém me contradizer, alegando que depende de cada um, que é possível passar pelo Carnaval sem cometer ofensas a Deus. Para essa defesa respondo o seguinte: “Podemos nós, Católicos, cheios de Amor de Deus, ainda que não cometamos, presenciar tantas ofensas feitas ao Santíssimo Criador e ainda assim nos julgarmos inocentes? Podemos deixar o Amabilíssimo Coração de Nosso Senhor sofrer tantas injúrias sem que O defendamos com até mesmo o nosso sangue e ainda nos acharmos livres de culpa?”

De qual espécie é a nossa Fé em Deus e na Santa Religião? Estando em tempos ‘ecuménicos’, devemos, segundo alguns "católicos" desvairados, absorver o que tem de melhor nas outras religiões? Já agora, só nos falta imitar o zelo que têm os muçulmanos com a memória do pérfido Maomé... Qualquer ofensa provoca uma guerra. Não é nosso Deus infinitamente maior que Alá, o demónio de Maomé? Não é Ele muito mais digno de protecção e de zelo? Somos culpados de omissão todas as vezes que frequentamos a depravação do Carnaval e vemos com nossos olhos, diante de nós, sem nem se esconder, a miséria pecaminosa se tornar regra e valor.

Santo Afonso Maria de Ligório diz-nos:

“Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação, Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto, os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demónio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer e por um divertimento momentâneo. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm vergonha de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfémias execráveis contra o Santo Nome de Deus. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucificação do Filho de Deus, nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes”.



O que deve ser feito nos DIAS da FESTA de SATANÁS, isto é, do CARNAVAL?

1. Mortificar a língua, isto é, conversar moderadamente.
2. Jejuar. Evitar comer carne, frutas, doces e refrigerantes.
3. Evitar programas televisivos.
4. Meditar a Sagrada Paixão de Nosso Senhor em São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João. 5. Participar da Santa Missa todos os dias e oferecer a Comunhão reparadora.
6. Confessar-se.
7. Visitar a Jesus Sacramentado.
8. Rezar o Santíssimo Rosário diante do Crucifixo.
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Fontes: http://a-grande-guerra.blogspot.com/
http://virtusinmedio.blogspot.com/2009/02/carnaval-uma-ofensa-ao-coracao-de-nosso.html

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Bendita e louvada seja a Paixão do Redentor!
Que, para nos livrar das culpas,
Padeceu por nosso amor!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Nossa Senhora de Lourdes

"EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO"


No dia 11 de Fevereiro, Dia mMundial do Doente, a Igreja celebra a Festa de Nossa Senhora de Lourdes. As aparições de Lourdes (França, em 1858), constituem um capítulo decisivo na intervenção materna de Nossa Senhora para quebrar o curso devastador da Revolução. A isso se referiu o Cardeal Ivan Dias, dizendo que “a Virgem está tecendo uma rede de filhos e filhas espirituais, para lançar uma forte ofensiva contra as forças do maligno para encarcerá-lo e assim preparar a vitória final de seu Divino Filho Jesus Cristo”. E acrescentou que os católicos sensíveis ao apelo de Lurdes estão convocados a se congregarem nessa luta contra o mal.

Engajar-se, sim. Mas com que armas? Para o Cardeal Dias, em primeiro lugar, com a conversão do coração — a conversão que Nossa Senhora pediu, em termos cada vez mais prementes, a Santa Catarina Labouré em Paris e às crianças de La Salette, de Lourdes e de Fátima. Em seguida, a recitação quotidiana do rosário, a devoção ao Santíssimo Sacramento e a aceitação e oferecimento dos próprios sofrimentos pela salvação do mundo.

Eis, pois, as nossas armas: uma conversão sincera e profunda, com a mudança de vida que ela implica, e essas santas e importantíssimas devoções voltadas monarquicamente a Nosso Senhor Jesus Cristo, pela intercessão poderosa de Maria Santíssima.

Quantos dos devotos de Lourdes sabem narrar o que aconteceu naquele longínquo ano de 1858? Quantos conhecem bem o que Nossa Senhora fez, falou e pediu a Santa Bernadette e, através dela, a cada um de nós?

1ª aparição – Quinta-feira, 11 de Fevereiro


Santa Bernadette Soubirous redigiu de próprio punho, em sete ocasiões, a descrição da aparição, acrescentando novos detalhes em cada uma das versões. Eis um apanhado tão completo quanto possível de todos eles:


“A primeira vez que fui à gruta, era quinta-feira, 11 de Fevereiro. Fui para recolher galhos secos com outras duas jovens. Quando estávamos no moinho, eu lhes perguntei se queriam ver onde a água do canal se encontrava com o Gave. Elas me responderam que sim. De lá, seguimos o canal e nos encontramos diante de uma gruta, não podendo mais prosseguir.
“Minhas duas companheiras se colocaram em condição de atravessar a água que estava diante da gruta. Elas a atravessaram e começaram a chorar. Perguntei-lhes por que choravam, e disseram-me que a água estava gelada. Pedi que me ajudassem a jogar pedras na água, para ver se podia passar sem tirar meus sapatos, mas disseram-me que devia fazer como elas, se quisesse. Fui um pouco mais longe, para ver se podia passar sem tirar meus sapatos, mas não poderia”.


Esta preocupação se explica porque Bernadette sofria de asma, e a mãe não queria que apanhasse frio. Nessa ocasião ela catava galhos secos para aquecer a mísera habitação onde sua família arruinada era constrangida a viver. Prossegue o relato:


Então, regressei diante da gruta e comecei a tirar os sapatos. Tinha acabado de tirar a primeira meia, quando ouvi um barulho como se fosse uma ventania. Então girei a cabeça para o lado do relvado, do lado oposto da gruta. Vi que as árvores não se moviam, então continuei a tirar meus sapatos.
“Ouvi mais uma vez o mesmo barulho. Assim que levantei a cabeça, olhando a gruta, vi uma Dama vestida de branco. Tinha um vestido branco, um véu branco, um cinto azul e uma rosa em cada pé, da cor da corda do seu terço.


“Eu pensava ser vítima de uma ilusão. Esfreguei os olhos, porém olhei de novo e vi sempre a mesma Dama. Coloquei a mão no bolso, para pegar o meu terço. Queria fazer o sinal da cruz, mas em vão. Não pude levar a mão até a testa, a mão caía. Então o medo tomou conta de mim, era mais forte que eu. Todavia, não fugi. A Dama tomou o terço que segurava entre as mãos e fez o sinal da cruz. Minha mão tremia, porém tentei uma segunda vez, e consegui. Assim que fiz o sinal da cruz, desapareceu o grande medo que sentia, e fiquei tranquila.


“Coloquei-me de joelhos. Rezei o terço, tendo sempre ante meus olhos aquela bela Dama. A visão fazia escorrer o terço, mas não movia os lábios. Quando acabei o meu terço, com o dedo Ela fez-me sinal para me aproximar, mas não ousei. Fiquei sempre no mesmo lugar. Então desapareceu imprevistamente.


“Comecei a tirar a outra meia para atravessar aquele pouco de água que se encontrava diante da gruta, para alcançar as minhas companheiras e regressarmos. No caminho de volta, perguntei às minhas companheiras se não haviam visto algo.
“– Não.
“Perguntei-lhes mais uma vez, e disseram-me que não tinham visto nada. Eu lhes roguei que não falassem nada a ninguém. Então elas me interrogaram:
“– E tu viste algo?
“Eu lhes disse que não.
“– Se não viste nada, eu também não.


“Pensava que tinha me enganado. Mas retornando a casa, na estrada me perguntavam o que tinha visto. Voltavam sempre àquele assunto. Eu não queria lhes dizer, mas insistiram tanto, que decidi dizê-lo, mas na condição de que não contassem para ninguém. Prometeram-me que manteriam o segredo. Mas assim que chegaram às suas casas, a primeira coisa que contaram foi que eu tinha visto uma Dama vestida de branco. Esta foi a primeira vez”.


2ª aparição – Domingo, 14 de Fevereiro


Conta Bernadette: “A segunda vez foi no Domingo seguinte. Voltei com várias moças, para ver se não me tinha enganado. Eu me sentia muito constrangida interiormente. Minha mãe tinha-me proibido voltar. Depois da missa cantada, as outras duas jovens e eu fomos mais uma vez pedir licença à minha mãe. Ela não queria. Dizia-me temer que caísse na água. Temia que eu não voltasse para assistir às Vésperas. Prometi que sim, e deu-me então a permissão para ir.

“Fui à paróquia, pegar uma garrafinha de água benta para deitar na visão quando estivesse na gruta, se a visse. E saímos para a gruta. Ao chegarmos lá, cada uma tomou o seu terço e nos ajoelhamos para rezá-lo. Apenas tinha acabado de rezar a primeira dezena, quando vi a mesma Dama”.


