quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

MEDITAÇÕES DE ADVENTO: Nossa Senhora, a Mãe que ensina a confiar.


AVÉ, MARIA, MÃE DA ESPERANÇA!
Conta-nos São Lucas, no Evangelho, que no dia da Visitação, Santa Isabel, movida pelo Espírito Santo, louvou Nossa Senhora com estas palavras: Feliz aquela que acreditou, porque se cumprirão todas as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor (Lc 1,45). Maria acreditou e, do solo fecundo da sua fé, brotou a esperança como uma planta viçosa, como uma fonte cristalina, como um diamante único, indestrutível. Por isso a Igreja A chama Mãe da santa esperança, e por isso nós A invocamos como Mãe de Misericórdia, vida, doçura e esperança nossa… Não são apenas belas palavras. Têm um conteúdo profundo. Descrevem a missão que Jesus lhe confiou em relação aos seus irmãos – a nós, que somos todos irmãos de Jesus (cf. Rm 8,29) e filhos de Maria (Jo 19, 26).
Quando Jesus nos deu Maria como Mãe, no momento solene da agonia na Cruz, quis garantir-nos a esperança. É verdade que a nossa esperança deve estar, toda ela, colocada em Deus. Deus, e só Deus, é o motivo e a fonte radical da esperança. Mas Ele deu-nos uma Mãe – a sua Mãe – para que, com o calor de seu coração, nos ensinasse a confiar; para que estendesse a mão a estas pobres crianças suas que somos nós, para que as guiasse e as introduzisse no mundo maravilhoso da esperança.
Uma das orações mais antigas dirigidas a Nossa Senhora é aquela que ainda hoje os católicos piedosos sabem de cor: “À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as súplicas que em nossas necessidades vos dirigimos, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Rogai por nós, santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo”. É uma expressão da confiança filial em Maria que nos encaminha para a esperança plena em Deus.
Na verdade, o Espírito Santo – inspirador da Sagrada Escritura – deixou-nos motivos mais do que suficientes para que aprendêssemos a confiar na “Esperança nossa”. Bastaria lembrar a cena das bodas de Caná (Jo 2,1-11), onde a petição de Maria – suave, discreta, sussurrada ao ouvido – obteve de Jesus o Seu primeiro milagre, a transformação da água em vinho.
Naquela festa de bodas, começou a faltar o vinho. Maria teve pena dos noivos. Aquilo podia estragar a alegria singela do banquete. Então falou com o Seu Filho: Não têm vinho! A resposta de Jesus pôde parecer um balde de água fria – Mulher, isto nos compete a nós? A minha hora ainda não chegou - , mas Maria não achou que fosse assim, e com toda a paz disse aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser; e não precisou de fazer mais. Jesus mandou, na hora, encher de água umas grandes talhas que lá estavam e depois indicou que fosse servido o seu conteúdo aos convidados: foi o melhor vinho da festa!
Maria Santíssima adiantou assim, misteriosamente, a hora dos milagres de Jesus. E graças a esse primeiro milagre, obtido pela intercessão da Virgem, o Evangelho diz que Jesus manifestou a Sua glória e os seus discípulos creram nele. Tudo, pela solicitude de Maria, pela ternura do Seu coração. Se Jesus fez isso, a pedido de Maria, o que não fará por nós? É como se Ele próprio nos estivesse dizendo: “Vocês vêem? Confiem na Mãe! Eu A ouvirei sempre! Ela conseguirá tudo de mim!”
A Mãe de misericórdia
É por isso que os santos e os bons teólogos A chamam a “omnipotência suplicante”, uma maneira hiperbólica – mas realista - de referir-se ao poder das súplicas de Maria diante de Jesus. São Bernardo, o “trovador da Virgem”, gostava de compará-la ao aqueduto que recebe a água da fonte (a água da graça, da fonte que é Deus) e a faz chegar a nós, da mesma maneira que um aqueduto recolhia então a água das montanhas e a conduzia até os povoados. E assim dizia: “Recebendo a plenitude (da graça) da própria fonte do coração do Pai, no-la torna acessível… Com o mais íntimo, pois, da nossa alma, com todos os afectos do nosso coração e com todos os sentimentos e desejos da nossa vontade, veneremos Maria, porque esta é a vontade daquele Senhor que quis que tudo recebêssemos por Maria”.
Que confiança, que consolo isto nos dá! Não é verdade que, às vezes, o que mais nos custa é esperar na misericórdia divina, porque vemos que não a merecemos, e que Deus, sendo justo, deveria castigar-nos, especialmente depois de tantos arrependimentos efémeros, de tantas reincidências meio cínicas? E, no entanto, nem no pior dos casos devemos desesperar da misericórdia de Deus, mesmo que nos sintamos afundados – como o filho pródigo - na mais espessa, suja e viscosa lama do pecado. Nessa triste situação, ninguém como Maria para ajudar-nos a confiar na misericórdia de Deus. Ela é Mãe. Não tenhamos medo, por mais sujos e machucados que estejamos. Ela não deixará de propiciar um bom banho aos seus meninos. Ela nos moverá a ter arrependimento, ela nos levará – se for preciso, pela orelha — até à confissão, e nos carregará finalmente no colo, limpos e felizes.
