quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"Isto é deprimente e eu tenho muito mas mesmo muito mais o que fazer!"

Farto das BALELAS dos últimos dias, faço minhas algumas palavras da Teresa:

"Sabem o que vos digo?

Que isto é deprimente e eu tenho muito mas mesmo muito mais o que fazer.

Há bocas para alimentar, há doentes para confortar, há presos para visitar, há crianças a viver nas ruas, sem escolaridade, sem pão e sem amor... há mendigos, gente marginalizada de todas as formas, há gente miserável, miserável, mas miserável a valer.

Eu já vi tanta mas tanta miséria na minha vida e nunca abdiquei dos meus princípios e ideais.

Há gente que sofre o inenarrável no corpo e/ ou na alma. Há gente que precisa de amor, conforto, esperança, consolação e, sobretudo, escuta e compreensão. Há muito, muito a ser feito pela humanidade necessitada.

Por isso odeio com todas as minhas forças os progres malditos destruidores. Porque eles não fazem absolutamente nada, de nada, mas nada igual a nada, para ajudar ninguém - fora dos seus estúpidos códigos de desonra e imoralidades.

Por isso me irritam os trads que, com tanto rigor e austeridade, e sem um pingo de humanidade e amor, condenam, condenam, condenam.

Há que haver um equilíbrio entre aquilo que são os nossos princípios - a santa intransigência e inflexibilidade a eles devotadas - e uma profunda humanidade - aquilo que nos torna iguais uns aos outros, todos da mesma condição débil humana.

Não se abdica dos valores por uma falsa compreensão do mundo e de amor a quem sofre; mas também não se pode abdicar de uma compreensão real, efectiva e profunda da dor do outro por uma estúpida austeridade inflexível - por isso sou sim, e sempre serei, contra a infame pena de morte, até à mais monstruosa criatura que houver sobre a terra!

Se todos os trads pusessem a mão na massa, se todos trabalhassemnas prisões, nos lares de infância, nos hospitais, nas ruas - a distribuir, mais do que roupas e alimentos, amor e conforto -, se todos fizéssemos a nossa parte e puséssemos amor em tudo, os progres não teriam a mais mínima oportunidade de distribuir preservativos, pura e simplesmente porque nós tínhamos dominadas as mentalidades para Cristo e para o Seu reino.

Mas os católicos - como eu, como vocês - gostamos é de estar sentados à porcaria do computador sem fazer um pingo de nada pelos outros, e ainda servimos - e bem! - para criticar e julgar tudo e mais alguma coisa, do alto da nossa soberba e arrogância, petulância e altivez.

Há muita miséria no mundo. Peguem nos terços, peguem nos catecismos, peguem nos princípios e vamos lutar para salvar vidas - seja de quem for.

Aí sim, e só aí, poderemos ter verdadeira moral para falar dos malditos infiltrados que nos querem destruir a Igreja.

(...)

Por isso, estou-me já nas tintas para esta porcaria de internet e de lutas por batalhas perdidas. Vou é pôr a mão na massa no mundo real onde todos: ateus, protestantes, justos e pecadores, monstros e santos, precisam de mim."

Concordo.

E JÁ ME ESTOU A BORRIFAR PARA OS PRESERVATIVOS, BORRACHAS, PILULAS, FRASES PAPAIS SOBRE PROSTITUTOS, PROSTITUTAS (COMO SE O MUNDO DEPENDESSE DE UM "A" OU DE UM "O" - GRANDE DILEMA!!!!!), OU QQ M * * * SEM IMPORTÂNCIA.

Há gente que precisa de nós, e nós a PERDER TEMPO, energia, teclado e neurónios a discutir o "diz que disse".

Já chega!

BATALHA PERDIDA. PONTO FINAL.

HÁ MAIS QUE FAZER QUE LAMENTAR OU APLAUDIR O "USO - NÃO USO" DE LÁTEX! -.-'

"Não esperemos que venha de Roma um chamamento à penitência, da parte do Santo Padre, para todo o mundo" (Irmã Lúcia)

Algo está errado.

A ONU exulta com as palavras do Papa.

A OMS saúda as palavras do Papa.

As organizações LGTB (raios parta, o alfabeto não lhes chega. Numa palavra: os depravados sodomitas todos!) aplaudiram as palavras do Papa.

A nossa Ministra da Saúde, congratulou-se com as palavras do Papa.

Os Januários, Anselmos, Idílios, e companhia rejubilam com as palavras do Papa.

Os inimigos dão vivas às palavras do Papa e só lamentam "terem vindo tão tarde" (sic).