“Então comecei a deitar água benta nela, dizendo que, se vinha da parte de Deus, que permanecesse; se não, que fosse embora; e me apressava sempre a jogar-lhe água. Ela começou a sorrir, a inclinar-se. Mais água eu jogava, mais sorria e girava a cabeça, e mais a via fazer aqueles gestos. Eu então, tomada pelo temor, me apressava a aspergi-la mais, e assim o fiz até que a garrafa ficou vazia. Quando terminei de rezar meu terço, Ela desapareceu e não me disse nada. Nós nos retiramos para assistir às Vésperas”.


3ª Aparição – Quinta-feira, 18 de Fevereiro

Fui ali com algumas pessoas importantes, que me aconselharam a pegar papel e tinta e lhe pedisse que, se tinha algo a me dizer, que tivesse a bondade de colocá-lo por escrito”.


“Ela só me falou na terceira vez. Foi na quinta-feira seguinte: Fui ali com algumas pessoas importantes, que me aconselharam a pegar papel e tinta e lhe pedisse que, se tinha algo a dizer, que tivesse a bondade de colocá-lo por escrito.
“Tendo chegado lá, comecei a recitar o terço. Após ter rezado a primeira dezena, vi a mesma Dama. Transmiti esse pedido à Senhora. Ela se pôs a sorrir, e me disse que aquilo que tinha para me dizer, não era necessário escrevê-lo. Mas perguntou-me se eu queria ter a graça de voltar ali durante quinze dias. Eu lhe respondi que sim
”.


Segundo Santa Bernadette, Nossa Senhora aparecia tal qual é representada na Medalha Milagrosa, mas sem os raios que saem das mãos.


4ª aparição – Sexta-feira, 19 de Fevereiro


Santa Bernadette não escreveu pessoalmente o relato da quinzena de aparições que começou nesse dia. Redigiu apenas uma relação geral dos ditos e pedidos mais importantes de Nossa Senhora. Por isso, a partir deste ponto, a narração é uma composição de palavras da vidente e fatos testemunhados pelos presentes.


A 4ª aparição foi silenciosa. Bernadette “saudava com as mãos e a cabeça. Dava gosto vê-la. Era como se na vida toda não tivesse feito outra coisa que não fosse aprender a fazer esses cumprimentos”, testemunhou Josèphe Barinque, uma vizinha.
Bernadette tinha um círio bento acesso. Este gesto, copiado em seguida pelos que assistiam às aparições, inspirou o costume actual de levar velas e acendê-las diante da gruta. Nesta quinzena, Nossa Senhora foi ensinando a forma de devoção que Ela queria que se praticasse em Lourdes.


5ª aparição – Sábado, 20 de Fevereiro


Bernadette chegou a Massabielle (nome da gruta) por volta das 6:30h. Desta vez, havia cerca de 30 testemunhas. Teve um êxtase de 40 minutos. Voltando para casa com sua mãe, confiou-lhe que a Senhora “teve a bondade de ensinar-lhe, palavra por palavra, uma oração somente para ela”. Ela a rezou todos os dias de sua vida, sem nunca revelá-la.


6ª aparição – Domingo, 21 de Fevereiro


A Dama se apresentou a Bernadette pela manhã, por volta das 7:10h. Cerca de 100 pessoas estavam no local. A privilegiada vidente escreveu: “Esta rainha misericordiosa me disse também para rezar pela conversão dos pecadores. Ela me repetiu várias vezes essas mesmas palavras”. Santa Bernadette escreveu mais de uma vez: Nossa Senhora “disse-me também que não me prometia tornar-me feliz neste mundo, mas no outro”.


À tarde, o delegado de polícia Dominique Jacomet submeteu a vidente a um grosseiro e ameaçador interrogatório, exigindo-lhe que se retratasse, sob pena de prisão. Bernadette não se intimidou e respondeu com segurança, desmontando suas ciladas. No fim do interrogatório, o policial a proibiu de voltar à gruta. O pai da vidente cedeu à pressão, e também proibiu.


Segunda-Feira – 22 de Fevereiro: não há aparição


Nesse dia, soldados foram postos para vigiar os movimentos da vidente, prontos a prendê-la caso
regressasse à Gruta de Massabielle. O apelo interior foi contudo mais forte, e à tarde ela ali acorreu. Esta sua decisão foi confirmada em confessionário pelo Pe. Pomian. Mas Nossa Senhora não apareceu, e Bernadette parecia desfeita: “Não sei no que eu faltei a esta Dama”.
Porém, no fim do dia a cidade estava em alvoroço e o prefeito achou melhor suspender a proibição.


7ª aparição – Terça-feira, 23 de Fevereiro


Cerca de 150 pessoas foram até a Gruta por volta das 6h. O médico municipal, Dr. Pierre Dozous, de início um céptico em relação às aparições, relatou: “Eu consegui me posicionar muito perto de Bernadette Soubirous. [...] Ela fazia continuamente reverências graciosas e respeitosas em direcção ao nicho. [...] Logo apareceram no seu rosto as mutações de que me tinham falado, reflectindo precisamente a visão que ela tinha. [...] Parecia quase ver-se o que a criança via. [...] Tudo com uma verossimilhança que a maior das actrizes não conseguiria atingir. [...] Eu me inclinei perto dela e medi seu pulso: era quase normal. [...] Para ir mais fundo, observei os reflexos dos olhos. Também ali não apareceu anomalia alguma. [...] O vento soprava forte. Por vezes apagava o círio. Ela percebia e levava o círio para trás, para que o acendessem, sem afastar o olhar da gruta. Enquanto a observava, eu tinha a impressão de que ela sabia muito bem o que se passava em volta dela”.


Naquele dia, Nossa Senhora lhe confiou três segredos: “Ela me deu três segredos que me proibiu de contar”. Ela jamais os revelou. Interrogada, explicou: “Eles só se referem a mim, não são nem sobre a Igreja, nem sobre a França, nem sobre o Papa”.

8ª aparição – Quarta-feira, 24 de Fevereiro


O delegado Dominique Jacomet hostilizou a multidão: “Como é possível que em pleno século XIX haja ainda tantos idiotas!?” –– exclamou. Os fiéis responderam com cânticos marianos.


Contou Jean-Baptiste Estrade, cobrador de impostos em Lourdes, que pouco tempo depois de ter entrado em êxtase, como alguém que recebe uma má notícia, Bernadette deixou cair os braços, e abundantes lágrimas começaram a correr pela sua face. Ela subiu de joelhos o aclive que precede a cavidade, osculando a cada passo o chão. Voltou-se depois em direcção à multidão de 300 pessoas. Com a voz marcada pelos soluços, referiu à multidão o pedido de Nossa Senhora: “Penitência, penitência, penitência!”; e “rezai a Deus pela conversão dos pecadores”; além da recomendação de “beijar a terra em penitência pelos pecadores”.


“Penitência, penitência, penitência”. lembremos que em Fátima, em 1917, Nossa Senhora faria ainda um derradeiro apelo, em termos ainda mais sérios e dramáticos.


9ª aparição – Quinta-feira, 25 de fevereiro


“Ela me disse para comer da erva que se encontra no mesmo local onde eu fui beber”. A afluência de público atingiu aproximadamente 350 pessoas. Bernadette obedecia em êxtase às ordens da nobre Senhora, subindo até a gruta e beijando a terra com uma agilidade surpreendente.


Eis o que narrou a santa: “A Senhora me disse que eu deveria beber da fonte e lavar-me nela. Mas, como não a via, fui beber no Gave. Ela me disse que não era ali, e me fez um sinal com o dedo para ir à gruta, mostrando-me a fonte. Eu fui, mas só vi um pouco de água suja. Parecia lama, e em tão pequena quantidade, que com dificuldade pude colher um pouco no côncavo da mão. Eu me pus a arranhar a terra, até poder colhê-la, mas três vezes a joguei fora. Foi só na quarta vez que pude bebê-la, de tal maneira estava suja”.


Nossa Senhora ordenou também a Bernadette comer ervagrama da gruta. “Ela me disse para comer da erva que se encontra no mesmo local onde eu fui beber. Foi só uma vez, ignoro por quê”. Uma vez interrogada, ela respondeu: “A Senhora me levou a fazê-lo, com um movimento interior”.

Nossa Senhora pediu-lhe que se lavasse com aquela água: “Ide a beber da fonte, e lavai-vos ali”. Seu rosto ficou então sujo. A multidão não compreendia o que se passava, e começou a achar que a vidente estava louca. A cena, uma das mais transcendentais na história de Lourdes, num primeiro momento desiludiu a todos.


26 de Fevereiro – nova proibição

Aproveitando a momentânea confusão, as autoridades baixaram um novo interdito de voltar à gruta. A cena do dia 22 se repetiu: havia 600 pessoas, mas Nossa Senhora não apareceu.