Se eu fosse leproso – escrevia São Josemaría Escrivá -, a minha mãe abraçar-me-ia. Sem medo nem repugnância alguma, beijar-me-ia as chagas. – Pois bem, e a Virgem Santíssima? Ao sentir que temos lepra, que estamos chagados, temos de gritar: Mãe! E a protecção da nossa Mãe é como um beijo nas feridas, que nos obtém a cura”.
A poderosa intercessora
A confiança em Nossa Senhora sempre foi tão grande entre os bons cristãos, que alguns até “exageraram”. Mas exageraram de uma maneira bonita, assim como se amplia um detalhe de uma flor belíssima, muito além do seu tamanho normal, para poder apreciá-la melhor. Não há “mentira” nisso! Um exemplo entre mil são uns versos do “poeta da esperança”, o francês Charles Péguy, que põe na boca de Deus Pai as seguintes palavras (deliciosamente “exageradas”):
“Eu não vi no mundo - diz Deus - nada mais belo que uma criança que adormece fazendo a sua oração (…).[o poeta estende-se, em versos tocantes, falando da maravilha que é a criança que dorme rezando, e aí nenhuma das coisas bonitas que diz é exagero].
“Nada é tão belo! – continua a dizer Deus -. E este é mesmo um ponto em que a Virgem Santa está de acordo comigo. Lá em cima (no Céu).
“Inclusive, eu posso dizer que este é o único ponto em que estamos plenamente de acordo. Pois geralmente os nossos pareceres são contrários.
“Porque ela está do lado da misericórdia,
“E eu…, bem, é preciso que eu esteja do lado da justiça”.
Esses versos fazem sorrir (e até comovem um pouquinho), mas são verdadeiros pelo sentimento de confiança em Maria que transmitem. Junto d'Ela, só um cego espiritual, um tolo… ou um demónio, podem perder a esperança.
Foi assim que o entenderam os cristãos desde o começo. Não podemos esquecer o que nos mostra a Sagrada Escritura, nos Actos dos Apóstolos, logo depois da Ascensão do Senhor. Jesus tinha-se despedido recomendando aos seus que permanecessem em Jerusalém, até que sejais revestidos da força do Alto (Lc 24,49), ou seja, até a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Pois bem, no livro dos Atos diz-se que todos - os Apóstolos, os discípulos, as santas mulheres – obedeceram, e se reuniram, durante dez dias, no Cenáculo, com Maria, a Mãe de Jesus. Lá, junto dela, como uma família apinhada em torno da mãe, perseveravam unanimemente na oração (At 1,14) . Junto de Nossa Senhora, tornava-se fácil cumprir o que Jesus mandara. Sempre é assim! A única coisa que ela nos pede é o que pediu aos serventes de Caná: Fazei tudo o que Ele vos disser. E ela fica junto de nós para nos ajudar a cumpri-lo.
Por isso, uma vida espiritual impregnada de devoção a Nossa Senhora é uma vida espiritual sadia, voltada inteiramente para o cumprimento da Vontade de Deus. “Antes, sozinho, não podias… – dizia Mons. Escrivá -. – Agora, recorreste à Senhora, e, com Ela, que fácil!”
Quem quer a graça de Deus, a Ela recorre
É uma experiência universal na história do cristianismo. Dante Alighieri deixou-a maravilhosamente expressa no canto trinta e três do “Paraíso” da “Divina Comédia”, o último canto do livro, que começa com uma oração de São Bernardo à Virgem Maria, um cântico que, entre outras coisas, diz assim:
“Ó Virgem mãe, filha do teu Filho,
humilde e alta mais que criatura alguma,
termo imutável dos desígnios divinos [...]
…Cá no Céu, tu és para nós sol radiante
de amor; e em baixo, entre os mortais,
és uma fonte viva de esperança.
Senhora, és tão grande e tanto podes,
que quem quer graça e a ti não recorre
o seu desejo quer voar sem asas. [...]
…Em ti, misericórdia; em ti, piedade,
em ti magnificência, em ti se junta
quanto há nas criaturas de bondade…."
Mesmo que a tradução faça perder o sabor inexprimível do texto italiano, mantém a alma desses versos.
Anteriores a Dante são umas palavras anónimas, cheias de devoção, que alguém rabiscou num manuscrito medieval, falando das rosas que compõem o “rosário” de Maria: “Quando a bela rosa Maria começa a florescer, o -Inverno das nossas tribulações se desvanece e o verão da eterna alegria começa a brilhar”. É popular, é muito simples, mas é muito expressivo.
Confiar em Maria como uma criança confia na mãe
Na realidade, a nossa confiança em Maria não só deve ser simples – como a fé do povo mais simples - , mas deve adquirir a pureza e a singeleza total da infância. Podemos dizer que a nossa confiança só será perfeita quando, como Jesus nos pede, nos transformarmos e nos fizermos como crianças (Mt 18,3).
(...)
Agradeçamos a Jesus a Mãe que nos deu, porque – com Ela – é impossível perder a esperança. Digamos-lhe, com palavras da antiqüíssima antífona Salve, Rainha: Vida, doçura e esperança nossa, esses Vossos olhos misericordiosos a nós volvei!