Os liberais e progressistas alegram-se com as palavras do Papa.

Os fiéis menos esclarecidos confusos. Os mais esclarecidos ridicularizados.

É este o balanço das imprudentes palavras do Papa.

Tudo porque foram enganados - mais uma vez - pelos media.

Ou talvez nem tanto assim!

Vejam aqui a pérola que o porta voz do Vaticano diz, tentando justificar as palavras do Santo Padre.

(...)

O porta-voz do Vaticano, reverendo Federico Lombardi, disse aos jornalistas terça-feira que perguntou ao Papa se ele destina os seus comentários aos prostitutos.

"Eu, pessoalmente, perguntei ao Papa se havia algum problema sério na escolha do masculino ou do feminino na palavra 'prostituto', disse Lombardi.

"Ele disse-me que não. O problema é este. É o primeiro passo de assumir a responsabilidade, de levar em consideração o risco de a vida do outro com quem tem um relacionamento", acrescentou.

"Isto é, se você for uma mulher, um homem ou um transexual. Estamos no mesmo ponto, que é o primeiro passo para a responsabilidade de evitar passar a infecção de uma pessoa para a outra", disse Lombardi."

(...)

As palavras do papa e a explicação de Lombardi eram ainda saudadas como um avanço pelos católicos liberais, activistas e funcionários de saúde.

WHAT?????????????

A MEDIA AUMENTA. AUMENTA SEMPRE. DETURPA MUITO.
MAS NÃO HÁ COMO FUGIR.
ESTAS DECLARAÇÕES SÃO REALMENTE UM ESCÂNDALO.

AGORA SIM. ADMITO.
É OFICIAL.
ESTAMOS NAS TREVAS.
SOZINHOS.

RAZÃO TINHA A IRMÃ LÚCIA:

"Não esperemos que venha de Roma um chamamento à penitência, da parte do Santo Padre, para todo o mundo; nem esperemos também que tal apelo venha da parte dos Senhores Bispos para cada uma das Dioceses; nem sequer, ainda, das Congregações Religiosas. Não. Nosso Senhor usou já muitos destes meios e ninguém fez caso deles. Por isso, agora... agora que cada um de nós comece por si próprio a sua reforma espiritual: que tem que salvar não só a sua alma mas também todas as almas que Deus pôs no seu caminho (...)."




terça-feira, 23 de novembro de 2010

"Senhores Jornalistas: O Papa não aprovou o uso de preservativos."



No seguimento de um pedido de um leitor, o Alex, vai aqui a tradução que ele recebeu por e-mail, em espanhol, de um texto a analisar - e muito bem - toda esta polémica (que de polémico não tem nada, porque nada de novo foi dito) à volta das declarações papais:

"Grande discussão irrompeu nos jornalistas (sempre ávidos de escândalo), devido a um artigo muito infeliz no L'Osservatore Romano, que violando o período de embargo estabelecido pelos editores, apresentou alguns parágrafos fora do contexto do novo "livro-entrevista" de Bento XVI, intitulado "Luz do Mundo", pelo jornalista alemão Peter Seewald, e que sairá para as bancas a 23 de Novembro.

O que desencadeou o escândalo foi uma parte tirada do contexto da resposta dada pelo Santo Padre a Seewald, quando lhe foi perguntado sobre o uso do preservativo na luta contra a SIDA.
O parágrafo publicado no L'Osservatore Romano diz:

“Pode haver casos exclusivos em que se justifique, por exemplo, quando uma prostituta usa o preservativo, este pode ser o primeiro passo em direcção a uma moralização, uma responsabilidade primordial de desenvolver uma nova consciência do facto de que nem tudo é permitido nem se pode fazer tudo o que se quer. No entanto, este não é o verdadeiro caminho para combater a infecção pelo HIV. É verdadeiramente necessária uma humanização da sexualidade.”

A partir desta palavra do Papa, a media em todo o mundo foi rápida a escrever manchetes onde diziam, com estas ou outras palavras, que o Papa tinha aprovado o uso de preservativos.

A primeira coisa a verificar é a tradução em espanhol do que o Papa realmente disse, em alemão, para a questão de Seewald.

No texto original em alemão, o Papa falou em "männlich Prostituierte", que significa "prostituto" (não prostituta) e vale a pena apontar que o Papa está a falar do preservativo como instrumento de luta contra a SIDA e não do preservativo como anticoncepcional.

Misteriosamente, o termo "männlich Prostituierte" preserva o género masculino na tradução em Inglês, falando de "prostituto", mas mudou de forma arbitrária por “prostituta” nas traduções para espanhol, italiano e francês. Eu não sei se o erro foi do L'Osservatore ou das editoras que publicam o livro, mas isso vai ser corrigido.