10ª aparição – Sábado, 27 de Fevereiro


Uma massa compacta de 800 pessoas aguardava Bernadette na Gruta por volta das 6:30h. Por 15 minutos, Bernadette caminhou de joelhos e beijou o chão várias vezes. Em seguida comandou a multidão por duas vezes, com gestos, para que repetisse aquele ato de penitência. Só na segunda os presentes obedeceram. A partir daquele dia, o chão e a pedra sagrada de Massabielle são cobertos de beijos de pessoas de todo o mundo.


11ª aparição – Domingo, 28 de Fevereiro


Caía uma chuva fina e constante, e fazia um frio terrível, enquanto cerca de 1200 pessoas se encontravam na Gruta desde o amanhecer.
Bernadette chegou às 7h. Pôs-se de joelhos, rezou o terço e beijou a terra, enquanto um potente sopro pareceu passar sobre os presentes. Todos ou quase todos os espectadores se ajoelharam, rezaram e beijaram o chão com Bernadette.


12ª aparição – segunda-feira, 1 de Março


Desta vez, o pai de Santa Bernadette acompanhou a filha à Gruta. Desde cedo, havia ali por volta de 1500 pessoas.
A pedido, a vidente tinha levado o terço de uma outra pessoa, mas na hora de rezá-lo a Dama lhe perguntou: “Onde está o teu terço?”. Bernadette tirou-o então do bolso. Sorrindo, a Virgem lhe disse: “Usai-o”. A Santa repetia os gestos: comer ervas, beber e se lavar com a água da gruta. O povo começou a imitá-la, e se constatou que a água brotava cada vez mais límpida e abundante.

Entre os assistentes, por primeira e única vez esteve um sacerdote. Foi o Pe. Antoine Dezirat, que ignorava a interdição ao clero de comparecer ao local. Ele escreveu: “Só Bernadette viu a aparição, mas todo o mundo tinha como que o sentimento de sua presença. [...] Respeito, silêncio, recolhimento, reinavam por todo lado. [...] Oh! como estava bom. Eu acreditava estar no vestíbulo do Paraíso!”.


Na noite daquele dia aconteceu o primeiro milagre. Catherine Latapie, grávida de nove meses, tinha paralisados dois dedos da mão direita. O mal lhe impedia atender às necessidades do lar e dos filhos. Ela imergiu a mão na água e sentiu um grande bem-estar, com os dedos movimentando-se naturalmente!

13ª aparição – Terça-feira, 2 de Março


Nessa data, Bernadette teve só uma breve visão da Dama. Havia por volta de 1650 pessoas. “Ela me disse que eu devia dizer aos padres para construir uma capela aqui”. E contou como cumpriu essa missão: “Fui procurar o senhor pároco, para lhe dizer que uma Dama me tinha ordenado de ir dizer aos padres para construir ali uma capela. Ele me olhou um momento, e logo me perguntou num tom incomodado quem era essa Dama. Eu lhe respondi que não sabia. Então ele me encarregou de perguntar a ela o nome, e de voltar para lhe contar”.
“A Dama disse: ‘Devem vir aqui em procissão’”
– contou a vidente ao pároco, Pe. Dominique Peyramale. Para o sacerdote, isso foi demais.


14ª aparição – Quarta-feira, 3 de Março


Três mil pessoas se apinhavam em torno da gruta. Santa Bernadette rezou por muito tempo. Mas se levantou com os olhos repletos de lágrimas, e clamou: “Não me apareceu”. No mesmo dia, após a aula, sentiu um convite interior de Nossa Senhora. Retornou à gruta, e desta vez A viu.
Bernadette cumpriu a ordem do pároco: “Eu lhe perguntei seu nome, por parte do senhor pároco. Mas ela não fazia outra coisa senão sorrir. Voltando, fui à casa do senhor pároco para dizer-lhe que tinha cumprido a missão, mas que não tinha recebido outra resposta senão um sorriso. Então ele me disse que ela zombava de mim, e que eu faria bem de nunca mais voltar. Mas eu não podia me impedir de ir”.


Fechando a questão, o Pe. Peyramale orientou: “Se a Senhora deseja realmente uma capela, que diga seu nome e faça florescer a roseira da Gruta”.

15ª aparição – Quinta-feira, 4 Março


A quinzena de aparições concluiu-se no dia 4 de março. Desta vez reuniram-se entre oito e vinte mil pessoas, segundo as versões. Havia avidez de um milagre.
O delegado de polícia revistou a gruta e as proximidades, à procura de alguma espécie de fogo de artifício que servisse para simular uma aparição, mas nada encontrou.


Bernadette era amparada por um grupo de guardas que continha a multidão. O êxtase durou quase uma hora, sem que acontecesse algo extraordinário. Ela disse: “Oh, sim, Ela vai voltar. Mas agora já não é mais necessário que eu vá à gruta. Quando ela voltar, então será necessário que eu retorne à gruta. Ela far-me-á saber”.


16ª aparição – Quinta-feira, 25 de Março

Bernadette explica detalhes da aparição a uma comissão do clero Os milagres continuavam se multiplicando, e ao mesmo tempo iam se arrefecendo as resistências do pároco. Durante 20 dias, Bernadette não voltou à gruta. Sentiu o chamado de Nossa Senhora nas primeiras horas da festa da Anunciação. Então foi à gruta.


“Depois dos quinze dias, eu lhe perguntei de novo seu nome, três vezes seguidas. Ela sorria sempre. Por fim ousei uma quarta vez, e foi então que ela, com os dois braços ao longo do corpo [como na Medalha Milagrosa], levantou os olhos ao Céu e depois me disse, juntando as mãos na altura do peito, que ela era a Imaculada Conceição”.


“Então eu voltei de novo à casa do senhor pároco, para lhe contar que ela me tinha dito que era a Imaculada Conceição. Ele me perguntou se eu estava bem segura. Respondi que sim, e que para não esquecer essa palavra eu a tinha repetido durante todo o caminho”.


Santa Bernadette não sabia o significado de “Imaculada Conceição”, cujo dogma o Bem-Aventurado Papa Pio IX proclamara poucos anos antes, deixando prostrados os partidários da Revolução e empolgando os devotos de Nossa Senhora no mundo inteiro!


O pároco custou a conter as lágrimas. “Ela quer mesmo a capela”, murmurou Santa Bernadette. A partir desse momento, o sacerdote mudou de atitude.


17ª aparição – Quarta-feira, 7 de Abril


A Virgem chamou-a já durante a noite de 6 de abril. Tendo-se espalhado que a vidente iria à Gruta, 1200 pessoas já a aguardavam quando ela chegou por volta das 6h.
O êxtase durou 45 minutos. O Dr. Dozous e outros constataram durante 15 minutos o “milagre do círio”: Bernadette juntou as mãos sobre o fogo de um círio, como para protegê-lo do vento. A chama encostava na pele das mãos e saía entre seus dedos. “Está a queimar-se!”, bradou alguém. Mas a vidente prosseguia, insensível. O médico verificou depois que ela não tinha sofrido qualquer queimadura.


18ª e última aparição — Quinta-feira, 16 de Julho


A Gruta com as barreiras colocadas pelo governo O chamado de Nossa Senhora surpreendeu Bernadette ao anoitecer, quando ela se encontrava em oração na igreja paroquial.


A Gruta tinha sido fechada com tapumes, por ordem das autoridades hostis à aparição. Bernadette foi então com sua tia Lucile e algumas amigas para o outro lado do rio Gave, diante da Gruta. Todas se ajoelharam e rezaram. Após alguns instantes, as mãos de Bernadette afastaram-se em sinal de maravilhada surpresa, como por ocasião da quinzena de aparições. Terminado o êxtase, e voltando à casa, ela confidenciou: “Eu não via os tapumes nem o Gave. Parecia-me estar na gruta, na mesma distância das outras vezes. Eu via somente a Virgem”.

Esta última aparição ocorreu na festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Sintomaticamente, em 13 de outubro de 1917, depois do milagre do sol em Fátima, Nossa Senhora se mostrou revestida do hábito da Ordem do Carmo.
Foi a última despedida na Gruta. Santa Bernadette Soubirous somente voltaria a ver Nossa Senhora 21 anos depois, em Nevers, no dia 16 de abril de 1879, quando deixou esta terra de exílio para contemplá-la eternamente no Céu!

O grande apelo de Lourdes


Embora apenas Santa Bernadette tenha visto, ouvido e falado com Nossa Senhora, as multidões, acorrendo à gruta, vendo-a e imitando-lhe os gestos de piedade, tinham uma certeza inabalável da realidade das aparições. Por assim dizer, os fiéis “viam” Nossa Senhora em Santa Bernadette, e experimentavam sua influência indizivelmente benéfica ao imitarem seus gestos.