A FUGA DAS OCASIÕES DE PECADO

I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas

Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no Inferno não se lastimam e queixam: "Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!"

Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, pela sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretém com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado devido às suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos.

O Espírito Santo diz: “Quem ama o perigo nele perecerá” (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Sena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado.

Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O Demónio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o Demónio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: “O vosso adversário, o Demónio, rodeia-vos como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o Demónio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação.

Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao Demónio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus.

Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: “Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti” (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti.

Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto.

É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele.

Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Fil 2, 12): “Com temor e tremor operai a vossa salvação”. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará.

II. De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente

Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. “Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma”, diz S. Bernardo (De modo bene viv., c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: “Desviai vossos olhos de uma mulher adornada” (Ecli 9, 8).

Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objectos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens.

Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto.

O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Sena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.

Quando ouvires alguém a conversar sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado os seus companheiros por estarem a falar sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.

Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.

Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas.

Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): “Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção”. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes.

Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. “Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado”, diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do Demónio, nas quais há danças, namoros, canções impúdicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há danças, celebra-se uma festa do Demónio, diz Santo Efrém.

Mas que há de ruim quando se graceja?, dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão.

Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação; esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras.

III. Fúteis objecções contra as sobreditas verdades

Objectar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o Demónio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do Demónio, porque se expuseram ao perigo.

A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé.

- Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que “aquela casa é o caminho para o Inferno” (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião.

Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: O Demónio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado.

Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes.

Ainda uma observação importante:

Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranquilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.”

(Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)

Fonte

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

"A CULTURA DO MAL" - Sobre o homossexualismo em particular, aplicável a todos os males, vícios e pecados em geral.

Por: Pe. James V. Schall, S. J.

Com cerca de 15 anos na National Review, Robert Reilly - conhecido pelo seu livro The Closing of the Muslim Mind (O fechar da mente muçulmana) - escreveu um importante ensaio intitulado "A Cultura do Vício". Volto-me para este breve e excelente artigo que explica melhor do que outros que tenho lido sobre o que aconteceu recentemente com a cultura e as razões que a isso conduziram.

Reilly começa com a famosa frase de Aristóteles sobre facto de os homens encetarem mudanças revolucionárias motivados pelas suas próprias "vidas privadas". Por sua vez, como já antes teria ensinado Platão, uma desordem da alma, especialmente das almas dos importantes, talentosos e atraentes, se não for corrigida, pode terminar, eventualmente, numa desordem do governo.

Reilly explica o processo pelo qual, essencialmente, o mal e o bem mudam de lugar mediante o costume e a lei. O mal permanece sempre o mal. O bem permanece sempre o bem. Isso não muda e não pode mudar. No entanto, pode pretender-se que eles se transformem um no outro.

O "Vício" é um termo técnico. Trata-se de uma forma equivocada ou errada de viver, em que nos habituamos sempre escolher o mal acima do bem. A nossa liberdade é tal, que podemos fazer isso. A "Virtude" é o oposto do vício.