O que disse o Papa, se tomarmos as palavras originais em alemão, é pura e simplesmente que se um prostituto homossexual usa o preservativo (com o único propósito de não contaminar e disseminar outros com o vírus da SIDA), isso pode sinalizar o começo de uma moralização, em que homem está a perceber (no interior), que não pode fazer com a sua sexualidade o que quiser.

O jornal L'Osservatore Romano publicou a seguinte pergunta-resposta, na qual o Papa explica que a Igreja não pode aprovar o uso de preservativos como algo que seja moralmente aceite.

Seewald: Então que a igreja católica realmente não se opõe, em princípio, ao uso de preservativos?
Bento XVI: Ela [a Igreja] claro que não considera o preservativo como uma solução real ou moral, mas num caso ou outro, pode haver, no entanto, a intenção de reduzir o risco de infecção, como um primeiro passo para uma maneira diferente e mais humana de viver a sexualidade.

Eu não acredito que tivesse havido uma omissão intencional do L'Osservatore Romano.
Mas é bastante ridículo que os jornalistas tivessem publicado que o Papa “aprova o preservativo”, pelo simples facto de que não levam em conta que, para o Papa poder aprovar o uso de preservativos, primeiro teria que cancelar, mediante um decreto magisterial (e não numa entrevista coloquial) a Encíclica Humanae Vitae, a Casti Connubi, a Evangelium Vitae, o Catecismo da Igreja Católica etc..

Em suma, senhores jornalistas, já que nada o Papa não justificou o o uso do preservativo, nem para as prostitutas, nem para ninguém."

Autor: Lucrecia Rego de Planas | Fonte: Catholic.net

A ideologia homossexual e perseguição religiosa

"Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, abrasaram-se na mútua concupiscência, praticando uns com os outros o que é indecoroso e recebendo, em si mesmos, a paga que era devida aos seus desregramentos."

(Rom. 1, 26-28).

Mas em que consiste essa ideologia da homossexualidade? Como se opõe à Doutrina Católica? Explica o Cardeal Giacomo Biffi, ex-Arcebispo de Bolonha, a respeito do problema emergente da homossexualidade, que a concepção cristã nos ensina ser preciso distinguir sempre duas coisas: uma é o respeito devido às pessoas; outra é a recusa, que é justa, da “ideologia da homossexualidade”, hoje frequentemente exaltada em detrimento da realidade matrimonial e familiar.

“É preciso prepararmo-nos para uma nova forma de perseguição, executada pelos homossexuais facciosos, pelos seus cúmplices ideológicos e também por aqueles cujo dever seria o de defender a liberdade intelectual de todos, inclusive a dos cristãos”, lê-se na nova edição aumentada de "Memorie e digressione d’un italiano cardinale"(Cantagalli, Siena, 2010).

Remetendo à epístola do Apóstolo São Paulo aos Romanos, mostra que a palavra de Deus nos propõe, em contrapartida, uma interpretação teológica do fenómeno da aberração cultural que se espalha nesse domínio. Essa aberração – afirma o texto sagrado – é ao mesmo tempo a prova e o resultado do facto de Deus ser excluído da atenção colectiva e da vida social e da reserva em Lhe render a glória que a Ele é devida (Rom. 1, 21).

A exclusão do Criador provoca um disparate universal da razão: “antes se desvaneceram nos seus pensamentos, obscurecendo-se, deste modo, o seu insensato coração. Considerando-se sábios, tornam-se dementes” (Rom. 1, 21-22).

Em consequência da cegueira intelectual, produziu-se uma queda comportamental e teórica que se traduz na devassidão a mais completa: “Por isso, Deus, segundo os desejos dos seus corações, os entregou à impureza, a fim de que neles se degradassem os próprios corpos” (Rom. 1, 24).

E, de maneira a impedir qualquer leitura equívoca ou acomodada, o Apóstolo continua com uma análise impressionante, formulada em termos inteiramente explícitos:

“Por esse motivo, Deus os entregou a paixões degradantes, pois suas mulheres mudaram o uso natural em outro uso que é contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, abrasaram-se na mútua concupiscência, praticando uns com os outros o que é indecoroso e recebendo em si mesmos a paga, que era devida aos seus desregramentos. E como não procuraram ter de Deus conhecimento perfeito, entregou-os Deus a um sentimento pervertido, a fim de que fizessem o que não convinha” (Rom. 1, 26-28).