A partir de então, Nossa Senhora continuou a exercer em Lourdes essa misteriosa ação de presença sobre os que lá vão rezar, a qual constitui talvez o maior milagre daquele privilegiado lugar onde o Céu osculou a Terra. Por meio dessa ação, Ela restaura as forças de seus filhos e simples fiéis, impulsionando-os com sinais sensíveis a se somarem à coligação dos bons para pôr cobro ao reinado do caos infernal.


Lourdes é, pois, um formidável apelo de Nossa Senhora a seus filhos, para que se aliem e empreendam sob o manto d’Ela essa última batalha já iniciada, a qual há de culminar com o triunfo final predito em Fátima. Lembrou-nos isto, com palavras penetrantes, o Legado Pontifício Cardeal Ivan Dias, acima citado.


Enunciara-o também o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira nas páginas de Catolicismo, por ocasião do centenário das aparições, quando escreveu que Lourdes é para o mundo inteiro o primeiro marco do ressurgimento contra-revolucionário:


“Há um anseio imenso por outra coisa, que ainda não se sabe qual é. Mas, enfim –– fato talvez novo desde que começou, no século XV, o declínio da civilização cristã –– o mundo inteiro geme nas trevas e na dor, precisamente como o filho pródigo quando chegou ao último da vergonha e da miséria, longe do lar paterno. [...]
“Têm fim as misericórdias de uma Mãe, e da melhor das mães? Quem ousaria afirmá-lo? Se alguém duvidasse, Lourdes lhe serviria de admirável lição de confiança. Nossa Senhora [...] já começou a nos socorrer. [...] Os dias do domínio da impiedade estão con­ta­dos. A definição do dogma da Imaculada Conceição marcou o início de uma suces­são de fatos que conduzirá ao Reinado de Maria”.

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Virgem Imaculada, Saúde dos Enfermos, rogai por nós!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

As cinco Chagas de Cristo

IN HOC SIGNO VINCES
Com este Sinal, vencerás!



O culto das Cinco Chagas do Senhor, isto é, as feridas que Cristo recebeu na cruz e manifestou aos Apóstolos depois da Ressurreição, foi sempre uma devoção muito viva entre os portugueses, desde os começos da nacionalidade. São disso testemunho a literatura religiosa e a onomástica referente a pessoas e instituições. Camões, n' Os Lusíadas sintetiza (I, 7) o simbolismo que tradicionalmente relaciona as armas da bandeira nacional com as Chagas de Cristo:

"Vede-O no vosso escudo, que presente
Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas e deixou
As que Ele para si na Cruz tomou." (Os Lusíadas, 1, 7).

Esta é uma festa litúrgica portuguesa e do mundo português que nos foi concedida pelos Romanos Pontífices, a partir do Papa Bento XIV e é celebrada a 7 de Fevereiro.

Entre os factos históricos dignos de menção pelo que respeita às lutas contra os mouros, merece referência especial o Fossado de Ladera em 1139 e, no mesmo ano, o realce particular dado pela História, entremeada com a lenda, à Batalha de Ourique, travada em 25 de Julho.

O Livro da Noa de Santa Cruz, de Coimbra, o Crónicon Lamecense e outros, relatam que, num lugar chamado Haulic ou Oric ou Ouric, se travou uma batalha entre portugueses comandados por D. Afonso Henriques e um exército de mouros comandados por Ismar ou Esmar ou Examare e mais quatro reis, tendo sido desbaratados os infiéis com graves perdas, depois de Jesus Cristo crucificado ter milagrosamente aparecido no Céu a abençoar os portugueses.

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AS CINCO CHAGAS DE NOSSO SENHOR

De acordo com uma antiquíssima tradição, o corpo de Jesus, depois de descido da Cruz, é cuidadosamente conduzido por Nicodemos, José de Arimatéia e São João até Maria Santíssima, sendo depositado no Seu virginalíssimo regaço. Sentada, Ela O acolhe, chorando de dor e O adora.

Enquanto as Santas Mulheres preparam os bálsamos com que em breve irão ungi-Lo, para ser depositado no sepulcro, Ela oscula, uma a uma, suas Chagas: a do peito rasgado, as dos divinos pés e mãos. Realiza- se ali o primeiro acto de devoção e adoração às Chagas do Redentor, que iria perpetuar-se por todas as gerações. A Bem-Aventurada por excelência rende o mais perfeito culto de latria às Fontes Sagradas de onde jorrou o Sangue que redimiu total e superabundantemente todo o género humano.

Por causa daquelas Santíssimas Chagas, Ela fora preservada do pecado original e aos homens de boa vontade abriram-se as portas do Céu. Cinco fontes de graças infinitas, plenas de formosura, saciando a santidade das almas contemplativas, missionárias e apostólicas, selando a coroa de glória dos mártires e as vitórias de todos os tempos.

Eis o manancial que nos purifica no Baptismo, nos revivifica na Eucaristia e dá fecundidade a toda a Santa Igreja, nos seus sacramentos! Eis a santa argamassa que, ligada aos sacrifícios dos homens, erguerá os mais belos monumentos e poemas da Civilização Cristã!

"Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Aproxima a tua mão e mete-a no meu lado". Poucos dias após a Ressurreição, é o próprio Redentor que convida o incrédulo Tomé a ter devoção às suas Santas Chagas. Já deslumbrado, ele respondeu-Lhe: "Meu Senhor e meu Deus!".

As tíbias almas que dificilmente se deixam convencer, a teimosia dos cépticos, a própria incredulidade, quase se diria, sucumbiram no instante mesmo em que aquele feliz e invejado Apóstolo introduziu seu dedo no lado de Jesus. São Francisco de Assis, Santa Gemma Galgani, São Pio de Pietrelcina - enfim, uma legião de santos e almas virtuosas - foram galardoados com os estigmas da Paixão de Cristo. É um modo maravilhoso de Ele condecorar alguns daqueles a quem mais ama, na face da terra. É seu invisível e puro amor tornado visível em seus predilectos, para perpetuar na memória dos homens a bem-aventurança daqueles que acreditam sem terem visto e tocado as Chagas do Senhor, como São Tomé.

A devoção às Santas Chagas não é privilégio apenas de algumas almas, mas o é também de nações. No nosso país, ela é muito antiga e marca profundamente a piedade dos fiéis, quase desde os alvores da nacionalidade.

A devoção às Chagas de Jesus Cristo, sinais amorosos de seu martírio e, posteriormente, de sua glorificação, aperfeiçoam em nós a gratidão, que leva a pagar amor com amor, até o holocausto total, por Deus e pelos irmãos.
Fontes: http://semanassantas.blogspot.com/2009/02/as-chagas-de-cristo-e-historia-de.html
http://www.arautos.org/view/show/3214-as-cinco-chagas-do-senhor

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Virgem das Dores, cujas lágrimas ungiram as Santíssimas Chagas do Salvador! Lavai com as Vossas lágrimas, unidas ao Sangue Precioso de Vosso Filho, os pecados de Portugal!

Pelas Vossas Santas Chagas, perdoai-nos, Senhor!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Aprende, Portugal! Aprende, Europa!

"Preza ao Céu que a Nação fidelíssima, por especial protecção da Mãe de Deus e pela clarividente prudência dos seus Governantes preservada do passado, imane conflito, possa continuar tranquilamente na sua carreira de pacífico progresso e na sua missão pacificadora e missionária, dilatando ao longe a Fé e contribuindo para o ressurgimento do espírito de fraternidade entre as Nações e para apressar o advento da verdadeira paz."

(DISCURSO DO PAPA PIO XII AO SENHOR JOSÉ NOSOLINI PINTO OSÓRIO DA SILVA LEÃO ,NOVO EMBAIXADOR DE PORTUGAL JUNTO DA SANTA SÉ, a 23 de Novembro de 1950)_______________________________

Às vezes os mais velhos aprendem muito com os mais novos. É este o caso, em que o Velho (e acabado) Continente europeu, já cansado e pronto a desistir de lutar pela sua integridade, desprezando o papel do Cristianismo na construção da sua História e identidade cultural, deve por os olhos na "jovem" Austrália:
"Os imigrantes não-australianos devem adaptar-se. É pegar ou largar! Estou cansado de saber que esta nação se inquieta ao ofendermos certos indivíduos ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria do australianos. A nossa cultura está desenvolvida desde há mais de dois séculos de lutas, de habilidade e de vitórias de milhões de homens e mulheres que procuraram a liberdade. A nossa língua oficial é o inglês; não é o espanhol, o libanês, o árabe, o chinês, o japonês ou qualquer outra língua. Por conseguinte, se desejam fazer parte da nossa sociedade, aprendam a nossa língua!A maior parte do australianos crê em Deus. Não se trata de uma obrigação cristã, de influência da direita ou pressão política, mas é um facto, porque homens e mulheres fundaram esta nação sobre princípios cristãos, e isso é ensinado oficialmente. É perfeitamente adequado afixá-lo sobre os muros das nossas escolas. Se Deus vos ofende, sugiro-vos então que encarem outra parte do mundo como o vosso país de acolhimento, porque Deus faz parte da nossa cultura. Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco. Este é o nosso país, a nossa terra e o nosso estilo de vida. E oferecemos-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade australiana: O direito de partir. Se não são felizes aqui, então partam. Não vos forçamos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá. Então, aceitem o país que vos aceitou".
(Discurso do Primeiro-Ministro australiano à comunidade muçulmana)
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Pelo sinal da Santa Cruz,
livre-nos Deus, Nosso Senhor,
dos nossos inimigos!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Homem e mulher, Deus os criou.