Aos hábitos que, usualmente, nos fazem escolher pelo bem, mas nem sempre, Aristóteles chamou de "continentes" e aos que nos fazem escolher pelo mal, mas nem sempre, de "incontinentes". Ele considerava que a maioria das pessoas pertencia a uma das duas posições intermediárias.

No entanto, Aristóteles estava ciente da probabilidade de que aqueles que escolheriam mal em sua própria alma corromperiam o resto da sociedade. O processo de transformar o bem em mal é o que Reilly chama de "cultura do mal".

Essencialmente, este é um processo que C.
S. Lewis assinalou uma vez: fazer o mal como um bem e o bem como um mal,embora, na realidade, isto não possa ser feito. O que se pode fazer é dar a impressão de que se pode, e para isso existe o poder da opinião pública e o direito positivo.

Reilly demonstra esse processo nos casos de aborto e de homossexualismo, que agora são considerados "direitos" e "virtudes". Ambos permanecem o que são, independentemente, é claro, de como são chamados. Ou seja, os seus efeitos corruptores manifestam-se, embora nos recusamos a reconhecê-los.

O que é brilhante, neste ensaio, é uma visão clara do processo que faz com que aquilo que era originalmente visto como um vício, venha a ser chamado de "virtude" ou "direito", tendo em conta que a primeira questão sobre a “virtude“ não aparecer inicialmente na esfera pública.

As etapas gerais do processo são os seguintes: o primeiro é a solidariedade-compaixão. Não se reconhece uma lei natural para as coisas, especialmente para os assuntos humanos, nos quais se englobam estes vícios. Procura-se
a compaixão para alguém que os pratique. Se a pessoa se recusar arrepender-se e pedir perdão, então tem que odiar o mundo que define o vício como um vício. Volta-se contra o mundo e não contra a sua alma.

Todos querem aprovação. Por isso, a tolerância do vício é o segundo passo: considera -se que se está perante um caso excepcional, pelo que passa quase despercebido. É um assunto puramente privado. Mas é o que queremos. Não podemos aceitar a distinção entre práticas e tendências. Nós temos "direito" de praticar o nosso vício e aproveitamos que a palavra “direito” é confusa, mas poderosa, na nossa cultura.

Continuando, então, se temos um "direito", nada pode estar errado ou mal nos nossos hábitos. Aqueles que insistem que algo está errado "discriminam". A lei deve garantir o nosso "direito" a praticar aquilo que definimos como bom. Para isso, temos de eliminar do mundo qualquer sinal que dê a perceber porque algumas actividades são más ou não naturais.

Desenvolvemos uma teoria do cosmos, que não revela nada do que somos.
Desta forma, a nossa liberdade acaba por se referir ao "direito" de nos modelarmos a nós mesmos para sermos qualquer tipo de ser que queremos Assim, não existe normalidade no ser humano.

A etapa final faz com que aquilo que se chamou de virtude e seja um vício, seja definido na lei civil. Ninguém pode questionar a legitimidade do vício que se converteu em virtude. Toda a estrutura da educação, governo, trabalho, exército e religião devem estar em conformidade com a "nova lei", que agora governa tudo.

Quando visto dessa forma, podemos ver claramente que este é o processo no qual a civilização ocidental se tem mantido no passado recente. Vícios "privados" tornaram-se leis públicas impostas a todos.
É tudo muito lógico, como geralmente é o vício. A descrição que Reilly fez da projecção dos nossos vícios internos na cultura é fascinante.

O que também é fascinante sobre esta análise é a percepção de que ninguém pode viver simplesmente com os seus próprios pecados, não dando conta do que eles são na realidade.Terminamos insistindo para que os nossos pecados sejam reconhecidos como um bem. O Cristianismo acredita há muito tempo que os pecados puramente "privados" não existem.O ensaio de Reilly explica por que isso acontece.
É, como eu disse, um ensaio excepcional.

James V.
Schall, SJ, é professor da Georgetown University e um dos mais prolíficos escritores católicos na América.
Oeu o livro mais recente é “A mente que é católica”.

Fonte (tradução e destaques meus)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

"O Demónio pode vencer algumas batalhas, ainda que sejam importantes. Mas jamais a guerra."

“Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do Demónio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos que lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal espalhadas pelos ares” (Ef 6,11-12).