São Paulo acrescenta outras características perfeitamente aplicáveis aos defensores da ideologia da homossexualidade, mas não citadas na notícia de imprensa sobre as memórias do Cardeal Biffi. O Apóstolo dos gentios toma, entretanto, o cuidado de notar que atinge-se o sumo da abjecção quando os que se entregam a tais actos “não só os cometem, como também aprovam os que os praticam” (Rom. 1, 32).

Trata-se aqui de uma página do livro inspirado que nenhuma autoridade terrena pode nos obrigar a censurar, acrescenta a análise. E, se queremos ser fiéis á palavra de Deus, não temos mesmo o direito de deixar passar esta página sob silêncio por medo de não parecer “politicamente correctos”.

Devemos ao contrário ressaltar o interesse, notável para nossa época, desse ensinamento da Revelação: fica bem claro que o que São Paulo apontava como sucedendo no mundo greco-romano corresponde profeticamente ao que se passa na cultura ocidental no decurso dos últimos séculos. A exclusão do Criador – até essa proclamação grotesca há alguns decénios, da “morte de Deus” – teve como consequência (e quase como punição intrínseca) a difusão de uma interpretação aberrante da sexualidade, desconhecida (na sua arrogância) em épocas anteriores.

A ideologia da homossexualidade – como acontece frequentemente às ideologias, quando elas se tornam agressivas e chegam a tornar-se politicamente vitoriosas – revelam-se uma armadilha para a nossa legítima autonomia de pensamento: aqueles que não as aprovam correm o risco de ser condenados a uma espécie de marginalização cultural e social.

Os atentados contra a liberdade de julgamento começam pela linguagem. As pessoas que não se resignam a dar boa acolhida à homofilia (ou seja, a boa opinião teórica a respeito das relações homossexuais) são acusadas de homofobia (etimologicamente o “medo da homossexualidade”). Que fique bem claro: quem foi fortalecido pela luz da palavra inspirada e que vive no temor de Deus não tem medo de nada, salvo da estupidez, diante da qual, dizia Bonhœffer, ficamos sem defesa. Agora chega-se por vezes até a lançar contra nós a acusação incrivelmente arbitrária de “racismo” – um termo que, aliás, nada tem a ver com esse problema, e que, em todo caso, é totalmente estranho à nossa doutrina e à nossa história.

O problema de fundo que se perfila é o seguinte: é ainda permitido, em nossos dias, ser discípulos fiéis e coerentes do ensinamento de Cristo (que, há milénios, inspirou e enriqueceu toda a civilização ocidental), ou será preciso que nos preparemos para uma nova forma de perseguição levada a cabo pelos homossexuais facciosos, junto com seus cúmplices ideológicos, e também por aqueles cujo dever seria o de defender a liberdade intelectual de todos, inclusive a dos cristãos? (ver este vídeo)

Colocamos uma questão em particular aos teólogos, aos biblistas e aos responsáveis da pastoral: Como pode ser que, no actual clima de valorização quase obsessiva da Santa Escritura, a passagem da epístola aos Romanos I, 21-32 de São Paulo nunca tenha sido citada por ninguém? Como pode ser que ninguém se preocupe um pouco mais em torná-la conhecida aos crentes e aos não-crentes, apesar de sua evidente actualidade?

Fonte

"O Papa, o preservativo e os imbecis"

Por Massimo Introvigne:

Do livro-entrevista do Papa” Luz do mundo”, deverá falar-se, a seu tempo, como ele merece. Hoje falamos sobre os imbecis. Desde Associações Gays a alguns chamados de tradicionalistas, todos vêm dizer que o Papa mudou a doutrina católica tradicional sobre o controle da natalidade e a contracepção. Títulos em nove colunas nas primeiras páginas. A ONU exulta.

Comentadores explicam de que maneira o Papa admitiu que é melhor que as prostitutas se protejam de uma gravidez indesejada com preservativo: portanto, se começarmos com as prostitutas, como não estender o princípio para outras mulheres pobres que não podem educar os filhos, e então gradualmente a todos?

Atitude péssima, no entanto, que - como muitas vezes acontece - os comentadores têm-se dedicado a comentar sobre a nota de lançamento, sem ler a página inteira da entrevista sobre o tema, que também faz parte do adiantamento aos jornalistas. O Papa, sobre o tema da SIDA, afirma que a "fixação no preservativo em absoluto implica uma banalização da sexualidade", e que "a luta contra a banalização da sexualidade é também parte da luta para garantir que a sexualidade é considerada como um valor positivo."