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então Deus os abençoou e disse-lhes: Crescei e multiplicai-vos; enchei e dominai a Terra".
(Génesis 1:26-28)


"O Projecto de Lei, recentemente votado na Assembleia da República, em ordem a reconhecer que uniões entre pessoas do mesmo sexo são casamento e fundam uma família, altera a dignidade da família natural, levará ao enfraquecimento da sua auto-estima, e contribuirá para o enfraquecimento da comunidade familiar.

A Igreja nunca aceitará a equivalência ao casamento das uniões entre pessoas do mesmo sexo, seja qual for o enquadramento legal que, porventura, lhe venha a ser dado. Esta circunstância levar-nos-á a um empenhamento renovado no apoio aos casais, valorizando a complementaridade e a estabilidade dos esposos, em ordem à fidelidade e à harmonia, hoje, tantas vezes ameaçadas pela cultura ambiente, que veicula a provisoriedade de tudo e a dimensão consumista do próprio amor.

A comunhão entre os esposos é bela, mas não é fácil. Os católicos sabem que a fidelidade e a profundidade do seu amor só é possível com a força de Deus, garantida no sacramento do matrimónio. E nunca permitiremos em nenhuma expressão da nossa acção com famílias, que as uniões de pessoas do mesmo sexo toldem a beleza e a verdade dos autênticos casamentos."

(Cardeal D. José Policarpo, na homilia proferida na Solenidade de São Vicente, Padroeiro principal do Patriarcado de Lisboa, na Sé Patriarcal a 22 de Janeiro de 2010).

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"A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais."

(Cardeal Joseph Ratzinger, actual Papa Bento XVI, enquanto Perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé, no documento CONSIDERAÇÕES SOBRE OS PROJECTOS DE RECONHECIMENTO LEGAL DAS UNIÕES ENTRE PESSOAS HOMOSSEXUAIS).

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"As criaturas diferem-se uma das outras e podem ser protegidas, ou colocadas em perigo, de formas distintas, como sabemos a partir da experiência diária. Um ataque desse tipo vem de leis ou propostas que, em nome da luta contra a discriminação, atingem a base biológica da diferença entre os sexos.

A liberdade não pode ser absoluta, pois o homem não é Deus, mas a imagem de Deus, a criação de Deus. Para o homem, o caminho a ser tomado não pode ser determinado pelo capricho ou pela teimosia, mas precisa corresponder à estrutura desejada pelo Criador".

(Papa Bento XVI, na audiência com diplomatas, a 11 de Janeiro de 2010, no Vaticano).

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Santa Maria, Rainha das Famílias, rogai por nós!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

À Vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus!

"Assentamos de tomar por padroeira de Nossos Reinos e Senhorios, a Santíssima Virgem, Nossa Senhora da Conceição (...). Esperando com grande confiança na infinita Misericórdia de Nosso Senhor, por meio desta Senhora Padroeira e protectora dos nossos Reinos e Senhorios, de quem por honra nossa nos confessamos e reconhecemos Vassalos e Tributários, nos ampare e defenda dos nossos inimigos, para glória de Cristo, nosso Deus, e exaltação da nossa Fé Católica Romana, conversão das gentes e redução dos hereges. (...)"

(D. João IV; Rei de Portugal, Decreto de 25 de Março de 1646)


Ó Rainha e Padroeira
Do Teu povo português,
Hoje aqui, mais uma vez,
a Teus pés vimos rezar.

Nesta luta derradeira,
Neste negro anoitecer,
Esperamos Teu poder,
Só Tu nos podes salvar!

São Teus vassalos e filhos,
Os que a Teus pés vêm rezar!
Ouve-nos, ó Mãe piedosa,
Só Tu nos podes salvar!

Mãe de dores, de tristezas,
Mãe de prantos sem igual!
Ouvi as mães portuguesas
Chorando seu Portugal!

Vossas lágrimas ungiram
As chagas do Salvador.
Lavai com elas os crimes
De Portugal pecador!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Vandalismo no Santuário de Fátima

Procuram-se:
Cruzados do Século XXI

COMUNICADO (Fonte: Gabinete de Imprensa do Santuário de Fátima)

O Santuário de Fátima dá conhecimento de um abuso levado a cabo no passado fim-de-semana, na madrugada de domingo, dia 10 de Janeiro, ocasião em que as quatro estátuas que ladeiam a Igreja da Santíssima Trindade (na Praça João Paulo II, as estátuas dos papas Paulo VI e João Paulo II e, na Praça Pio XII, a do papa Pio XII e a do bispo D. José Alves Correia da Silva) e a própria igreja, no exterior, sofreram inscrições tipo graffiti, a negro, com as palavras "Islão", "Lua", "Sol", "Muçulman" e "Mesquita".

Esta manhã, 11 de Janeiro, decorrem os difíceis trabalhos de remoção das inscrições.

Ao dar conhecimento desta ocorrência, e desconhecendo os autores deste acto, o Santuário torna pública a sua tristeza e informa que o assunto está entregue às entidades policiais.

Fátima, 11 de Janeiro de 2010

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Salmo 79

"Ó Deus, os infiéis vieram à tua herança; contaminaram o teu santo templo; reduziram Jerusalém a montões de pedras.

(...)

Somos feitos opróbrio para nossos vizinhos, escárnio e zombaria para os que estão à roda de nós.

Até quando, Senhor? Acaso te indignarás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo?

Derrama o teu furor sobre os gentios que não te conhecem, e sobre os reinos que não invocam o teu nome.
Porque devoraram a Jacó, e assolaram as suas moradas.
(...)

Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela glória do teu nome; e livra-nos, e perdoa os nossos pecados por amor do teu nome.

Porque diriam os infiéis: "Onde está o teu Deus?" Seja Ele conhecido entre os pagãos, à nossa vista, pela vingança do sangue dos teus servos, que foi derramado.

(...)

E torna aos nossos vizinhos, no seu regaço, sete vezes tanto da sua injúria com a qual te injuriaram, Senhor.

Assim nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente; de geração em geração cantaremos os teus louvores."

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Agora experimentem fazer o contrário numa Mesquita e vejam o que acontece...

Isto para mim tinha uma solução muito simples....

Católicos, ACORDEM!! Defendei a vossa casa! Defendei a vossa Igreja, a verdadeira Igreja do verdadeiro e único Deus! Defendei Portugal e toda a Europa da Islamização e da conquista do mundo pelos seguidores das falsas religiões!

Erguei-Vos, Senhor! Defendei a Vossa causa! Não abandoneis aqueles que Vos procuram!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Sagrada Família de Nazaré

"E encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura."
(Lc 2, 16-17)

Sagrada Família de Jesus, Maria e José! Olhai e abençoai as famílias de todo o mundo. Livrai os Vossos filhos de todo o mal e dai-nos a graça da preserverança para resistir às tentativas diabólicas de transformar o verdadeiro conceito de família, que desde o princípio dos tempos foi determinado pelo Criador como a união entre homem e mulher para gerar os seus filhos e que Vós, Deus Menino, crescendo, santificastes esta união, elevando-a ao Sacramento do Matrimónio. Tende piedade desta geração, que não Vos tem como exemplo perfeito de família.

Amados Jesus, José e Maria, meu coração Vos dou e alma minha.

Amados Jesus, José e Maria, assisti-me na última agonia.

Amados Jesus, José e Maria, expire em paz, entre Vós, a alma minha.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Feliz Natal

"E Maria deu à luz o seu filho primogénito,
e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura."
( Lc , 2:7)


"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. (...) E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade."

(Jo. 1, 1-14)

Um Santo e Feliz Natal!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Imaculada Conceição da Santíssima Virgem

"Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te"
Cântico dos Cânticos (4,7)

"(...) Em honra da santa e indivisível Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos: A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis."

Pio IX - Bula "Ineffabilis Deus", 8 de Dezembro de 1854.

O dogma católico da Imaculada Conceição define que a Bem-aventurada Virgem Maria, desde o primeiro instante que foi concebida (portanto, na Sua concepção), foi preservada da nódoa do pecado original, por privilégio único de Deus e aplicação dos merecimentos de seu divino Filho.