Parte da entrevista com o Padre Exorcista do Vaticano, Gabriele Amorth:

(...)

- O Sr. combate o Demónio quotidianamente. Qual é o maior sucesso de Satanás?

AMORTH: Conseguir que não creiam na sua existência. Quase conseguiu. Também dentro da Igreja. Temos um clero e um episcopado que já não crêem no Demónio, nos exorcismos, nos males extraordinários que o Diabo pode fazer, e tampouco no poder que Jesus concedeu de expulsar os demónios.

Há três séculos que a Igreja latina - ao contrario dos orientais e de várias confissões protestantes - abandonou quase completamente o ministério dos exorcismos. Sem praticá-los, estudá-los nem vê-los, o clero já não crê.

Já não crê tampouco no Diabo. Temos inteiros episcopados contrários aos exorcismos. Há nações completamente carentes de exorcistas, como a Alemanha, a Áustria, a Suíça, a Espanha e Portugal. Uma carência assustadora.

(...)

- O que aproveita o Demónio para seduzir o homem?

AMORTH: Ele tem uma estratégia monótona. Disse isso a ele, e ele o reconhece... Leva a crer que o Inferno não existe, que o pecado não existe, sendo só uma experiência mais a fazer. Concupiscência, sucesso e poder são as três grandes paixões nas quais Satanás insiste.

(...)

- Ao Sr. o Demónio nunca fez nada de mal?

AMORTH: Quando o cardeal Poletti me pediu para ser exorcista encomendei-me a Nossa Senhora. "Envolvei-me no vosso manto e estarei seguríssimo". O Demónio fez-me tantas ameaças, mas nunca me causou dano algum.

- O Sr. não tem medo do Demónio?

AMORTH -. Eu, medo daquele estúpido? É ele que deve ter medo de mim: eu ajo em nome do Senhor do mundo. E ele é só o macaco de Deus.

- Padre Amorth, o satanismo difunde-se cada vez mais. O novo Ritual torna difícil fazer exorcismos. Impede-se aos exorcistas a participação numa audiência papal na Praça de S. Pedro. Diga-me sinceramente: o que está acontecendo?


AMORTH: A fumaça de Satanás entra em todas as partes.

- Em todas as partes!?

Talvez tenhamos sido excluídos da audiência do Papa porque tinham medo de que tantos exorcistas conseguissem expulsar as legiões de Demónios que se estabeleceram no Vaticano.

- Está a brincar, não?

AMORTH: Pode parecer um modo de dizer, mas creio que não seja. Não tenho dúvida alguma de que o Demónio tenta sobretudo os postos altos da Igreja, como tenta os postos altos da política e da indústria.

-Também aqui, como todas as guerras, Satanás quer conquistar os generais adversários?

AMORTH: É uma estratégia vencedora. Sempre se tenta efectuá-la.

Sobretudo quando as defesas do adversário são fracas. E também Satanás tenta. Mas ainda bem que existe o Espírito Santo que sustém a Igreja: "As portas do inferno não prevalecerão". Apesar dos abandonos.

Apesar das traições, que não devem surpreender. O primeiro traidor foi um dos apóstolos mais próximos a Jesus, Judas Iscariotes. Mas apesar disso a Igreja continua no seu caminho. Mantém-se em pé pelo Espírito Santo, portanto toda a luta de Satanás pode ter somente sucesso parcial. Claro, o Demónio pode vencer algumas batalhas. Inclusive importantes. Mas jamais a guerra.

Fonte (entrevista na íntegra) - Apostolado Tradição em Foco

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Sede o nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do Demónio. Subjugue-o Deus, nós o pedimos. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, pelo poder divino, precipitai no Inferno a Satanás e aos espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas. Ámen.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

MEDITAÇÕES DE ADVENTO: Maria Santíssima, Virgem antes, durante e após o parto.

“Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?”
(Lc 1,34).


“A integridade física de Maria é considerada essencial à verdade de fé da concepção virginal de Jesus”
(Papa João Paulo II)

Deus é eterno e tudo o que faz, o faz com um propósito eterno, isto é, fá-lo para a eternidade visando à salvação de todos os seus filhos. É certo afirmar que todo o conhecimento da parte de Deus para nós é revelação, visto que, o Senhor tira o véu do nosso entendimento para que compreendamos os seus desígnios de amor a nosso respeito. É como escreveu são Paulo: “Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amén. (Rm 11,33-36).