No parágrafo seguinte - correctamente traduzir o original em alemão - Bento XVI prosseguiu: "Pode haver um fundamento, no caso de certos indivíduos, como quando um prostituto usa o preservativo (wenn etwa ein prostituierter ein kondom verwendet), e isso pode ser um primeiro passo no sentido de uma moralização, um primeiro passo de responsabilidade no caminho de recuperar a consciência de que nem tudo é permitido e de que não pode fazer tudo o que se quer. Mas essa não é a maneira de lidar com o mal da infecção pelo HIV. Isso só pode ser baseado numa humanização da sexualidade".

Eu não sei se o volume italiano tratou de traduzir correctamente "um prostituto", como no original alemão, ou - como em alguns jornais italianos, e infelizmente também o L'Osservatore Romano - "uma prostituta". "Prostituto", no masculino é pejorativo, mas é a única tradição italiana de “ein prostituierter ", e se colocarmos a palavra no feminino, toda a frase do Papa deixa de fazer sentido. Na verdade, não são as prostitutas mulheres, claro, que "usam" preservativos: no máximo, usam-no os seus clientes.

O Papa tem em mente exactamente a prostituição masculina, em que muitas vezes - como relatado na literatura científica – os clientes insistem que o "prostituto" não use preservativos, e onde muitos "prostitutos" - o caso do Haiti, de longe um paraíso do turismo homossexual – sofrem de SIDA, infectando centenas de seus clientes, muitos dos quais morrem. Alguns podem dizer que "prostituto" também se aplica aos heterossexuais “gigolôs”, que se fazem "acompanhar", por pagamento, por mulheres, mas o argumento é capcioso, porque é nos "prostitutos" homossexuais que a SIDA é epidémica, independentemente do facto de, mesmo em alemão, para o "prostituto" masculino que se relaciona com mulheres, usa-se correntemente o termo 'gigolô'.

Portanto, estabelecendo-se que a gravidez não vem ao caso, porque da prostituição homossexual é um bocado difícil que crianças nasçam, o Papa não disse nada de revolucionário. Um "prostituto" que tem uma relação homossexual a pagamento - na verdade, qualquer pessoa que tenha relações sexuais com alguém do mesmo sexo – comete, pelo ponto de vista católico, um pecado mortal.

Se, no entanto, consciente de ter SIDA, infecta o seu cliente sabendo que o está a infectar, além do pecado mortal contra o sexto mandamento contra ele, comete ainda um quinto, porque se trata de homicídio, pelo menos tentado. Cometer um pecado mortal ou dois não é a mesma coisa, e também há uma gradação nos pecados mortais. A imoralidade é um pecado grave, mas a imoralidade unida a um assassínio, é ainda mais grave.

Um "prostituto" homossexual seropositivo, que infecta sistematicamente os seus clientes é um pecador, ao mesmo tempo imoral e assassino. Se se perguntar o que se deve fazer, o certo ou errado (...) para que se possa reduzir o risco de cometer um assassínio não é que de repente se torne uma boa pessoa, mas deu um "primeiro passo" - e certamente insuficiente – para a consciência moral.

(…)

Assim, se um "prostituto" assassino de um certo ponto, continuando "prostituto", decidiu deixar de ser assassino, este "pode ser um primeiro passo."
"Mas - como diz o Papa - não é realmente a maneira de enfrentar o mal de infecção pelo HIV" .Devemos sim parar de ser o "prostituto", e encontrar clientes. A delicadeza do confessor para encontrar "caminhos humanamente transitáveis" para lidar com práticas mais sensíveis da Doutrina Católica - esta imutável - em termos de contracepção, evocada noutra parte da entrevista, não tem nada a ver com a história que estamos a discutir sobre o "prostituto".

Esta é a história que foi lançada nas manchetes e desencadeou a espiral perversa de comentários publicados apressadamente antes de se saber realmente do que se está a falar. Aqui, no entanto, onde está a novidade e escândalo se não na maldade de alguns comentadores? Neste contexto, ganha o prémio a forma mais absurda e imbecil: o primeiro lançamento da Associated Press, a versão em Inglês (felizmente já corrigida, mas ainda encontram indexadas no Yahoo com este título): "O Papa: a prostituição masculina, é admissível, se usar o preservativo. " (…)

(Tradução minha)

Ler na íntegra o original aqui.

A IGREJA MUDOU A POSIÇÃO OFICIAL?

Que fique claro que a Igreja não mudou, nem revolucionou, nem "evoluiu" a sua posição oficial.

Nem poderá mudar.

Já devíamos todos saber que o que a imprensa diz nem sempre (ou quase nunca, quando se trata do Papa) corresponde à verdade.