O dogma abrange dois pontos importantes:

a) O primeiro é ter sido a Santíssima Virgem preservada da mancha original desde o princípio de sua conceição. Deus abrogou para ela a lei de propagação do pecado original na raça de Adão; ou por outra, Maria foi cumulada, ainda no começo da vida, com os dons da graça santificante.

b) No segundo, vê-se que tal privilégio não era devido por direito. Foi concedido na previsão dos merecimentos de Jesus Cristo. O que valeu a Maria este favor peculiar foram os benefícios da Redenção, na previsão dos méritos de Jesus Cristo, que já existiam nos eternos desígnios de Deus.

A festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de Dezembro, foi definida como uma festa universal em 1476 pelo Papa Sisto IV. Porém ele não definiu a doutrina como um dogma, deixando assim os católicos livres para acreditar nela ou não, sem ser acusado de heresia. A existência da festa era um forte indício da crença da Igreja de Imaculada Conceição, mesmo antes da definição do século XIX como um dogma. Na Itália do século XV o franciscano Bernardino de Bustis escreveu o Ofício da Imaculada Conceição, com aprovação oficial do texto pelo Papa Inocêncio XI em 1678. Foi enriquecido pelo Papa Pio IX em 31 de Março de 1876, após a definição do dogma com 300 dias de indulgência cada vez que recitado.

Esta Verdade de Fé, o Dogma da Imaculada Conceição, foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX na sua bula Ineffabilis Deus em 8 de Dezembro de 1854. A Igreja considera que o dogma é apoiado pela Bíblia (por exemplo, a Virgem Maria sendo saudada pelo Anjo Gabriel como "cheia de graça"), bem como pelos escritos dos Padres da Igreja.

Depois da queda de Adão e Eva e da introdução do pecado original, no mundo, Deus falou a Satanás, oculto sob a forma de serpente: "Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela; ela te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar" (Gen 3, 15).

Basta um pouco de boa-vontade para compreender de que "mulher" o texto fala. A única mulher "cheia de graça", "bendita entre todas", da qual a descendência foi Nosso Senhor Jesus Cristo (e os cristãos), é a Santíssima Virgem, a nova Eva, mãe do Novo Adão. Conforme esse texto bíblico, bem como no livro do Apocalipse, há uma luta entre dois antagonistas: de um lado, está a Mulher com o Filho; do outro, o Dragão, o Demónio. Quem há de ganhar a vitória são os primeiros e não os últimos. Ora, se Nossa Senhora não fosse imaculada, essa inimizade não seria inteira e a vitória não seria total, pois Maria Santíssima teria sido, pelo menos em parte, sujeita ao poder do Diabo através do pecado original. Em outras palavras, a inimizade entre a Mulher (e sua posteridade) e a serpente, implica, necessariamente, que Nosso Senhor e Nossa Senhora não poderiam ter sido manchados pelo pecado original.

Na saudação angélica, S. Gabriel diz: "Ave, cheia de graça. O Senhor é convosco". Ora, não se exprimiria desta maneira o anjo e nem haveria plenitude de graça, se Nossa Senhora tivesse o pecado original, visto o homem ter perdido a graça após o pecado.
A maneira da saudação angélica transparece a grandeza de Nossa Senhora, pois o Anjo a saúda com a "Ave, Cheia de Graça". Ele troca o nome "Maria" pela qualidade "Cheia de Graça", como Deus desejou chamá-la.

Ao mesmo tempo, a afirmação "o Senhor é convosco" abrange uma verdade luminosa. Se Nosso Senhor é (está) com Nossa Senhora antes da encarnação ("é convosco"), sendo palavras anteriores à encarnação do verbo no seio da Virgem Maria, forçoso é reconhecer que onde está Deus não está o pecado. Ou seja, Nossa Senhora não tinha o pecado original.
Prossegue o arcanjo: "Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus". Aqui termina a revelação da Imaculada Conceição para começar a da maternidade divina: "Eis que conceberás no teu ventre e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus". (Lc 1, 28). Pela simples leitura percebe-se a conexão estreita entre duas verdades: Maria será a Mãe de Jesus, porque achou graça diante de Deus.

Mas, que graça Nossa Senhora achou diante de Deus para poder ser escolhida como a Mãe Dele? Ora, a única graça que não existia - ou que estava perdida - era a graça original. Falar, pois, que: "Maria achou graça" é dizer que achou a graça original. Ora, a "graça original" é a Imaculada Conceição"!

Também é pela própria razão que se pode concluir a Imaculada Conceição. É claro que o argumento racional não é definitivo, mas corroborou com muita conveniência - e completa harmonia - para com ele. Se Maria Santíssima fosse manchada do pecado original, essa mancha redundaria em menor glória para seu filho, que ficou nove meses no ventre de uma mulher que teria sido concebida na vergonha daquele pecado. Se qualquer mácula houvesse na formação de Maria Santíssima, teria havido igualmente na formação de Jesus, pois o filho é formado do sangue materno.

S. Paulo assim se expressa sobre o ventre de onde nasceu o menino-Deus: "Cristo, porém, apareceu como um pontífice dos bens futuros. Entrou no tabernáculo mais excelente e perfeito, não construído por mãos humanas, nem mesmo deste mundo" (Hebr 9, 12).

Que tabernáculo é esse, "não construído por mãos humanas", por onde "entrou" Nosso Senhor Jesus Cristo? Fica claro o milagre operado em Nossa Senhora na previsão dos méritos de seu divino Filho. Negar que Deus pudesse realizar tal milagre (Imaculada Conceição) seria duvidar de sua omnipotência. Negar que Ele desejaria fazer tal milagre seria menosprezar seu amor filial, pois, como afirma S. Paulo: Deus construiu o seu "tabernáculo" que não foi "construído por mãos humanas". Ora, este tabernáculo, feito imediatamente por Deus e para Deus, devia revestir-se de toda a beleza e pureza que o próprio Deus teria podido outorgar a uma criatura.
E esta pureza perfeita e ideal se denomina Imaculada Conceição.
Nossa Senhora foi, assim, a restauradora da ordem perdida por meio de Eva. Se esta nos trouxe a morte, Maria Santíssima nos dá a vida. O que Eva perdeu por orgulho, Nossa Senhora ganhou por humildade.


Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós!

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Início de um novo ano litúrgico - o Advento

"Rorate coeli desuper et nubes pluant justum."


Quando virá, Senhor, o dia em que apareça o Salvador?
E soe o brado de alegria: "Nasceu no mundo o Redentor!"

Filha de Reis, ó Virgem Pura! Mostra-Te, sai da escuridão!
Deus, para salvar a criatura, quer ter em Ti Sua mansão.

O Advento (do latim Adventus: "chegada", do verbo Advenire: "chegar a") é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde os fiéis esperam o Nascimento de Jesus Cristo. No calendário religioso este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal.

O tempo do Advento é para a Igreja Católica, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.

O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro (neste ano de 2009, no dia 29 de Novembro) e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.

Esse tempo possui duas características: Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa volta-se para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, para o Juízo Final, no fim dos tempos. As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de Dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa. Uma das expressões desta alegria é o canto das chamadas "Antífonas do Ó", assim chamadas porque todas as antífonas da Liturgia das Horas deste período iniciam com a letra O.



O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no carácter missionário da vinda de Cristo.

Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor, Jesus, que de fato se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15).

O Advento recorda também o Deus da Revelação. Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos.

O carácter missionário do Advento se manifesta na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de São João Baptista e de Maria Santíssima são exemplos concretos da vida missionária de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar.

Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.
A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referência e fundamento, dispondo-nos a perder a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.

A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.

Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e actual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia (volta) do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! Vem Senhor Jesus!

O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.

O Advento também é tempo propício à conversão. Daí serem usados paramentos roxos pelo sacerdote, na Liturgia, tal como no tempo quaresmal. Sem um retorno de todo o ser a Cristo, não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, lutando incessantemente contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.

No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza económica, mas principalmente aquela que leva a confiar, abandonar e depender inteiramente de Deus e não dos bens terrenos. Pobreza que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.

O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós.

Os paramentos litúrgicos (casula, estola, dalmática, pluvial, etc) são, como já se disse, de cor roxa, bem como o véu que recobre o ambão, a bolsa do corporal e o véu do cálice; como sinal de recolhimento e conversão em preparação para a festa do Natal.

A única excepção é o terceiro domingo do Advento, Domingo Gaudete ou da Alegria, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do Salvador que está bem próxima. Também os altares são ornados com rosas cor-de-rosa. O nome de Domingo Gaudete refere-se à primeira palavra do intróito deste dia, que é tirado da segunda leitura que diz: "Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto"(Fl 4, 4). Também é chamado "Domingo mediano", por marcar a metade do Tempo do Advento, tendo analogia com o quarto domingo do Tempo da Quaresma, chamado Laetare.