Porém, não podemos esquecer que “o Senhor nada faz sem revelar seu segredo aos profetas, seus servos. Porque “o leão ruge, quem não temerá? O Senhor fala: quem não profetizará? (Amós 3,7-8). Logo, quando tratamos da Virgindade de Nossa Senhora, o fazemos baseados na revelação que o Senhor faz por meio do profeta Isaías: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Connosco”. (Is 7,14).

Virgem antes do parto

O primeiro testemunho da virgindade de nossa Senhora antes do parto, no Novo Testamento, está no relato de São Lucas, aquando da encarnação do Verbo: “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de David e o nome da virgem era Maria”. (Lc 1,26-27). O segundo é da própria Virgem depois do anuncio do Anjo de que ela seria Mãe do Filho de Deus: “Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?” (Lc 1,34). Aqui vemos perfeitamente a Divina Providência em acção.

Virgem durante o parto

“Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”. (Lc 1,35). Ora, o facto de Maria conceber um filho sem a incursão de homem algum, só isso já diz do verdadeiro milagre que envolve e revela a integridade física-moral da Virgem Mãe de Deus em todos os sentidos. Quando o Anjo Gabriel A saudou, disse o quanto esse misterioso desígnio de amor do Senhor, lhe é peculiar e único; pois, assim disse o Anjo: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. (Lc 1,28). Logo, entendemos que quem concebeu pela via da graça virginalmente, também virginalmente pela via da graça fez “nascer” Aquele que é o Senhor da Vida.

Virgem após o parto

Quem tem o prazer de conceber e dar à luz ao Eterno, ao Eterno pertence unicamente, pois, ao fazer a afirmação “Como se fará isso, pois não conheço homem?” (Lc 1,34 ), a Virgem Santíssima, pela iluminação do Espírito Santo, carregava consigo o propósito da castidade perpétua, mesmo desposada pelo justo José, pois, ser justo significa se ajustar aos Propósitos do Senhor como resposta à Sua Vontade revelada no mais íntimo da alma. Quem vive neste mundo a Vontade de Deus, nada mais deseja fora de Sua Vontade, ou seja, nada faz fora do Plano da Salvação ou ainda, tudo o que faz é cumprimento do Plano da Salvação. Portanto, em Maria, Deus fez cumprir-se todo o seu Plano de Amor ao fazer dela Seu Templo Vivo e Eterno, Casto e Santo, de Beleza Inigualável.

Fonte - Brasil Franciscano (adaptado)

HOMOFOBIA ou o direito de seguir o que ensina a Santa Igreja Católica Apostólica Romana e testemunhar a Fé livremente?

"Assim, decidi promulgar hoje a lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo."
(Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, 17 de Maio de 2010, três dias após a visita do Santo Padre Bento XVI a Portugal).

O anúncio da lei infame e imoral aqui.


QUE DEUS PERDOE E TENHA PIEDADE DE PORTUGAL!

"A legalização das uniões homossexuais é contra toda a lei, quer a lei moral natural, quer positiva.

É contra o verdadeiro bem e destrói directamente a pessoa humana como tal. É contra a ordem natural das coisas.

Em primeiro lugar, o homossexualismo destrói toda a lei natural e positiva, toda a Moral, toda a Ética positiva humana, porque estabelece como critério da acção humana e sua conduta moral, não o dever, mas o próprio gosto e prazer: é estabelecer como legítimo que posso matar, roubar, etc., desde que me apeteça.

Consequentemente, seria também legítimo usar o sexo conforme me apetecer, como se fosse um bem absoluto em si mesmo e cada qual um senhor absoluto das coisas. Neste mesmo sentido faz-se propaganda nas farmácias, e não só, que devemos usar o preservativo porque é “o prazer de sentir”. Ora, “o prazer de sentir” é o prazer próprio dos animais, porque não têm entendimento, mas só instinto. Ao contrário, o prazer próprio e digno do homem é o prazer de cumprir o seu dever, a lei, aquilo que é justo e a que tem direito.

Em segundo lugar, o homossexualismo destrói no homem o verdadeiro bem e consequentemente a sua verdadeira felicidade de viver e também o que ele é e tem de maior valor, a sua própria pessoa. Realmente, só Deus é o verdadeiro Bem e felicidade, do Qual dependem todos os outros “bens” inferiores, por participação, pois, sendo Deus a própria existência for D´Ele é o nada. E se, pois, existe ou venha a existir uma criatura, é precisamente porque, pela sua própria constituição e natureza, está feita para poder receber a existência, ou seja, tender para este Bem, recebê-lo e ceita-lo, senão tenderia para o nada e a destruição de si mesma.