E é engraçado que os que duvidam da infalibilidade do Papa em matérias de Fé e Moral quando fala "ex cathedra" atribuam, curiosamente, essa mesma infalibilidade a qualquer frase que o Papa diga.

Nesta entrevista foi exposta uma opinião pessoal do Papa e, com boa-fé e alguns conhecimentos doutrinários, vemos que ele NÃO ADMITIU e muito menos ACONSELHOU o uso do preservativo.

- "Não é, contudo, a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por VIH/HIV. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade."

"Quer isso dizer que, em princípio, a Igreja Católica não é contra a utilização de preservativos?"

- "É evidente que ela não a considera uma solução verdadeira e moral." (ou seja continua a ser contra!)

- "Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização do preservativo por um prostituto, em que a utilização do preservativo possa ser um PRIMEIRO PASSO PARA A MORALIZAÇÃO (o que quer dizer que o preservativo em si NÃO É nem pode ser a solução moral definitiva, mantendo-se assim como prática moralmente reprovável).

- "O preservativo pode ser um PRIMEIRO PASSO na direcção de uma sexualidade vivida de outro modo, mais humana" (o que quer dizer que o uso do preservativo por si só NÃO É a forma mais aceitável ou mais humana de viver a sexualidade. Pode ser APENAS UM PASSO para isso numa situação extrema de pecado (o exemplo do prostituto).

O uso do preservativo continua a ser MORALMENTE INACEITÁVEL porque artificializa o sexo, "coisa" que deve ser antes humanizada e até divinizada, porque é através dele que se transmite o grande dom que é a Vida e é através dele que o casal cria vínculos e se une humana e respeitosamente.

Nenhum preservativo resolve o problema. No máximo, remedeia-o e eclipsa-o. Mas mesmo eclipsado...existe e continuará a existir até que se perceba DE UMA VEZ POR TODAS que a causa do mal das IST's é de facto a FALTA DE CORRESPONDÊNCIA às propostas da Igreja que são, afinal, propostas humanas que dignificam um casal e vão de encontro à dignidade humana - a fidelidade e a abstinência.

domingo, 21 de novembro de 2010

NOTA DO VATICANO SOBRE AS PALAVRAS DO PAPA

«No final do décimo capítulo do livro "Luz do mundo", o Papa respondeu a duas perguntas sobre a SIDA e o uso de preservativos, questões que remontam ao debate que se seguiu às palavras do Papa sobre este assunto, na sua viagem à África em 2009.

O Papa confirma claramente que, nessa ocasião, não quis tomar posição sobre a questão do preservativo, em geral, mas tinha a intenção de argumentar fortemente que o problema da SIDA não pode ser resolvido apenas com a distribuição de preservativos, é necessário mais: prevenir, educar, ajudar, aconselhar e estar com as pessoas, tanto para evitarem a doença como para acompanhar as que já estão doentes.

O Papa também observa que também na Igreja se desenvolveu uma consciência semelhante, como o demonstrado pela teoria do chamado método "ABC" (Abstinência, Fidelidade e Condom - preservativo), em que os dois primeiros elementos (abstinência e fidelidade) são muito mais determinantes e fundamentais na luta contra a SIDA, enquanto o preservativo é finalmente apresentado como uma alternativa, enquanto faltam os outros dois elementos. Portanto, deve ficar claro que o preservativo não é a resolução do problema.

O Papa amplia depois a sua visão e insiste em que concentrar-se somente no preservativo significa a banalização da sexualidade, perdendo esta o seu significado de expressão do amor entre pessoas e tornar-se uma "droga".
Combater a banalização da sexualidade é "parte do esforço para garantir que a sexualidade é valorizada e pode exercer o seu efeito positivo no ser humano na sua totalidade."

À luz desta visão ampla e profunda da sexualidade humana e da sua problemática actual, o Papa reafirma que "é claro que a Igreja não considera que os preservativos como solução verdadeira e moral" para o problema da SIDA.

Assim, o Papa não reforma ou muda a Doutrina da Igreja, mas a re-afirma, colocando-se numa perspectiva do valor e da dignidade da sexualidade humana como uma expressão de amor e responsabilidade.

Ao mesmo tempo, o Papa considerou uma situação excepcional em que o exercício da sexualidade é um risco real à vida do outro par.
Nesse caso, o Papa não justifica moralmente o exercício desordenado da sexualidade, mas considera que o uso de preservativos para reduzir o risco de infecção é um "primeiro acto de responsabilidade”, um primeiro passo no caminho para uma sexualidade mais humana ", ao invés de não usá-lo, colocando em risco a vida de outra pessoa. Nesse sentido, o raciocínio do Papa não pode ser definido como uma mudança revolucionária.