Assim, o tempo do Advento tem dupla característica: é tempo de preparação para a solenidade do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus aos homens, como menino, o Deus na máxima humildade e misericordioso; simultaneamente é tempo em que, comemorando esta primeira vinda, o nosso espírito se dirige para a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos, como Rei Soberano, Senhor do tempo e Justíssimo Juiz. Por estes dois motivos, o Advento apresenta-se-nos como um tempo de piedosa e alegre expectativa.

Fontes: adaptado de www.santuario-fatima.pt e www.wikkipedia.org

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Todos os Santos e Fiéis Defuntos

"Vinde, benditos de Meu Pai,
recebei em herança o Reino preparado para vós
desde o princípio do mundo".
(Mt. 25:34)


No dia 1 de Novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Nesta solenidade homenageamos todos aqueles homens e mulheres que viveram a vida de santidade pedida por Cristo, mas de forma anónima, sem serem conhecidos. A Igreja celebra nesse dia, os santos desconhecidos, aqueles que tiveram apenas a Deus por testemunha de suas obras e orações a favor dos necessitados.

Quantas pessoas no silencio de suas vidas, no anonimato do quotidiano, não se sacrificam rezam e trabalham por uma sociedade mais cristã, pedindo graças e intercedendo pelos homens? Quantas pessoas se tornam verdadeiros heróis da santidade sem que o mundo deles se de conta?

Pois bem, na festa de Todos os Santos a Igreja não pretende lembrar somente dos santos conhecidos e oficialmente canonizados, mas de todos aqueles que estão nos céus, de todos aqueles que só Deus conhece a santidade. A Igreja nesse dia comemora todos os homens e mulheres que já alcançaram a glória eterna e por isso mesmo intercedem por nós a todo o momento.

Nós, católicos, temos o dever de pensar nessas santas almas que deram grande testemunho de acção evangélica, embora muitas vezes no total desconhecimento publico.

Essa festa, já muito antiga, foi instituída no século VIII. Nessa solenidade a Igreja nos dá a oportunidade de cantarmos juntos com todos os bem aventurados, as alegrias dos céus, a qual nos também estamos destinados. Isto é muito importante. Nossa casa definitiva não é neste mundo! Aqui temos apenas uma existência passageira. Estamos destinados à glória perfeita com Deus, com seus anjos e santos.

Nós também podemos ser santos. Quando trabalhamos com ânimo no dia-a-dia. Quando suportamos com espírito forte as dores e os problemas de nossa vida, entregando tudo às mãos da Providência Divina. Quando rezamos com amor e devoção de forma regular e quotidiana. É necessário que peçamos a Deus o dom da santidade! Podemos fazer isso pedindo primeiro a graça das virtudes chamadas teologais que são. A Fé, a Esperança e a Caridade. Sim, pois nossa Fé tem de ser firme e bem construída. Depois a graça da Esperança, que nos faz desejar as coisas dos céus. Finalmente devemos ter o Amor, aquele grande amor em primeiro lugar a Deus, a Nossa Senhora, Maria Santíssima e, por extensão, aos homens.

Outras virtudes nos virão, se rezarmos sempre com grande fervor. As virtudes da Fortaleza, que nos faz suportar as dores desse mundo com firmeza e sem desânimo. A virtude da Justiça, tão necessária no mundo de hoje. A virtude da Prudência, que nos faz agir na hora certa depois de pensarmos com cuidado cada situação da vida.

A festa de Todos os Santos é uma excelente oportunidade para reflectirmos no fim último de cada um de nós. Somos cidadãos destinados a uma cidade eterna, o Reino dos Céus. Devemos caminhar por esta vida com a certeza de que Deus, por sua infinita misericórdia há de nos acolher em sua casa celeste onde já estão "uma grande multidão, que ninguém pode contar, de todas as nações, tribos e povos e línguas" como nos explica o Apóstolo São João no Apocalipse. (Ap. 7,9).

E como nos ensina o padre Francisco Fernández Claraval, "no Céu espera-nos a Virgem, para estender-nos a mão e levarmos à presença de seu Filho e de tantos seres queridos que ali nos aguardam".

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No dia 2 de Novembro, lembramos as almas daqueles que, tendo a certeza da salvação, encontram-se ainda no Purgatório, a purificarem-se dos vestígios do pecado, para poderem depois, com as suas almas imaculadas, apresentarem-se diante de Deus e com Ele viverem para todo o sempre.


"Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para não suceder que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo." (Mt 5, 25-26).

Jesus estava a falar aos Apóstolos a respeito das punições que esperam os pecadores após a morte. Antes se referira ao fogo da Geena - o Inferno -, uma prisão perpétua, eterna. Mas aqui Ele fala de um cárcere do qual se poderá sair, desde que seja pago o débito, até o último centavo.
Essa prisão temporária, um estado de purificação para os que morrem cristãmente sem terem atingido a perfeição, é o Purgatório. Lugar misterioso, mas onde reina a esperança e os gemidos de dor são entremeados por cânticos de amor a Deus.

A origem desta celebração está na famosa abadia de Cluny, quando seu quinto Abade, Santo Odilon, instituiu no calendário litúrgico cluniacense a "Festa dos Mortos", dando especial oportunidade a seus monges de interceder pelos defuntos, ajudando-os a alcançarem a bem-aventurança do Céu.

A partir de Cluny, essa comemoração foi-se estendendo entre os fiéis até ser incluída no Calendário Litúrgico da Igreja, tornando- se uma devoção habitual, em todo o mundo católico.

Sabemos que a Igreja Católica é una. É o que rezamos no Credo.
Entretanto, os membros da Igreja não estão todos aqui, entre nós, mas em lugares diversos, como diz o Concílio Vaticano II. Alguns "peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados" (Lumen Gentium, 49).

Entre a terra e o Céu não é raro acontecer, no itinerário da alma fiel, um estágio intermediário de purificação. Segundo nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, por aí passam "os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão perfeitamente purificados".
Por isso "passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu" (nº 1030).

Esse estado de purificação nada tem a ver com o castigo dos condenados ao Inferno, pois as almas do Purgatório têm a certeza de haver conquistado o Céu, mesmo que sua entrada ali tenha sido adiada por causa de seus resíduos de pecado.

A primeira epístola aos Coríntios faz referência ao exame a que serão submetidos os cristãos, os quais, havendo recebido a Fé, devem continuar em si a obra de sua santificação. Cada um será examinado no respeitante ao grau de perfeição que atingiu:

"Se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá.
O dia
(do julgamento) demonstrá- lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo" (1Cor 3, 12-15).

"Ele será salvo", diz o Apóstolo São Paulo, excluindo o fogo do Inferno, no qual ninguém pode ser salvo, e se referindo ao fogo temporário do Purgatório. Comentando este e outros trechos da Sagrada Escritura, a Tradição da Igreja nos fala do fogo destinado a limpar a alma, como explica São Gregório Magno em seus Diálogos:

"Com relação a certas faltas leves, é necessário crer que, antes do Juízo, existe um fogo purificador, como afirma Aquele que é a Verdade, ao dizer que, se alguém pronunciou uma blasfémia contra o Espírito Santo, essa pessoa não será perdoada nem neste século nem no futuro (Mt 12, 31). Por essa frase, podemos entender que algumas faltas podem ser perdoadas neste século, mas outras no século futuro".

Por que existe o Purgatório?

Será Deus tão rigoroso a ponto de não tolerar nem mesmo a menor imperfeição, limpando-a com penas severas? Esta pergunta facilmente pode nos vir à mente. Estaremos diante de um Juiz sumamente santo e perfeito, e em seu Reino "não entrará nada de profano" (Ap 21, 27). Com efeito, na presença de Deus, de sua Luz puríssima, a alma percebe em si mesma qualquer pequeno defeito, julgando- se, ela mesma, indigna de tal majestade e grandeza. Santa Catarina de Génova, grande mística do século XV, deixou uma obra muito profunda sobre a realidade do Purgatório e do Inferno.

Explica ela o seguinte: "Digo mais: no concernente a Deus, vejo que o Paraíso não tem portas e ali pode entrar quem quiser, pois Deus é todo misericórdia e seus braços estão sempre abertos para nos receber na glória; mas a divina Essência é tão pura - infinitamente mais pura do que podemos imaginar - que a alma, vendo nela mesma a menor das imperfeições, prefere atirar-se em mil infernos a aparecer suja na presença da divina Majestade. Sabendo então que o Purgatório está criado para a purificar, ele mesma se joga nele e encontra ali grande misericórdia: a destruição de suas faltas".

Essas manchas, a serem purificadas na outra vida, o que são? São os restos de apego exagerado às criaturas, ou seja, as imperfeições, e os pecados veniais, bem como a dívida temporal dos pecados mortais já perdoados no Sacramento da Reconciliação. Tudo isso diminui na alma o amor de Deus. Por causa dessas afeições desregradas se estabelece um estado de desordem em nosso interior, afastando- nos do Mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas.