Daqui nasce logicamente o primeiro e fundamental mandamento da lei natural: “Adorar a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas”. O sexo, portanto, assim como qualquer ser criado, não é um bem em si mesmo, mas um meio, um útil para conquistarmos, atingirmos e servirmos a Deus, a Existência e a Vida, com a sua mais profunda característica, a geração, a procriação, ou seja, o amor e entrega de si mesmo aos outros. Ser, pois, homossexual é mais uma das muitas maneiras práticas de ser ateu, de negar o verdadeiro e único Bem absoluto, Deus, e legalizar a homossexualidade é legalizar o ateísmo e o laicismo ateu e maçónico e combater oficialmente a Religião.

Por outro lado, o homossexualismo destrói directamente aquilo que cada um é, reduzindo-o à pura e degradante animalidade. Realmente, o homem não é um sexo! O homem é composto de três partes. Não são “cabeça, tronco e membros”, porque isso também um burro o é! As três partes do homem são: corpo, alma e pessoa. O corpo e alma constituem a sua natureza e a pessoa a existência dessa natureza. A sr.ª Maria, o sr. João etc., não são, em si mesmos, propriamente homens, natureza, mas são existências livres, responsáveis, são pessoas, donos do seu corpo e da sua alma.

Portanto, o amor do corpo é paixão, instinto, homossexualidade; o amor à alma de alguém, às suas qualidades, é apenas admiração, mas só o amor à pessoa é que é o amor verdadeiro, digno e para sempre, ou seja, e o amor-amizade, só próprio das pessoas entre si. Como este amor-amizade é o amor à pessoa, ou seja, à existência, é também o amor com que devemos amar a Deus, porque Deus é uma existência absoluta e a pessoa humana é uma existência por participação, criada por Deus.

Existe, pois, o amor-paixão, o amor admiração e o amor-amizade. Mas os homens confundem o amor-paixão e o amor-admiração com o amor-amizade. O amor-paixão e o amor-admiração são amor das naturezas, das coisas enquanto nos agradam e nos atraem e satisfazem o nosso egoísmo e amor próprio ou instinto. O amor-amizade, ao contrário, é amor da existência, da pessoa, amor pessoal e responsável, amor daquilo que cada um é principalmente: os animais, por exemplo, e infelizmente também nós muitas vezes, não têm a verdadeira amizade, porque os animais não amam os filhos ou o dono, mas amam-se a si mesmos nos filhos, ou seja, somente enquanto sentem atracção por eles, enquanto eles estão conforme o seu gosto, portanto, sempre com certo egoísmo.

Em terceiro lugar, a homossexualidade e a sua deplorável legalização são contra a vida e contra a ordem racional das coisas: pois tudo deve ser para a vida e não para o prazer e proveito próprios, como objectivo e fim principal. Realmente, nós não vivemos para trabalhar, mas trabalhamos para viver; nós não vivemos para comer, mas comemos para viver; de igual modo, nós não vivemos para o sexo, mas o sexo é para a vida, para valorizar e transmitir a vida, como acontece, aliás, com todas as naturezas vivas. Por exemplo, uma árvore que não dá fruto ou semente desaparece ou então deve ser cortada para queimar.

A legalização da homossexualidade é, além disso, contra a Constituição portuguesa.


Primeiro, porque a Constituição portuguesa defende o bem comum de toda a Sociedade, de todos os portugueses, ou seja, um bem que sirva a Comunidade que todos formamos e não para ser inútil e egoísta. Uma vida que se fecha sobre si mesma não e vida é morte!

(...)

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O homossexualismo é condenado na Bíblia e pela Igreja Católica.

O homossexualismo é condenado directa e explicitamente por Deus como uma aberração monstruosa, um dos pecados que “bradam aos Céus”, através de factos históricos da História do Povo Judeu no A.T. e através da Igreja Católica onde Deus continua a falar-nos e convencer-nos com verdadeiros milagres a comprovar a Sua Palavra: ver Sodoma e Gomorra, no livro do Génesis, c. 19. Ver também S. Paulo na carta aos Romanos, c. 1 de 18 a 32. O pecado dos homossexuais é um pecado que “brada aos Céus”, e chama-se o pecado da sodomia, porque Sodoma, cidade da Palestina, onde se praticava a homossexualidade foi destruída pelo fogo , por castigo de Deus, como aviso também para o futuro.