Muitos teólogos morais e personalidades da Igreja autorizadas afirmaram e afirmam posições semelhantes. Mas é verdade que ainda não tínhamos ouvido falar tão claramente dos lábios de um Papa, embora de uma forma coloquial e não Magisterial.

Bento XVI dá-nos, portanto, corajosamente, uma contribuição importante para esclarecer e aprofundar uma questão muito debatida. É uma contribuição original, uma vez que, por um lado mantém a fidelidade aos princípios morais e demonstra sinceridade ao rejeitar uma caminho ilusória, como é "a confiança no preservativo”.

Por outro lado, no entanto, expressou uma visão ampla compreensiva e atenta para descobrir os pequenos passos – ainda que apenas iniciais e ainda confusos – de uma humanidade espiritual e culturalmente muito pobre, para um exercício mais humano e responsável da sexualidade.»

Tradução da minha responsabilidade.

Original (em espanhol) em Logos

Papa Bento XVI - "É evidente que a Igreja não considera a utilização do preservativo uma solução verdadeira e moral"

"É evidente que a Igreja não considera utilização do preservativo uma solução verdadeira e moral"

Bento XVI disse que preservativo é aceitável "em certos casos"

(a outra parte da notícia que não foi contada...)

"Em África, Vossa Santidade afirmou que a doutrina tradicional da Igreja tinha revelado ser o caminho mais seguro para conter a propagação da SIDA/AIDS. Os críticos, provenientes também da Igreja, dizem, pelo contrário, que é uma loucura proibir a utilização de preservativos a uma população ameaçada pela SIDA/AIDS."

«Em termos jornalísticos, a viagem a África foi totalmente ofuscada por uma única frase. Perguntaram-me porque é que, no domínio da SIDA/AIDS, a Igreja Católica assume uma posição irrealista e sem efeito – uma pergunta que considerei realmente provocatória, porque ela faz mais do que todos os outros. E mantenho o que disse. Faz mais porque é a única instituição que está muito próxima e muito concretamente junto das pessoas, agindo preventivamente, educando, ajudando, aconselhando, acompanhando. Faz mais porque trata como mais ninguém tantos doentes com sida e, em especial, crianças doentes com sida. Pude visitar uma dessas unidades hospitalares e falar com os doentes.

Essa foi a verdadeira resposta: a Igreja faz mais do que os outros porque não se limita a falar da tribuna que é o jornal, mas ajuda as irmãs e os irmãos no terreno. Não tinha, nesse contexto, dado a minha opinião em geral quanto à questão dos preservativos, mas apenas dito – e foi isso que provocou um grande escândalo – que não se pode resolver o problema com a distribuição de preservativos. É preciso fazer muito mais. Temos de estar próximos das pessoas, orientá-las, ajudá-las; e isso quer antes, quer depois de uma doença.

Efectivamente, acontece que, onde quer que alguém queira obter preservativos, eles existem. Só que isso, por si só, não resolve o assunto. Tem de se fazer mais. Desenvolveu-se entretanto, precisamente no domínio secular, a chamada teoria ABC, que defende “Abstinence – Be faithful – Condom” (“Abstinência – Fidelidade – Preservativo”), sendo que o preservativo só deve ser entendido como uma alternativa quando os outros dois não resultam. Ou seja, a mera fixação no preservativo significa uma banalização da sexualidade, e é precisamente esse o motivo perigoso pelo qual tantas pessoas já não encontram na sexualidade a expressão do seu amor, mas antes e apenas uma espécie de droga que administram a si próprias. É por isso que o combate contra a banalização da sexualidade também faz parte da luta para que ela seja valorizada positivamente e o seu efeito positivo se possa desenvolver no todo do ser pessoa.

Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização do preservativo por um prostituto, em que a utilização do preservativo possa ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Não é, contudo, a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por VIH/HIV. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade.»

"Quer isso dizer que, em princípio, a Igreja Católica não é contra a utilização de preservativos?"

«É evidente que ela não a considera uma solução verdadeira e moral. Num ou noutro caso, embora seja utilizado para diminuir o risco de contágio, o preservativo pode ser um primeiro passo na direcção de uma sexualidade vivida de outro modo, mais humana.»

In Bento XVI, Luz do Mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos – Uma conversa com Peter Seewald, Lucerna, 2010

fonte: Spe Deus

sábado, 20 de novembro de 2010

VIVA CRISTO REI!

“O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos.”
(Ap 5,12; 1,6).