Essa é a causa pela qual, antes de permitir a uma alma subir até a glória celestial, "a justiça de Deus exige uma pena proporcional que restabeleça a ordem perturbada" (Suma Teológica, Supl. q. 71, a. 1) E a alma se sujeita ao castigo do Purgatório com alegria, em plena conformidade com a vontade do Senhor.

As almas benditas do Purgatório, logo após terem abandonado o corpo inerte, discerniram a inefável e puríssima beleza de Deus, mas não podem possuí-la imediatamente. Santa Catarina de Génova usa uma expressiva metáfora para explicar essa dor:

"Suponhamos que, no mundo inteiro, exista apenas um pão para matar a fome de todas as criaturas, e que basta olhar para esse pão para ficarem satisfeitas. Por sua natureza, o homem saudável tem o instinto de se alimentar. Imaginemos que ele seja capaz de se abster dos alimentos sem morrer, sem perder a força e a saúde, mas aumentando cada vez mais a fome. Ora, sabendo que só aquele pão pode saciá-lo e que não poderá matar sua fome enquanto não o alcançar, ele sofre sacrifícios insuportáveis, os quais serão tanto maiores quanto mais longe ele estiver do pão".

Por isso, há nas almas do Purgatório um matiz de alegria no meio da dor. De forma brilhante, explica- o o Papa João Paulo II, na alocução de 3 de Julho de 1991: "Mesmo que a alma tenha de sujeitar-se, naquela passagem para o Céu, à purificação das últimas escórias, mediante o Purgatório, ela já está cheia de luz, de certeza, de alegria, pois sabe que pertence para sempre ao seu Deus".

E Santa Catarina de Génova afirma: "Estou certa de que em nenhum outro lugar, exceptuando o Céu, o espírito pode achar uma paz semelhante à das almas do Purgatório".

Isso ocorre porque a alma se fixa na disposição em que se encontra na hora da morte, ou seja, contra ou a favor de Deus, pois a liberdade humana termina com a morte. E tendo falecido na amizade de Deus, a alma do Purgatório se adapta com docilidade à sua santa vontade. Daí conservar a paz em meio a terríveis sofrimentos.

Não devemos pensar só no nosso destino pessoal, mas também nos perguntarmos como podemos ajudar aquelas almas que já estão à espera da libertação. Elas não podem fazer nada por si, pois estão impossibilitadas de alcançar méritos, e dependem de nós. Interceder por elas é uma belíssima e valiosa obra de misericórdia: de certo modo, não há ninguém mais carente do que elas.

Diversos Padres da Igreja promoveram essa prática, como São Cirilo de Jerusalém, São Gregório de Nissa, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. No século XIII, o Concílio de Lyon ensinava:
"As almas são beneficiadas pelos sufrágios dos fiéis vivos, quer dizer, o sacrifício da Missa, as orações, esmolas e outras obras de piedade, as quais, segundo as leis da Igreja, os fiéis estão acostumados a oferecer uns pelos outros".

Como é bela a devoção às benditas almas do Purgatório! É agradável a Deus e nos beneficia também, levando-nos à verdadeira dimensão cristã da existência, fazendo-nos viver em contacto e comunhão com o sobrenatural, e com o futuro, no sentido mais pleno da palavra. Como essas pobres almas nos ficarão agradecidas ao receber nosso auxílio! Poderão ser nossos parentes, ou até mesmo nossos pais. Poderá ser alguém que não conhecemos, e que nos dará uma afectuosa acolhida na eternidade. No Céu, e enquanto ainda estiverem no Purgatório, elas rezarão por nós, com todo o empenho, pois Deus lhes dá essa possibilidade.
Rezemos por essas almas necessitadas, ofereçamos- lhes Missas, dêmos esmolas por elas, façamos sacrifícios e consigamos que outras pessoas se tornem devotas fervorosas das almas benditas.

Vimos que a Igreja triunfante do céu, a Igreja militante da terra e a Igreja sofredora do purgatório, paciente, nada mais são que uma só e a mesma Igreja Católica; que a caridade, mais forte que a morte as uniu do céu à terra, e da terra ao purgatório. São como três partes duma só e mesma procissão de santos, procissão que avança da terra ao céu. As almas do purgatório participarão daquela procissão um dia. Sim, porque ainda não tem, bem brancas, as vestimentas de festa, a roupa nupcial ainda guarda nódoas, aquelas nódoas que somente o sofrimento limpa.

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Requiem aeternam dona eis Domine
et lux perpeuta luceat eis.
Requiescant in pace.
Amen.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pior cego é o que não quer ver

"Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja,
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mt 16.18)

"Suponha, caro amigo, que o Comunismo foi somente o mais visível dos instrumentos de subversão usados contra as tradições da Revelação Divina. As mensagens da Santíssima Virgem a Lúcia de Fátima preocupam-me. Esta persistência de Maria sobre os perigos que ameaçam a Igreja é um aviso do Céu contra o suicídio de alterar a Fé na Sua liturgia, na Sua teologia e na Sua alma".

"Ouço à minha volta inovadores que querem desmantelar a Capela-Mor, destruir a chama universal da Igreja, rejeitar os Seus ornamentos e fazê-lA ter remorsos do Seu passado histórico."

"Chegará um dia em que o Mundo civilizado negará o seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a acreditar que o homem se tornou Deus. Nas nossas igrejas, os Cristãos procurarão em vão a lamparina vermelha onde Deus os espera. Como Maria Madalena, chorando perante o túmulo vazio, perguntarão: "Para onde O levaram?".

Palavras do Cardeal Eugenio Pacelli, futuro Papa Pio XII, quando era Secretário de Estado do Papa Pio XI.

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"Também na Igreja reina este estado de incerteza. Acreditava-se que depois do Concílio viria um dia de sol para a história da Igreja. Veio, em vez disso, um dia de nuvens, de tempestade, de escuridão. Por algum lugar, a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus."

Papa Paulo VI, alocução papal de 30 de Junho de 1972.
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"Temos que admitir realisticamente e com sentimentos de intensa dor que hoje os Cristãos, na sua grande parte, sentem-se perdidos, confusos, perplexos e mesmo desapontados; abundantemente se espalham ideias contrárias à verdade que foi revelada e que sempre foi ensinada; heresias, no sentido lato e próprio da palavra, propagaram-se na área do dogma e da moral, criando dúvidas, confusões e rebelião; a liturgia foi adulterada. Imersos num relativismo intelectual e moral e, portanto, no permissivismo, os Cristãos são tentados pelo ateísmo, pelo agnosticismo, por um iluminismo vagamente moral e por um Cristianismo sociológico desprovido de dogmas definidos ou de uma moralidade objectiva".

Papa João Paulo II, citado em L'Osservatore Romano, 7 de Fevereiro de 1981.
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"Senhor, a tua Igreja parece-nos uma barca que está para afundar-se, uma barca que mete água por todos os lados. E mesmo no teu campo de trigo, vemos mais joio do que trigo. A roupa e a cara assim sujas da tua Igreja assustam-nos. Mas somos nós mesmos que a sujamos! Somos nós mesmos que te traímos vez após vez, depois de todas as nossas grandes palavras, os nossos grandes gestos. Tem piedade da tua Igreja: mesmo no interior dela, Adão cai constantemente. Com a nossa queda, arrastamos-Te pela terra, e Satanás ri-se, porque espera que não consigas levantar-Te; espera que Tu, tendo sido arrastado na queda da tua Igreja, fiques por terra vencido. Mas Tu levantar-Te-ás. Já Te levantas-te, ressuscitaste e podes levantar-nos também a nós. Salva e santifica a tua Igreja. "

Cardeal Ratzinger, actual Papa Bento XVI, na Via-Sacra de Sexta-Feira Santa de 2005.

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Não há como negar. O mundo enfrenta uma grave crise de Fé. Crise de Fé que abala a Igreja. Abala, mas não a destruirá, porque é Divina. Os dias de tribulação começaram. As portas do Inferno foram abertas e Deus permite que muitos demónios se espalhem pelo mundo, infiltrando-se em tudo o que podem, numa correria desenfreada, porque sabem que o tempo que lhes resta é pouco.

A Igreja continua a atravessar provações, continua a sofrer as investidas do Maligno. Mas no fim, ainda que tudo pareça perdido, resplandecerá para desgraça dos Seus inimigos e glória dos Seus fiéis. E florescerá, então, uma nova Cristandade.

Rezemos para que Nosso Senhor incuta em nós o espírito dos Cruzados, tão precisos nos tempos que correm! Que defendam a integridade da Fé até ao fim e que sejam zelosos pela salvação das almas.

Conforta-nos, por fim, a promessa da Santíssima Virgem em Fátima:

"Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará!"