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Dizem os defensores da homossexualidade: mas o homossexual não pode ser condenado, porque a homossexualidade já vem com ele desde o nascimento, é um tendência da sua natureza, à qual ele não pode resistir.

Resposta: Se fosse uma tendência da natureza humana, então todos os homens teriam esta tendência, pois o que é da natureza existe em todos os indivíduos dessa natureza, o que é impossível, porque toda a natureza viva tende para reproduzir-se, para a procriação. Em segundo lugar, se isso fosse verdade, Deus não teria castigado todos emSodoma e Gomorra, pois matou todos e todos portanto eram culpados e o seu homossexualismo era culpado e não da natureza. Se pois não é uma tendência da própria natureza, segue-se que o homossexualismo vem duma má educação e convivência doentia continuada das mesmas pessoas.

Se isso fosse verdade, o hermafrodita seria necessariamente homossexual, o que não é verdade.

Também o que vem destruir essa opinião é o facto de haver pessoas que tanto “gostam” de homens como, ao mesmo tempo “gostam de mulheres”. Também se poderia dizer que, se fosse o homossexualismo devido à constituição física biológica de cada um, então nas farmácias poderíamos encontrar medicamentos para fazer homossexuais e lésbicas, o que não é verdade.

Tudo isto que acabo de dizer, ou seja, que a homossexualidade não é de origem biológica nem de origem psíquica, é confirmado pela palavra do próprio Deus na Bíblia: em S. Paulo, na Epístola aos Romanos, c.1, 18-28: “A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça oprimem a verdade (da existência de Deus)… Por isso Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundice, de modo que desonraram entre si os próprios corpos … entregou-se a paixões vergonhosas… contra a natureza”.

Portanto, o homossexualismo vem do desprezo da verdade absoluta da lei natural e da Fé e da Moral."

(...)

Com adaptações de alguns termos. Original aqui.

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A ideologia gayzista, que alguns gostam de chamar "casamento" a uma caricatura do mesmo, é uma autêntica armadilha para a nossa legítima autonomia de pensamento e aqueles que não as aprovam correm o risco de ser condenados a uma espécie de marginalização cultural e social. É o caso das pessoas - crentes ou não - ainda com um pingo de MORAL, de consciência, lucidez e discernimento.


A ideologia gayzista vai contra a dignidade do Homem e contra a sua natureza, intrinsecamente anti-cristã.

O emparelhamento homossexual - a que gostam de chamar "casamento" - NÃO É casamento. Ponto final.

Como um "direito humano básico", o direito ao casamento deriva da natureza humana, exigindo esta que o casamento seja a união de UM HOMEM e de UMA MULHER, sendo a cooperação de ambos necessária para a realização do principal objectivo do casamento, que é a procriação e educação dos filhos, ou seja constituir FAMÍLIA e não uma caricatura dela, as falsas "famílias", chamadas de "alternativas".

O "casamento" entre duas pessoas do mesmo sexo não é baseado na natureza humana.

Portanto, não é casamento, portanto, NÃO EXISTE "Direito humano básico" para os emparelhamentos homossexuais.

Quando um Estado - vergonhosa e infelizmente não o nosso - proíbe a união entre duas pessoas do mesmo sexo, não viola o direito humano básico para o casamento, nem um direito de escolher livremente um cônjuge, porque essa união NÃO É UM CASAMENTO, e esse "casal" sodomita, ainda que possa - Deus nos guarde e que a Rainha de Portugal interceda a nosso favor - cometer o abominável e monstruoso acto de adoptar crianças, NÃO CONSTITUEM UMA FAMÍLIA.

Além disso, através da adopção de leis que permitem indivíduos emparelharem-se legalmente com pessoas do mesmo sexo "casamento", o Estado viola as suas próprias finalidades, que é garantir o bem comum da sociedade e salvaguardar a moralidade pública.

A embalagem não altera substância. Logo, um chamado de "casamento", na verdade NÃO O É.

NÃO EXISTE.

Enfim, todos os nossos esforços e coragem para combater esta praga são poucos, pois é de vital importância para toda a humanidade que se respeite o VERDADEIRO amor, a Lei Natural e os Dez Mandamentos, e se viva na ordem social que deles deriva.

Adaptado de: Livro DEFENDING A HIGHER LAW-Why We Must Resist Same-Sex “Marriage”and the Homosexual Movement