Um grito de guerra se escuta na face da Terra e em todo o lugar
Os prontos guerreiros empunham a sua espada e se alistam para a batalha.
Para isso foram treinados, para defender a Verdade,
E não lhes será tirado o fogo que está no seu sangue.

"Viva Cristo Rei!
Viva Cristo Rei!"
O grito de guerra que incendeia a Terra!
Viva Cristo Rei,
Nosso Soberano Senhor!
Batalhar por Ele é a maior honra!

Sabemos que esta batalha não é fácil e muitos se acobardarão

E baixam as armas frente ao inimigo, sem dúvida perecerão.
Eu tenho a minha espada bem erguida, como a usa o meu Senhor.
A Ele nada O derrotou, a Sua força é a de Deus.

Não conhecemos maior alegria, não existe mais honrosa vontade,
que, com meus irmãos, estar na linha e juntos a vida entregar.
É Ele que merece a Glória e nos recrutou por amor,
Diante d'Ele o joelho se dobra e se prostra o coração.
Lutar por Ele é a maior honra!
(Ouvir aqui - A letra da música não está traduzida literalmente)

Ele é Rei não porque se distancia de nós, mas precisamente porque se fez “Filho do homem”, solidário connosco em tudo. Ele experimentou nossas pobrezas e limitações; Ele caminhou pelas nossas estradas, derramou o nosso suor, angustiou-se com nossas angústias e experimentou tantos dos nossos medos. Ele morreu como nós, de morte humana, tão igual à nossa. Ele reina pela solidariedade.

Ele é Rei porque nos serviu: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Serviu com toda a Sua existência, serviu dando sempre e em tudo a vida por nós, por amor de nós. Ele reina pelo amor.

Ele é Rei porque tudo foi criado pelo Pai “através dele e para ele” (Cl 1,15); tudo caminha para ele e, n'Ele, tudo aparecerá na Sua verdade: “Quem é da verdade, ouve a minha voz”. É n'Ele que o mundo será julgado. A televisão, os modismos, os sabichões de plantão podem dizer o que quiserem, ensinarem a verdade que lhes forem conveniente... mas, ao final, somente o que passar pelo teste da Cruz do Senhor resistirá. O resto, é resto: não passa de palha. Ele reina pela verdade.

Ele é Rei porque é o único que pode garantir nossa vida; pode fazer-nos felizes agora e pode nos dar a vitória sobre a morte por toda a eternidade: “Jesus Cristo é a testemunha fiel e verdadeira, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra”. Ele reina pela vida.

Sim, Jesus é Rei: “Eu sou Rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo!” Mas o Seu Reino nada tem a ver com o triunfalismo dos reinos humanos – de direita ou de esquerda! Nunca nos esqueçamos que aquele que entrou em Jerusalém como Rei, veio num burrico, símbolo de mansidão e serviço.
Como coroa teve os espinhos;
Como ceptro, uma cana;
Como manto, um farrapo escarlate;
Como trono, a cruz.
Se quisermos compreender a realeza de Cristo, é necessário não esquecer isso! A marca e o critério da realeza de Cristo é e será sempre, a cruz!
Hoje, assistimos, impressionados, a paganização do mundo, e perguntamos: onde está a realeza do Cristo? – Onde sempre esteve: na cruz: “O meu reino nã
o é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.

O Reino de Jesus não é segundo o modelo deste mundo, não se impõe por guardas, pela força, pelas armas: O meu Reino não é daqui! É um Reino que vem do mundo do amor e da misericórdia de Deus, não das loucuras megalomaníacas dos seres humanos. E, no entanto, o Reino está no mundo: “Cumpriu-se o tempo; o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15); “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou para vós” (Lc 11,20).


O Reino que Jesus trouxe deve expandir-se no mundo! O Reino do Cristo deve penetrar todos os âmbitos de nossa existência: a economia, as relações comerciais, os mercados financeiros, as relações entre pessoas e povos, a nossa vida afectiva, a nossa moral pessoal e comunitária.

Celebrar Jesus Cristo Rei do Universo é proclamar diante do mundo que somente Cristo é o sentido último de tudo e de todos, que somente Cristo é definitivo e absoluto.

Proclamá-lo Rei é dizer que não nos submetemos a nada nem a ninguém, a não ser a Cristo; é afirmar que tudo o mais é relativo e menos importante quando confrontado com o único necessário, que é o Reino que Jesus veio trazer. Num mundo que deseja esvaziar o Evangelho, tornando Jesus alguém inofensivo e insípido, um deus de barro, vazio e sem utilidade, proclamar Jesus como Rei é rejeitar o projecto pagão do mundo actual e proclamar: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos”. Amén (Ap 5,12; 1,6).